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25/05/2011
Eduardo Galeano- A verdade sobre a globalização capitalista
Enviaram-me esta interessante intervenção de Eduardo Galeano, um grande escritor uruguaio, autor dessa importante obra, que Chavéz ofereceu a Obama, As veias abertas da América Latina (1971). Há uma tradução portuguesa nas Edições Dinossauro.
Gostava que as boas almas que estão sempre prontas a enviar frechadas a Hugo Chávez ouvissem com atenção o que este magnífico narrador nos conta dele e da Venezuela actual.
Etiquetas:
América Latina,
Eduardo Galeana
10/01/2009
Cuba, mais um aniversário

Sei que venho atrasado, o 50º aniversário da Revolução Cubana já passou. Mas ainda estou dentro do período normal para comemorar esta data redonda.
Na blosgosfera a habitual divisão. As boas almas lá vieram reafirmar a mesma desilusão de sempre, os outros a passagem de mais um glorioso aniversário. Não indico links para não ofender ninguém.
No entanto, não deixo de referir a prosa de Vital Moreira, A revolução exangue, publicada no Público, a 6 de Janeiro, que para além das críticas tradicionais daquele articulista a um regime “comunista”, tem afirmações mentirosas sobre a pobreza de Cuba, – “economicamente, Cuba é hoje um dos países mais pobres da América Latina” – que não se baseiam em qualquer fonte e que resultam do palpite daquele articulista. Sobre este assunto ver o belo artigo que Guilherme da Fonseca-Statter publicou no Comunistas.info, A propósito de mais um Aniversário da Revolução Cubana, em que desmonta com números aquela afirmação aldrabona de Vital Moreira.
Mas deixemos estas pequenas picardias em que eu me costume envolver na blogosfera ou com os media dominantes e apresentemos três pequenas reflexões que me interessa fazer sobre Cuba.
1 - Só haverá um caminho para chegar ao socialismo?
Quando a revolução cubana aconteceu tinha eu quinze anos a caminho dos dezasseis. Vivi com grande alegria aqueles acontecimentos através de uma imprensa censurada. Era a derrota de uma ditadura e a vitória da liberdade e da transformação social. Ditadura e liberdade eu sabia o que eram, transformação social era um conceito mais elaborado, que na altura provavelmente não perceberia a sua amplitude. Contudo, quando se deu o desembarque da Baía dos Porcos, em Abril de 1961, e a crise dos mísseis, em Outubro de 1962, já era um homenzinho e, na última data, já tinha mesmo formação marxista.
Para aqueles que, como eu, pouco tempo depois aderiram ao PCP, a revolução cubana tinha seguido a via-sacra do leninismo, ou melhor, os ensinamentos do marxismo-leninismo e da construção do socialismo. Tinha começado por ser uma revolução anti-imperialista, contra a burguesia sua aliada, que devido à resistência do imperialismo se transforma em revolução socialista, cuja direcção é assegurada primeiro, a partir de Março de 1962, pelo Partido Unido da Revolução Socialista Cubana (PURSC), que junta os fidelistas do Movimento 26 de Julho, o Directório Revolucionário, formado por estudantes revolucionários, e o anterior partido comunista (Partido Popular Socialista) e depois, a partir de Outubro de 1965, pelo seu partido de vanguarda, o Partido Comunista Cubano, que irá comandar até hoje os destinos da Revolução.
Cuba era a ilustração clara de que só havia um caminho para construir o socialismo. Segundo uma declaração antiga de Fidel, que encontrei em textos que recolhi na altura, “o processo revolucionário cubano obedecia a um conjunto de leis, comuns a todos os processos revolucionários. Primeiro a tomado de poder pelas massas, em seguida a destruição do aparelho militar da classe dominante” (Dezembro de 1961). A minha geração comunista acreditou nisto e Cuba confirmava a veracidade deste princípio.
Hoje, passado este tempo, verifico que a opção seguida em Cuba não foi o resultado inevitável de um princípio, que nós acreditávamos que era científico, mas o resultado da própria experiência soviética, que era a única verdadeiramente conhecida, e da pressão dos conselheiros daquele país. Era essa a única via que lhes tinham ensinado nas escolas do Partido.
É evidente que estes passos não foram dados sem dor, nem sem convulsões. Che tinha algumas opiniões diferentes. Fala dos estímulos morais para as tarefas da construção do socialismo, enquanto os soviéticos dos estímulos materiais. Propõe-se a teoria do foco como um conceito revolucionário aplicável a países sob dominação imperialista e com condições no terreno favoráveis à guerra de guerrilhas e defende-se a criação de “um, dois ou três Vietnames”, enquanto que em Moscovo se acredita numa via pacífica para o socialismo. Mas no fundo o caminho seguido por Cuba era indiscutivelmente a confirmação prática de que a construção do socialismo só poderia seguir aquela via.
Posteriormente, a derrota de Allende, no Chile, tornou ainda mais real a nossa convicção teórica.
Simplesmente, os revolucionários sul-americanos aprenderam a lição, depois de anos de ditadura e de derrotas da Revolução, conseguiram com dúvidas, divisões, avanços e recuos, empreender a transformação social criando movimentos de massas que pela via democrática vão tomando o poder e tentando construir novas perspectivas para as suas populações miseráveis. O caso mais conhecido é o Chavez, mas temos Morales na Bolívia, Rafael Corrêa no Equador, Daniel Ortega, parece com algumas contradições, na Nicarágua e mais recentemente Fernando Lugo, no Paraguai. Temos Governos com algum cariz progressista no Brasil, com Lula, na Argentina, no Uruguai e, vá lá, no Chile.
Cuba isolada, escorraçada da Organização dos Estados Americanos, em 1962, está hoje no centro de todas as atenções e é um estado acarinhado e respeitado em toda a América Latina.
Por isso, aquilo que nós pensávamos naqueles anos revelou-se errado, diverso são os caminhos para se chegar ao socialismo e os principais, com todos as contradições e complexidades, passam necessariamente pela participação eleitoral e democrática de grandes massas de cidadãos.
