21/03/2009

O para-facismo ataca de novo. O spot publicitário da Antena 1


Antes de mais gostaria de avisar que retirei o antepenúltimo post, referente a um vídeo dos Monty Phyton dedicado aos católicos e protestantes, exclusivamente por motivos técnicos, pois aparecia-me, sempre que tentava fechar o meu blog, uma mensagem a dizer que havia um erro de scrip que eu associei àquele post. O que de facto se confirmou ao eliminá-lo. Não sei se aos meus leitores também lhes sucedeu o mesmo?

Voltemos ao motivo que me levou a escrever este post (ver aqui o spot publicitário). Sei que o título é forte, mas convém chamar os bois pelos nomes.
Alguns bloggers indignaram-se com o papel desempenhado neste spot pela jornalista Eduarda Maio, que já tinha escrito um livro de propaganda a José Sócrates, afirmando, e com razão, que os jornalista não podem participar em publicidade. Outros estão contra o ataque expresso à garantia constitucional do direito à manifestação. Alguns referem a responsabilidade, em última instância, do Ministro Santos Silva, que tutela a comunicação social. Por último o Público garantia, pela porta-voz da RTP, que este anúncio era uma ideia criativa da agência de publicidade, limitando-se a RTP a aprová-lo.
Tudo isto são aspectos importantes, mas não eximem a administração da RTP/RDP de ser responsável por ter escolhido um spot publicitário que faz apelo a valores e ideias afascistadas.
Vejamos. Uma das consignas do salazarismo era “a minha política é o trabalho”. O que significava que quem não queria encrencas não se metia em políticas ou em manifestações, só aquelas que fossem “espontaneamente” organizadas pelo regime. O mesmo reflecte a ideologia expressa por este spot publicitário. Os bons chefes de família, representados pelo condutor do automóvel, não se metem em manifestações que são uma arma dirigida a contra todos aqueles que “honestamente” querem chegar a horas ao trabalho.
Como todos sabemos, e basta percorrer os comentários bastante afascistados, que têm sido deixado nos posts que se referiram a este spot, para se verificar que há muita boa gente que tem uma nostalgia acentuada pelos "bons tempos" do passado, em que as manifestações estavam proibidas e em que aqueles que nelas participavam eram desordeiros e subversivos, talvez manipulados pelo PCP e pelos “esquerdistas”, pais do actual Bloco de Esquerda.
E aqui entroncamos nas perigosas afirmações do primeiro-ministro que, em relação à manifestação da CGTP, considerou que os seus participantes tinham sido manipulados por aqueles dois partidos. Num ápice juntou a velha ideia salazarenta, de que toda a desordem é o resultado da agitação promovida pelos comunistas, a outra da guerra-fria, de que certos sindicatos são manipulados e instrumentalizados pelos Partidos Comunistas, aos quais havia que opor um sindicalismo livre e independente, tão independente como o que depois se viu na semana seguinte, em que a tendência socialista da UGT se reúne com José Sócrates, do PS, para indicarem o próximo secretário-geral da UGT.
O caminho que estamos a seguir é perigoso. O PS em desespero de causa, com o gauleiter Santos Silva, está a pretender meter na ordem os sindicatos e a tentar impedir as manifestações que estes promovem. Temos que estar atentos a esta grave situação e à ideologia que está por detrás dela.

Parece que os protestos foram tantos e tão pronta foi a acção do provedor do ouvinte que o spot publicitário foi retirado e no Telejornal de hoje foi até garantido que este já tinha sido feito no Verão passado e só agora é que foi exibido. Isto para demonstrar que nada teria a ver com as recentes manifestações da CGTP.
PS. (23/03/09): Já passaram alguns dias, mas encontrei em 5 dias.net, num post de Nuno Ramo de Almeida uma referência a este caso. Não havia qualquer problema, este assunto durante um curto espaço de tempo, que é sempre aquele que leva a bloggosfera a indignar-se, encheu as manchetes de todos os blogs progressistas. Não fui excepção, simplesmente eu fazia referência, no dia 21 de Março, a uma ideia salazarenta de que a minha política é o trabalho, no dia 22 o Nuno referia-se ao mesmo. Não quero tirar o copyright desta ideia, mas lá que houve transmissão de pensamento, houve. A diferença é que em relação ao meu post nem um comentariozinho para alegrar a festa e no do Nuno registei até hoje 39. Não quer dizer que tivesse qualquer interesse em ter comentários do calibre daqueles que lá se escrevem, mas ao menos um só.
PS. (30/03/09): Afinal não foi só o Nuno que teve transmissão do pensamento em relação à frase salazarente “a minha política é o trabalho”. Mário Crespo num artigo de opinião no Jornal de Notícias, de 23 de Março, escreve o “slogan da ditadura que a melhor política é o trabalho”. Ou seja, fica claro que uma mesma causa, neste caso as palavras de Eduarda Maio, provocam a mesma reacção, a associação àquela palavra de ordem do fascismo. Aqui fica pois a resposta ao comentário do Nuno.

2 comentários:

Nuno Ramos de Almeida disse...

Caríssimo,
Os blogues são como o capitalismo: muito injustos.
Há uma segunda razão, os teus textos são muito pensados e argumentados, os comentadores ficam intimidados com a perspectiva de se "baterem" contigo, no meu caso eu limitei-me a provocá-los. E como sabes , quando ouvem as campainhas é automático.

Abraço amigo,
Nuno

Jorge Nascimento Fernandes disse...

Caro Nuno
Ver a resposta ao teu comentário no corpo do post.
Um abraço