Simples complexo
Há 8 horas
Blog sobre política, actualidade nacional e internacional, história contemporânea e do movimento comunista, marxismo, Ex-URSS e muitas outras coisas que se verão. Notícias bibliográficas e referências à história do cinema, por vezes ao cine-clubismo. Estados de alma e crítica de costumes. Tudo o que for oportuno para desmascarar as ideias dominantes.
Fui buscar o termo intolerância ao Telejornal, da RTP 1. Mesmo nestes tempos de censura ou de beija-mão ao poder “há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não". De facto não esperava ouvir esta frase na televisão pública.
Neste último fim-de-semana Miguel Sousa Tavares (MST), na coluna que mantém semanalmente no Expresso (sem link), resolveu referir-se a uma série de acontecimentos que tinham decorrido durante a semana. Todos eles constituem aquilo que MST considera a indignação politicamente correcta e por isso se insurge contra as vozes que manifestaram a sua crítica a alguns dos factos que ele assinala.
Nunca tinha visto um governante português tão curvado perante um representante de um governo estrangeiro, talvez porque estas cenas raramente são filmadas, como aquela que presenciei na televisão do nosso ministro das finanças a prestar vassalagem ao seu homólogo alemão. A cena era digna do filme O Padrinho, o nosso governante quase beijava as mãos ao padrinho alemão que lhe tinha concedido uma pequena audiência para lhe dar conta que o seu pedido tinha sido atendido.
Já em dois posts anteriores (ver aqui e aqui) critiquei todos aqueles que tinham desencadeado uma campanha contra a tolerância de ponto que foi dada na tarde de quinta-feira Santa. Intitulei mesmo o primeiro post de Demagogia Ordinária. Por isso, venho agora insurgir-me contra a retirada da tolerância de ponto no dia de Carnaval.
No dia 1, quando me preparava para comprar uma televisão, por outras razões que nada tinham a ver com o apagão analógico que se verificou nesse dia na região de Lisboa e no Barlavento algarvio, entrou pela loja dentro uma mulher esbaforida porque tinha ficado nesse dia sem ver televisão. O aparelho tinha sido adquirido naquele estabelecimento há dois dias. Um empregado, com alguma paciência, foi-lhe dizendo que talvez ela não tivesse os canais bem sintonizados ou que a antena não estivesse direccionada devidamente. Vim-me embora e nesse mesmo dia telefona um familiar da minha mulher a dizer-lhe que uma tia, já com noventa anos, tinha ficado sem ver televisão e que ele já tinha providenciado a instalação do Meo, porque o técnico que arranja as antenas demoraria quinze dias a ir lá, coisa incomportável para uma senhora daquela idade, que o único entretém que tem é ver televisão. A minha mulher achou que era um desperdício de dinheiro fazer uma assinatura do Meo para uma pessoa que toda a sua vida se tinha habituado a ver unicamente quatro canais e não queria mais do que isso. Parece que se arranjou um técnico que foi mais rapidamente a sua casa. É bom que se esclareça que a televisão era nova, porque a anterior já não tinha possibilidades, de acordo com as informações prestadas no anúncio da RTP, de se lhe adaptar um descodificador.
Hoje enviaram-me esta notícia. Podem abrir o link e ver um vídeo com a intervenção que a vereadora da Câmara de Odivelas, Maria da Luz Nogueira, fez na reunião da Câmara, a 25 de Janeiro de 2012, sobre um tema que eu nem imaginava que pudesse ser possível depois do 25 de Abril.