2- Os problemas do desenvolvimento
Numa entrevista à SIC Notícias a propósito deste aniversário, José Fernandes Fafe, que foi nosso embaixador em Havana e escreveu recentemente um belo livro sobre Fidel (Temas e Debates e Círculo dos Leitores, 2008), afirmou que, durante a existência da União Soviética, Cuba vivia menos mal para os padrões da América Latina. Segundo ele a URSS despejava não sei quantos milhões de dólares por dia naquele país. Quando aquela acabou, Cuba, para sobreviver, teve que introduzir as desigualdades, dado que autorizou os portadores de dólares a trocá-los pela moeda local, permitindo assim que aqueles que tivessem parentes nos Estados Unidos ou que vivessem do turismo ou nas suas proximidades pudessem beneficiar dessa troca.
Este problema, aqui ligeiramente aflorado, põe o dilema, que se pôs igualmente à China, com outra dimensão, de que só recorrendo a uma certa desigualdade no caso de Cuba, no caso da China, recorrendo mesmo ao capitalismo mais selvagem se consegue desenvolver um país atrasado.
A experiência soviética não é muito encorajadora. Lenine, para sair da paralisação económica em que se encontrava a URSS, após a guerra civil, recorreu provisoriamente à NEP (Nova Política Económica), que permitiu a venda livre dos produtos da terra e o enriquecimento individual dos camponeses com maiores propriedades (kulaks). Estaline cortando com isto, resolveu fazer a colectivização forçada dos campos e iniciou com os camponeses que fugiram para as cidades, e alguma mão-de-obra prisioneira a industrialização acelerada daquele país. Os resultados foram positivos durante um período razoável, mas foram obtidos à custa de um enorme sofrimento das populações. Podemos afirmar que a experiência soviética nada tinha de socialismo, como Marx o entendia e como nós hoje o propomos.
Por isso, até ao presente, o socialismo não teve possibilidades de demonstrar ser capaz de desenvolver sociedades humanas atrasadas. Apesar de no caso da URSS a ter transformado num país moderno e na China ter permitido retirar milhões de camponeses do nível de subsistência mais miserável, simplesmente nada disto tem a ver com o socialismo. As experiências da América Latina não são ainda conclusivas, nem garantem que sejam capazes de retirar massas humanas do nível de subsistência, mas têm permitido aumentar o nível de vida de algumas populações mais desfavorecidas.
3 – Os problemas da transição
Todos os críticos dos regimes de socialismo real asseiam para que estes passem a ser democracias “tout court” e que garantam o respeito pelos direitos humanos. Nestes anseios há muita hipocrisia. Esquecem deliberadamente que até ao presente os regimes que substituíram o socialismo-real enveredaram pelo capitalismo mais desigual, criando sociedades que só por brincadeira se pode dizer que garantem os direitos humanos. Quando milhares de cidadãos daqueles países são obrigados a emigrar para o Ocidente porque perderam de imediato o seu nível mínimo de subsistência, mal vão os direitos humanos. Mais, quando de repente aparecem, em meia dúzia de anos, como foi o caso da Rússia, multimilionários com as fortunas como as que hoje são atribuídas a alguns dos donos de clubes de futebol, temos que reconhecer que alguma coisa vai mal. E vai de facto, a experiência de transição, excepto em países que já tinham uma vida democrática anterior, caso da Checoslováquia, tem sido má, tem permitido criar profundas desigualdades e transformado países que dantes eram dependentes de uma grande potência, a URSS, a dependerem de outra, os EUA. A história é triste e não pode servir para os seus defensores fazerem grandes encómios.
O problema em Cuba tem contornos semelhantes. Como se portariam os cubanos de Miami desejosos de vingança contra os que ficaram em Cuba? Que aconteceria a todos os grandes proprietários que anseiam regressar às suas terras? E aos americanos que deveriam querer ressarcir-se dos seus investimentos passados? Estes aspectos da transição, que as boas almas acreditam que se resolvem facilmente fazendo eleições livres, dando liberdade de imprensa e permitindo a organização de partidos, acabam normalmente muito mal, com violações por vezes muito mais gritantes dos direitos humanos.
Não comparem com a transição em Portugal. Nos casos referidos anteriormente há de facto uma mudança de regime económico importante, coisa que as nossas boas almas ignoram, que modifica profundamente a estrutura social. Em Portugal, apesar de ter havido algumas alterações sociais, os donos da bola, as classes dominantes de sempre, passados os primeiros apertos e da emigração para o Brasil ou para Espanha, regressam para tomar posse do que perderam e, em alguns casos, em situações até mais favoráveis.
Na China o poder conseguiu controlar a situação de transição. Recorreu mesmo uma situação extremamente repressiva, Tiananmen, no entanto, se isso não tivesse sucedido talvez a China perdesse o comboio do crescimento económico que tem vindo a conhecer.
Cuba com as alterações que o próprio regime for introduzindo, com o reforço da componente progressista em toda a América Latina, com a possível, mas não certa, alteração da liderança em Washington, irá provavelmente corrigindo alguns das piores defeitos do passado e permitir um fluir democrático das suas instituições.
Estas três reflexões sobre Cuba foram escritas um pouco ao correr da pena, com a ajuda aqui e acolá da Wikipédia, e de textos que fui desenterrar à minha gaveta de memórias, não pretende ser uma análise histórica e económica da realidade. São simples apontamentos pessoais que respondem a algumas ideias feitas e que os de sempre considerarão revisionistas e as boas almas como justificadoras da ditadura de partido único e da violação dos direitos humanos. A todos respondo que metam a mão na consciência e aos últimos que não se pode ser tolerante para com Israel e tão crítico para com este regime.
Na blosgosfera a habitual divisão. As boas almas lá vieram reafirmar a mesma desilusão de sempre, os outros a passagem de mais um glorioso aniversário. Não indico links para não ofender ninguém.
No entanto, não deixo de referir a prosa de Vital Moreira, A revolução exangue, publicada no Público, a 6 de Janeiro, que para além das críticas tradicionais daquele articulista a um regime “comunista”, tem afirmações mentirosas sobre a pobreza de Cuba, – “economicamente, Cuba é hoje um dos países mais pobres da América Latina” – que não se baseiam em qualquer fonte e que resultam do palpite daquele articulista. Sobre este assunto ver o belo artigo que Guilherme da Fonseca-Statter publicou no Comunistas.info, A propósito de mais um Aniversário da Revolução Cubana, em que desmonta com números aquela afirmação aldrabona de Vital Moreira.
Mas deixemos estas pequenas picardias em que eu me costume envolver na blogosfera ou com os media dominantes e apresentemos três pequenas reflexões que me interessa fazer sobre Cuba.
1 - Só haverá um caminho para chegar ao socialismo?
Quando a revolução cubana aconteceu tinha eu quinze anos a caminho dos dezasseis. Vivi com grande alegria aqueles acontecimentos através de uma imprensa censurada. Era a derrota de uma ditadura e a vitória da liberdade e da transformação social. Ditadura e liberdade eu sabia o que eram, transformação social era um conceito mais elaborado, que na altura provavelmente não perceberia a sua amplitude. Contudo, quando se deu o desembarque da Baía dos Porcos, em Abril de 1961, e a crise dos mísseis, em Outubro de 1962, já era um homenzinho e, na última data, já tinha mesmo formação marxista.
Para aqueles que, como eu, pouco tempo depois aderiram ao PCP, a revolução cubana tinha seguido a via-sacra do leninismo, ou melhor, os ensinamentos do marxismo-leninismo e da construção do socialismo. Tinha começado por ser uma revolução anti-imperialista, contra a burguesia sua aliada, que devido à resistência do imperialismo se transforma em revolução socialista, cuja direcção é assegurada primeiro, a partir de Março de 1962, pelo Partido Unido da Revolução Socialista Cubana (PURSC), que junta os fidelistas do Movimento 26 de Julho, o Directório Revolucionário, formado por estudantes revolucionários, e o anterior partido comunista (Partido Popular Socialista) e depois, a partir de Outubro de 1965, pelo seu partido de vanguarda, o Partido Comunista Cubano, que irá comandar até hoje os destinos da Revolução.
Cuba era a ilustração clara de que só havia um caminho para construir o socialismo. Segundo uma declaração antiga de Fidel, que encontrei em textos que recolhi na altura, “o processo revolucionário cubano obedecia a um conjunto de leis, comuns a todos os processos revolucionários. Primeiro a tomado de poder pelas massas, em seguida a destruição do aparelho militar da classe dominante” (Dezembro de 1961). A minha geração comunista acreditou nisto e Cuba confirmava a veracidade deste princípio.
Hoje, passado este tempo, verifico que a opção seguida em Cuba não foi o resultado inevitável de um princípio, que nós acreditávamos que era científico, mas o resultado da própria experiência soviética, que era a única verdadeiramente conhecida, e da pressão dos conselheiros daquele país. Era essa a única via que lhes tinham ensinado nas escolas do Partido.
É evidente que estes passos não foram dados sem dor, nem sem convulsões. Che tinha algumas opiniões diferentes. Fala dos estímulos morais para as tarefas da construção do socialismo, enquanto os soviéticos dos estímulos materiais. Propõe-se a teoria do foco como um conceito revolucionário aplicável a países sob dominação imperialista e com condições no terreno favoráveis à guerra de guerrilhas e defende-se a criação de “um, dois ou três Vietnames”, enquanto que em Moscovo se acredita numa via pacífica para o socialismo. Mas no fundo o caminho seguido por Cuba era indiscutivelmente a confirmação prática de que a construção do socialismo só poderia seguir aquela via.
Posteriormente, a derrota de Allende, no Chile, tornou ainda mais real a nossa convicção teórica.
Simplesmente, os revolucionários sul-americanos aprenderam a lição, depois de anos de ditadura e de derrotas da Revolução, conseguiram com dúvidas, divisões, avanços e recuos, empreender a transformação social criando movimentos de massas que pela via democrática vão tomando o poder e tentando construir novas perspectivas para as suas populações miseráveis. O caso mais conhecido é o Chavez, mas temos Morales na Bolívia, Rafael Corrêa no Equador, Daniel Ortega, parece com algumas contradições, na Nicarágua e mais recentemente Fernando Lugo, no Paraguai. Temos Governos com algum cariz progressista no Brasil, com Lula, na Argentina, no Uruguai e, vá lá, no Chile.
Cuba isolada, escorraçada da Organização dos Estados Americanos, em 1962, está hoje no centro de todas as atenções e é um estado acarinhado e respeitado em toda a América Latina.
Por isso, aquilo que nós pensávamos naqueles anos revelou-se errado, diverso são os caminhos para se chegar ao socialismo e os principais, com todos as contradições e complexidades, passam necessariamente pela participação eleitoral e democrática de grandes massas de cidadãos.
2- Os problemas do desenvolvimento
Numa entrevista à SIC Notícias a propósito deste aniversário, José Fernandes Fafe, que foi nosso embaixador em Havana e escreveu recentemente um belo livro sobre Fidel (Temas e Debates e Círculo dos Leitores, 2008), afirmou que, durante a existência da União Soviética, Cuba vivia menos mal para os padrões da América Latina. Segundo ele a URSS despejava não sei quantos milhões de dólares por dia naquele país. Quando aquela acabou, Cuba, para sobreviver, teve que introduzir as desigualdades, dado que autorizou os portadores de dólares a trocá-los pela moeda local, permitindo assim que aqueles que tivessem parentes nos Estados Unidos ou que vivessem do turismo ou nas suas proximidades pudessem beneficiar dessa troca.
Este problema, aqui ligeiramente aflorado, põe o dilema, que se pôs igualmente à China, com outra dimensão, de que só recorrendo a uma certa desigualdade no caso de Cuba, no caso da China, recorrendo mesmo ao capitalismo mais selvagem se consegue desenvolver um país atrasado.
A experiência soviética não é muito encorajadora. Lenine, para sair da paralisação económica em que se encontrava a URSS, após a guerra civil, recorreu provisoriamente à NEP (Nova Política Económica), que permitiu a venda livre dos produtos da terra e o enriquecimento individual dos camponeses com maiores propriedades (kulaks). Estaline cortando com isto, resolveu fazer a colectivização forçada dos campos e iniciou com os camponeses que fugiram para as cidades, e alguma mão-de-obra prisioneira a industrialização acelerada daquele país. Os resultados foram positivos durante um período razoável, mas foram obtidos à custa de um enorme sofrimento das populações. Podemos afirmar que a experiência soviética nada tinha de socialismo, como Marx o entendia e como nós hoje o propomos.
Por isso, até ao presente, o socialismo não teve possibilidades de demonstrar ser capaz de desenvolver sociedades humanas atrasadas. Apesar de no caso da URSS a ter transformado num país moderno e na China ter permitido retirar milhões de camponeses do nível de subsistência mais miserável, simplesmente nada disto tem a ver com o socialismo. As experiências da América Latina não são ainda conclusivas, nem garantem que sejam capazes de retirar massas humanas do nível de subsistência, mas têm permitido aumentar o nível de vida de algumas populações mais desfavorecidas.
3 – Os problemas da transição
Todos os críticos dos regimes de socialismo real asseiam para que estes passem a ser democracias “tout court” e que garantam o respeito pelos direitos humanos. Nestes anseios há muita hipocrisia. Esquecem deliberadamente que até ao presente os regimes que substituíram o socialismo-real enveredaram pelo capitalismo mais desigual, criando sociedades que só por brincadeira se pode dizer que garantem os direitos humanos. Quando milhares de cidadãos daqueles países são obrigados a emigrar para o Ocidente porque perderam de imediato o seu nível mínimo de subsistência, mal vão os direitos humanos. Mais, quando de repente aparecem, em meia dúzia de anos, como foi o caso da Rússia, multimilionários com as fortunas como as que hoje são atribuídas a alguns dos donos de clubes de futebol, temos que reconhecer que alguma coisa vai mal. E vai de facto, a experiência de transição, excepto em países que já tinham uma vida democrática anterior, caso da Checoslováquia, tem sido má, tem permitido criar profundas desigualdades e transformado países que dantes eram dependentes de uma grande potência, a URSS, a dependerem de outra, os EUA. A história é triste e não pode servir para os seus defensores fazerem grandes encómios.
O problema em Cuba tem contornos semelhantes. Como se portariam os cubanos de Miami desejosos de vingança contra os que ficaram em Cuba? Que aconteceria a todos os grandes proprietários que anseiam regressar às suas terras? E aos americanos que deveriam querer ressarcir-se dos seus investimentos passados? Estes aspectos da transição, que as boas almas acreditam que se resolvem facilmente fazendo eleições livres, dando liberdade de imprensa e permitindo a organização de partidos, acabam normalmente muito mal, com violações por vezes muito mais gritantes dos direitos humanos.
Não comparem com a transição em Portugal. Nos casos referidos anteriormente há de facto uma mudança de regime económico importante, coisa que as nossas boas almas ignoram, que modifica profundamente a estrutura social. Em Portugal, apesar de ter havido algumas alterações sociais, os donos da bola, as classes dominantes de sempre, passados os primeiros apertos e da emigração para o Brasil ou para Espanha, regressam para tomar posse do que perderam e, em alguns casos, em situações até mais favoráveis.
Na China o poder conseguiu controlar a situação de transição. Recorreu mesmo uma situação extremamente repressiva, Tiananmen, no entanto, se isso não tivesse sucedido talvez a China perdesse o comboio do crescimento económico que tem vindo a conhecer.
Cuba com as alterações que o próprio regime for introduzindo, com o reforço da componente progressista em toda a América Latina, com a possível, mas não certa, alteração da liderança em Washington, irá provavelmente corrigindo alguns das piores defeitos do passado e permitir um fluir democrático das suas instituições.
Estas três reflexões sobre Cuba foram escritas um pouco ao correr da pena, com a ajuda aqui e acolá da Wikipédia, e de textos que fui desenterrar à minha gaveta de memórias, não pretende ser uma análise histórica e económica da realidade. São simples apontamentos pessoais que respondem a algumas ideias feitas e que os de sempre considerarão revisionistas e as boas almas como justificadoras da ditadura de partido único e da violação dos direitos humanos. A todos respondo que metam a mão na consciência e aos últimos que não se pode ser tolerante para com Israel e tão crítico para com este regime.
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06/12/2008
Massacres na Bolívia II

Em post publicado a 17 de Setembro fiz referência ao massacre de 30 camponeses que tinha sido praticado na Bolívia. Fazia igualmente referência ao comunicado final da reunião da União das Nações Sul-Americanas (UNASUL), que tinha tido lugar no Chile, chamando a atenção para o seu ponto cinco, onde se dizia: “Nesse contexto, expressa sua mais firme condenação ao massacre que se viveu no departamento de Pando, e respalda o chamado realizado pelo governo boliviano para que uma comissão da UNASUL possa se constituir nesse país irmão para realizar uma investigação imparcial que permita estabelecer e esclarecer a brevidade dessa lamentável acção, e formular recomendações de tal maneira que o mesmo não termine impune”(tradução do espanhol para o português do Brasil).
Nesse mesmo post denunciava o relato perfeitamente parcial e encobridor da realidade levado a efeito pelo enviado especial do Público, Nuno Amaral, e em PS. chamava a atenção para as notícias do Expresso, mais próximas da verdade dos factos.
Já se sabe que ninguém pegou neste assunto, nem as boas as almas que na net estão sempre prontas a denunciar os atropelos aos direitos humanos.
Passado todo este tempo descubro em o Vermelho o relatório final da Comissão Especial da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL), que tinha sido encarregue na reunião daquele grupo de países de investigar o massacre referido. O relatório ou o resumo dele está no site referido, naquela linguagem muito típica dos brasileiros, mas a principal conclusão que se pode retirar, e que é sintetizada pelo Vermelho, é que “o massacre em Pando, em 11 de Setembro, foi organizado por uma rede de comando do governo departamental. Os crimes devem ser tratados como delitos comuns e ser processados na justiça ordinária”.
Ou seja, ao contrário do que durante dias as televisões e o repórter do Público nos andaram a vender, os trinta mortos não resultaram de confrontos entre as autoridades e as populações, mas são o resultado de um massacre perpetrado pela rede de comando do governo departamental. Na sequência desta acção o Governador de Pando foi preso pelo Governo de Evo Morales com grandes protestos da oposição e dos órgãos de comunicação sempre prontos a ver atropelos à democracia, quando o poder legítimo é exercido pela esquerda.
Este é um caso exemplar de esquecimento e desatenção da esquerda europeia, mesmo daquela mais atenta às realidades sul-americanas.
Nesse mesmo post denunciava o relato perfeitamente parcial e encobridor da realidade levado a efeito pelo enviado especial do Público, Nuno Amaral, e em PS. chamava a atenção para as notícias do Expresso, mais próximas da verdade dos factos.
Já se sabe que ninguém pegou neste assunto, nem as boas as almas que na net estão sempre prontas a denunciar os atropelos aos direitos humanos.
Passado todo este tempo descubro em o Vermelho o relatório final da Comissão Especial da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL), que tinha sido encarregue na reunião daquele grupo de países de investigar o massacre referido. O relatório ou o resumo dele está no site referido, naquela linguagem muito típica dos brasileiros, mas a principal conclusão que se pode retirar, e que é sintetizada pelo Vermelho, é que “o massacre em Pando, em 11 de Setembro, foi organizado por uma rede de comando do governo departamental. Os crimes devem ser tratados como delitos comuns e ser processados na justiça ordinária”.
Ou seja, ao contrário do que durante dias as televisões e o repórter do Público nos andaram a vender, os trinta mortos não resultaram de confrontos entre as autoridades e as populações, mas são o resultado de um massacre perpetrado pela rede de comando do governo departamental. Na sequência desta acção o Governador de Pando foi preso pelo Governo de Evo Morales com grandes protestos da oposição e dos órgãos de comunicação sempre prontos a ver atropelos à democracia, quando o poder legítimo é exercido pela esquerda.
Este é um caso exemplar de esquecimento e desatenção da esquerda europeia, mesmo daquela mais atenta às realidades sul-americanas.
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21/09/2008
Andam a acontecer coisas estranhas na bloggosfera

Depois de denúncia de massacres de índios bolivianos pela direita putschista, resolvi fazer um post sobre acontecimentos recentes na bloggosfera.
O Fernando Penim Redondo, do DOTeCOMe…o Blog, tinha chamado a atenção para alguns Enigmas da bloggosfera , contrapondo a uma pequena imagem de um homem a beber, e com legenda Este blog não está agregado, uma pintura clássica de alguém com um copo na mão, onde ele escreveu Este blog não está embriagado (que eu aqui incluo com a devida vénia). Aquela pequena imagem tinha começado a aparecer em alguns blogs.
Respondi lesto que provavelmente este pequeno ícone era a resposta de alguns contestatários a um conjunto de “blogs de política e de cultura escritos por bloggers de esquerda” e que tinham sido agregados, com o nome de Santa Aliança , pelo Arrastão, depois da sua última reestruturação. Uma das suas páginas estava permanentemente a ser actualizado com os post mais recentes dos blogs agregados.
A que o Fernando me respondeu com muita graça se “a tal Santa Aliança é composta por alcoólicos? Ou pelo contrário decretou a lei seca?”
Que eu tivesse percebido, ninguém até agora explicou a razão daquela pequena imagem. O primeiro blog onde a encontrei foi no da Joana Lopes e depois na Natureza do Mal . Como a expressão que utilizam é “agregado”, igual à que é utilizada pela Santa Aliança, pareceu-me que a minha dedução era lógica. Só não explicaram o porquê da garrafa, que eu suponho que é de vinho, daí a pergunta pertinente do Fernando.
Expliquem-se, reconheçam que se sentem marginalizados ou então que não alinham em Blocos, mas como há blogs na Santa Aliança que até são de militantes do PCP e têm escrito alguma prosa pouco meiga sobre o Bloco, espanta-me a convivência. Eu cá por mim nada tenho contra. É a unidade de esquerda!
Mas não foi só isto que motivou a minha estranheza. Ontem, depois de ter sido divulgado a noticia de que Human Rights Watch tinha apresentado um Relatório crítico do regímen de Chavez. A sua apresentação tinha sido feita em Caracas, por um chileno e um americano membros daquela organização e que tinham sido expulsos de imediato da Venezuela. Logo uma série de blogs, dois da tal Santa Aliança, o Arrastão e o Womenage à trois condenaram o sucedido, seguidos muito de perto pelo Terceira Noite , do Rui Bebiano, este acrescentando até o relatório apresentado por aquela organização sobre a CIA. Estranho pois que este post pouco tempo depois tenha desaparecido daquele blog.
Assim, rapidamente tirei três conclusões “maldosas” sobre aquele súbito desaparecimento, ou o Rui Bebiano se tinha convertido nessa noite ao chavismo, ou quis dar realce ao seu texto final sobre a Revolução de Outubro, que eu espero, quando tiver oportunidade, vir a comentar, ou então não se quis misturar com as condenações que já tinham aparecido na Santa Aliança.
Quanto ao conteúdo do relatório e à condenação da atitude de Chavez, não me pronuncio. No entanto, estranho que quando um pouco mais abaixo, na Bolívia, se massacram camponeses, todos se sintam na obrigação de condenar o regímen da Venezuela e nem uma palavra sobre tal massacre. Eu bem tenho afirmado que andamos todos ao serviço da agenda mediática dos media dominantes e não das verdadeiras coisas que interessam à Humanidade. Pensem nisto.
Para terminar e se estiverem interessados em ler uma outra opinião sobre o referido Relatório recomendo este artigo do site Rebelion.
O Fernando Penim Redondo, do DOTeCOMe…o Blog, tinha chamado a atenção para alguns Enigmas da bloggosfera , contrapondo a uma pequena imagem de um homem a beber, e com legenda Este blog não está agregado, uma pintura clássica de alguém com um copo na mão, onde ele escreveu Este blog não está embriagado (que eu aqui incluo com a devida vénia). Aquela pequena imagem tinha começado a aparecer em alguns blogs.
Respondi lesto que provavelmente este pequeno ícone era a resposta de alguns contestatários a um conjunto de “blogs de política e de cultura escritos por bloggers de esquerda” e que tinham sido agregados, com o nome de Santa Aliança , pelo Arrastão, depois da sua última reestruturação. Uma das suas páginas estava permanentemente a ser actualizado com os post mais recentes dos blogs agregados.
A que o Fernando me respondeu com muita graça se “a tal Santa Aliança é composta por alcoólicos? Ou pelo contrário decretou a lei seca?”
Que eu tivesse percebido, ninguém até agora explicou a razão daquela pequena imagem. O primeiro blog onde a encontrei foi no da Joana Lopes e depois na Natureza do Mal . Como a expressão que utilizam é “agregado”, igual à que é utilizada pela Santa Aliança, pareceu-me que a minha dedução era lógica. Só não explicaram o porquê da garrafa, que eu suponho que é de vinho, daí a pergunta pertinente do Fernando.
Expliquem-se, reconheçam que se sentem marginalizados ou então que não alinham em Blocos, mas como há blogs na Santa Aliança que até são de militantes do PCP e têm escrito alguma prosa pouco meiga sobre o Bloco, espanta-me a convivência. Eu cá por mim nada tenho contra. É a unidade de esquerda!
Mas não foi só isto que motivou a minha estranheza. Ontem, depois de ter sido divulgado a noticia de que Human Rights Watch tinha apresentado um Relatório crítico do regímen de Chavez. A sua apresentação tinha sido feita em Caracas, por um chileno e um americano membros daquela organização e que tinham sido expulsos de imediato da Venezuela. Logo uma série de blogs, dois da tal Santa Aliança, o Arrastão e o Womenage à trois condenaram o sucedido, seguidos muito de perto pelo Terceira Noite , do Rui Bebiano, este acrescentando até o relatório apresentado por aquela organização sobre a CIA. Estranho pois que este post pouco tempo depois tenha desaparecido daquele blog.
Assim, rapidamente tirei três conclusões “maldosas” sobre aquele súbito desaparecimento, ou o Rui Bebiano se tinha convertido nessa noite ao chavismo, ou quis dar realce ao seu texto final sobre a Revolução de Outubro, que eu espero, quando tiver oportunidade, vir a comentar, ou então não se quis misturar com as condenações que já tinham aparecido na Santa Aliança.
Quanto ao conteúdo do relatório e à condenação da atitude de Chavez, não me pronuncio. No entanto, estranho que quando um pouco mais abaixo, na Bolívia, se massacram camponeses, todos se sintam na obrigação de condenar o regímen da Venezuela e nem uma palavra sobre tal massacre. Eu bem tenho afirmado que andamos todos ao serviço da agenda mediática dos media dominantes e não das verdadeiras coisas que interessam à Humanidade. Pensem nisto.
Para terminar e se estiverem interessados em ler uma outra opinião sobre o referido Relatório recomendo este artigo do site Rebelion.
PS.: Provavelmente por distracção minha ou porque o pequeno ícone só agora foi introduzido a verdade é que ele também aparece no já referido blog Terceira Noite. Por isso a minha hipótese sobre o Rui Bebiano não se ter querido misturar com a Santa Aliança é capaz de ser a mais verosímil. Até porque depois do seu post sobre a Revolução de Outubro, publicou outro, com grande ironia e muito bem escrito, coisa que é seu apanágio, sobre um e-mail publicitário que lhe chegou à caixa do correio. Leiam, que vale a pena.
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17/09/2008
Genocídio na Bolívia

Tenho seguido com alguma atenção o que se passa na Bolívia. Até ao presente ainda não encontrei qualquer notícia sobre os massacres de camponeses que tiveram lugar na naquele país em nenhum dos blogs dessa Santa Aliança que se formou com bloggers de esquerda e foi organizada pelo Arrastão, nem nos que sobraram, e são muitos, que têm a vocação de passar sempre ao lado, por "distracção", da violação dos direitos humanos perpetrados pela direita.
Como se sabe, e não vou contar a história com todos os pormenores, há alguns Governadores de Departamentos na Bolívia, os mais desenvolvidos, que não aceitam o presidente eleito, Evo Morales. Realizou-se um referendo que reafirmou a sua vitória e agora com resultados muito mais expressivos. Esses Governadores, que, ao que parece, também foram confirmados eleitoralmente no seu cargo, têm vindo a rebelar-se contra o poder central, encetando em alguns casos rebeliões violentas, com claro desrespeito das regras da legalidade democrática. Evo Morales tem tentado dialogar com eles, mas acusou o Governo dos Estados Unidos de os apoiar e fomentar um golpe de estado, expulsando por isso o seu embaixador.
O que dizem as agências internacionais que são a fonte de informação dos nossos media: Bolívia à beira de um golpe de Estado, dado por quem, não se sabe. Desacatos já causaram trinta mortos. O estado de sítio foi decretado numa das províncias. Estaríamos assim num país em revolta, com desordens nas ruas, responsáveis por aquela mortandade.
Perante este cenário, o que é que ontem nos informava o Público pela pena de um enviado especial chamado Nuno Amaral? Que o Governo estaria a negociar com chefes das províncias (departamentos) rebeldes, mas que à revelia dessas negociações o estado de sítio tinha sido proclamado na província de Pando. E o interlocutor do nosso repórter chamava ao Governo “traidores de merda” e dizia que “não se podia acreditar nessa corja”, o Governo claro. E o artigo continuava nestes termos, afirmando que foi naquela província que se registaram os piores confrontos, em que pelo menos 30 pessoas morreram. E o que diz o interlocutor do nosso repórter: “o Governo culpa o governador pelos assassinatos, diz que contratou mercenários brasileiros e peruanos. É mentira, foi o exército que matou essas pessoas” e o o nosso valente repórter continua: “Ao mesmo tempo que demonstrava disponibilidade para negociar com a oposição Morales mandou deter o governador de Pando”. Depois termina com declarações de outro dos revoltosos. “Cortámos estradas e linhas de caminho-de-ferro, invadimos aeroportos e organizações do Estado”. Era necessário, frisa. Urgente. “Só assim desmascaramos os planos desse fantoche (Morales) de Chávez, o fascismo comunista não avançará, nem que isso nos custe a vida”. E o repórter finaliza o texto afirmando “cai-lhe uma lágrima, duas”.
Vai séria a reportagem do Público. Desde quando é que se houve só uma parte, e que parte?
A seguir vem um artigo como título: Presidente chilena quer ir à Bolívia ouvir as duas partes. Referia-se à reunião que se iria realizar no Chile da União dos Países do Sul (UNASUL). Como se verá a seguir não foi essa a principal conclusão da reunião.
Ontem, durante o dia, as televisões já afirmam que o comunicado final desta reunião apoia o Governo constitucional de Evo Morales, não reconhece qualquer situação que implique uma tentativa de golpe civil e reafirma a unidade territorial do país. Contudo não deixaram de acrescentar que esta reunião não tem meios para impedir a realização de um golpe de Estado, como que a transformarem em notícia aquilo que desejariam que acontecesse.
Mas o que há de verdade nestes trinta mortos que são referidos como vítimas da convulsão que se vive a Bolívia. Fui consultar por isso os sites onde poderia recolher informação mais precisa.
Assim, começo pelo comunicado final da reunião da UNASUL, onde é dito no ponto 5: “Nesse contexto, expressa sua mais firme condenação ao massacre que se viveu no departamento de Pando, e respalda o chamado realizado pelo governo boliviano para que uma comissão da UNASUL possa se constituir nesse país irmão para realizar uma investigação imparcial que permita estabelecer e esclarecer a brevidade dessa lamentável acção, e formular recomendações de tal maneira que o mesmo não termine impune”. Estamos pois, ao contrário da voz nada inocente transmitida pelo Público, perante um massacre reconhecido oficialmente pela UNASUL, que quer investigar.
Mas as notícias vão mais longe o Governador do Departamento de Pando foi preso e acusado genocídio na forma de massacre sangrento. Pensa-se que pelo menos foram massacradas 15 pessoas. E em últimas notícias afirma-se mesmo que a UNASUL pode levar chacina boliviana a tribunal internacional, onde já são referidos 30 mortos e 100 desaparecidos.
O Ministro dos Negócios Estrangeiros do Brasil afirma “acusação contra Governador de Pando é "muito séria" e que "não se pode mudar a vontade do povo através de acções violentas".
Termino este conjunto de notícias com estas palavras retiradas de um blog brasileiro: “não devemos ter nenhuma dúvida sobre a gravidade da situação na Bolívia e do que são capazes as suas elites políticas de direita, seja em Santa Cruz, seja em Cobija (capital do Departamento de Pando, JNF) ou em qualquer outra região do país. São racistas e violentas. Optaram pela derrubada do governo e não respeitam nem a lei e nem a Constituição. A comunidade sul-americana tem que dar um recado duro e directo para eles, de que não vão tolerar mais as suas acções violentas e ilegais e nem a tentativa de estrangular a economia boliviana.”
Lembraria que os mortos são camponeses, provavelmente índios e daí igualmente a acusação de racismo a quem empreendeu esta acção.
Depois disto chegamos à conclusão que a imprensa portuguesa de referência vai mal e de que os nossos bloggers são vítimas da sua agenda mediática.
Como se sabe, e não vou contar a história com todos os pormenores, há alguns Governadores de Departamentos na Bolívia, os mais desenvolvidos, que não aceitam o presidente eleito, Evo Morales. Realizou-se um referendo que reafirmou a sua vitória e agora com resultados muito mais expressivos. Esses Governadores, que, ao que parece, também foram confirmados eleitoralmente no seu cargo, têm vindo a rebelar-se contra o poder central, encetando em alguns casos rebeliões violentas, com claro desrespeito das regras da legalidade democrática. Evo Morales tem tentado dialogar com eles, mas acusou o Governo dos Estados Unidos de os apoiar e fomentar um golpe de estado, expulsando por isso o seu embaixador.
O que dizem as agências internacionais que são a fonte de informação dos nossos media: Bolívia à beira de um golpe de Estado, dado por quem, não se sabe. Desacatos já causaram trinta mortos. O estado de sítio foi decretado numa das províncias. Estaríamos assim num país em revolta, com desordens nas ruas, responsáveis por aquela mortandade.
Perante este cenário, o que é que ontem nos informava o Público pela pena de um enviado especial chamado Nuno Amaral? Que o Governo estaria a negociar com chefes das províncias (departamentos) rebeldes, mas que à revelia dessas negociações o estado de sítio tinha sido proclamado na província de Pando. E o interlocutor do nosso repórter chamava ao Governo “traidores de merda” e dizia que “não se podia acreditar nessa corja”, o Governo claro. E o artigo continuava nestes termos, afirmando que foi naquela província que se registaram os piores confrontos, em que pelo menos 30 pessoas morreram. E o que diz o interlocutor do nosso repórter: “o Governo culpa o governador pelos assassinatos, diz que contratou mercenários brasileiros e peruanos. É mentira, foi o exército que matou essas pessoas” e o o nosso valente repórter continua: “Ao mesmo tempo que demonstrava disponibilidade para negociar com a oposição Morales mandou deter o governador de Pando”. Depois termina com declarações de outro dos revoltosos. “Cortámos estradas e linhas de caminho-de-ferro, invadimos aeroportos e organizações do Estado”. Era necessário, frisa. Urgente. “Só assim desmascaramos os planos desse fantoche (Morales) de Chávez, o fascismo comunista não avançará, nem que isso nos custe a vida”. E o repórter finaliza o texto afirmando “cai-lhe uma lágrima, duas”.
Vai séria a reportagem do Público. Desde quando é que se houve só uma parte, e que parte?
A seguir vem um artigo como título: Presidente chilena quer ir à Bolívia ouvir as duas partes. Referia-se à reunião que se iria realizar no Chile da União dos Países do Sul (UNASUL). Como se verá a seguir não foi essa a principal conclusão da reunião.
Ontem, durante o dia, as televisões já afirmam que o comunicado final desta reunião apoia o Governo constitucional de Evo Morales, não reconhece qualquer situação que implique uma tentativa de golpe civil e reafirma a unidade territorial do país. Contudo não deixaram de acrescentar que esta reunião não tem meios para impedir a realização de um golpe de Estado, como que a transformarem em notícia aquilo que desejariam que acontecesse.
Mas o que há de verdade nestes trinta mortos que são referidos como vítimas da convulsão que se vive a Bolívia. Fui consultar por isso os sites onde poderia recolher informação mais precisa.
Assim, começo pelo comunicado final da reunião da UNASUL, onde é dito no ponto 5: “Nesse contexto, expressa sua mais firme condenação ao massacre que se viveu no departamento de Pando, e respalda o chamado realizado pelo governo boliviano para que uma comissão da UNASUL possa se constituir nesse país irmão para realizar uma investigação imparcial que permita estabelecer e esclarecer a brevidade dessa lamentável acção, e formular recomendações de tal maneira que o mesmo não termine impune”. Estamos pois, ao contrário da voz nada inocente transmitida pelo Público, perante um massacre reconhecido oficialmente pela UNASUL, que quer investigar.
Mas as notícias vão mais longe o Governador do Departamento de Pando foi preso e acusado genocídio na forma de massacre sangrento. Pensa-se que pelo menos foram massacradas 15 pessoas. E em últimas notícias afirma-se mesmo que a UNASUL pode levar chacina boliviana a tribunal internacional, onde já são referidos 30 mortos e 100 desaparecidos.
O Ministro dos Negócios Estrangeiros do Brasil afirma “acusação contra Governador de Pando é "muito séria" e que "não se pode mudar a vontade do povo através de acções violentas".
Termino este conjunto de notícias com estas palavras retiradas de um blog brasileiro: “não devemos ter nenhuma dúvida sobre a gravidade da situação na Bolívia e do que são capazes as suas elites políticas de direita, seja em Santa Cruz, seja em Cobija (capital do Departamento de Pando, JNF) ou em qualquer outra região do país. São racistas e violentas. Optaram pela derrubada do governo e não respeitam nem a lei e nem a Constituição. A comunidade sul-americana tem que dar um recado duro e directo para eles, de que não vão tolerar mais as suas acções violentas e ilegais e nem a tentativa de estrangular a economia boliviana.”
Lembraria que os mortos são camponeses, provavelmente índios e daí igualmente a acusação de racismo a quem empreendeu esta acção.
Depois disto chegamos à conclusão que a imprensa portuguesa de referência vai mal e de que os nossos bloggers são vítimas da sua agenda mediática.
PS.: esta notícia foi redigida ontem dia 16. Hoje o Publico reincide e de que maneira pela pena do seu enviado especial Nuno Amaral. Mas, não são só os jornalistas, Rui Ramos em artigo de opinião no mesmo jornal pergunta a dada altura: “Estará a Bolívia já ”libertada”, daquela parte do povo que não é “povo”, porque não partilha as opiniões do Presidente?”, mistificando demagogicamente os acontecimentos e brincando com assuntos sérios.
PS (20/09/08).:Quando eu pensava que o massacre, para que tinha modestamente chamado a atenção, tinha caído no esquecimento entre os media, não é que o Expresso de hoje, com chamada na primeira página, não noticia Bolívia: a verdade sobre o massacre de Cobija. Depois, no interior, mais comedido, fala só de O massacre de Cobija. É evidente que não esclarece grande coisa sobre a quem atribui-lo, mas alerta para um problema para o qual o Público, depois de ter enviado de propósito um jornalista àquele país, vinha engonhando à quase uma semana. Nas páginas que aquele semanário dedica à situação na Bolívia um outro título chama igualmente a atenção Todos juntos… contra os EUA. Retira-se do artigo a conclusão, que eu também já tinha tirado, de que o comunicado final da UNASUL era bastante favorável a Evo Morales. Só o Público, pela pena seu enviado, continuava a não perceber isso.
É evidente, como leitor diário do Público, exijo outro comportamento do meu jornal. Não sei o que os outros jornais disseram, a televisão vinha muito na linha do Público. Ou seja, tentou-se desinformar até ao fim. O Expresso, contra a corrente, decidiu-se pela completa cobertura dos acontecimentos, dentro é evidente da análise preconceituosa e de direita de Miguel Monjardino, que assina a coluna de opinião sobre o conjunto de notícias que aquele semanário dedica à Bolívia
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17/07/2008
Ainda o caso de Ingrid Betancourt e das FARC

Nos últimos dias tenho vivido um “grande” drama político. De repente dei-me conta que me encontrava politicamente isolado frente ao combate que, por interposta força guerrilheira, as FARC, se está a travar entre uma esquerda, que eu chamaria “bem pensante”, e os conhecidos “cavernícolas” do PCP.
O caso começou nalguns blogs de consulta diária, passou pelos media e continua em ondas de choque a merecer comentários aqui e acolá. Quase que poderia dizer que é hoje a pedra de toque que separa a esquerda não PCP daquele Partido. Por esse motivo, uma posição como a que expressei aqui é incómoda e acarreta-me necessariamente muitas incompreensões e críticas, valha-me o meu camarada Saboteur, que no Spetrum, fez um elogio à minha intervenção.
Afirmava nesse post que não tinha informação suficiente para me poder pronunciar com inteireza sobre o que eram as FARC e os seus métodos de actuação, nem conhecia em pormenor a Colômbia e o seu Governo para sobre eles traçar uma opinião definitiva, como os comentadores da blogosfera gostam de fazer.
Fui recolher material, abri mesmo um ficheiro dedicado ao assunto. Pode ser que com tempo e vagar comente o que se tem dito na blogosfera.
No entanto, não gostaria desde já de passar em claro dois casos que me parecem paradigmáticos das posições simplistas e acríticas, que resultam de uma opção por tudo ou nada, em que o meio-termo ou uma análise mais rigorosa é deixada ao abandono.
O primeiro refere-se a um post que Daniel de Oliveira colocou no seu site, “Pode alguém ser livre se outro alguém não é?”, em que considera que tanto é crime capturar alguém e levá-lo para Guantánamo, como faz o Governo dos Estado Unidos, como ter raptado Ingrid Betancourt e conservá-la prisioneira durante anos, como fizeram as FARC. Por isso considera que não se pode pedir que o Governo português interdite os voos para Guantánamo, como o fez o Grupo Parlamentar do PCP, e a seguir defender a não criminalização das FARC por terem raptado pessoas que não estão directamente envolvidas na luta que se trava na Colômbia, como disse Jerónimo de Sousa, em declarações citadas aqui.
Daniel de Oliveira esquece que as consequências dos dois actos são completamente diferentes. Enquanto Bush pode passear pelo mundo, indo até uma cimeira do G8 onde, segundo a imprensa, se comeu trufas e caviar, e ninguém, exceptuando meia dúzia de manifestantes enraivecidos, facilmente afastados pela polícia, lhe chama criminoso ou o prende. Já um dirigente das FARC se sair da selva corre o risco de ser morto, como recentemente ocorreu aos dirigentes daquela organização que estavam em solo equatoriano, e a organização a que pertencem é classificada pelo “mundo ocidental” como terrorista, com as consequências que isso acarreta, quer para ela quer para todos aqueles que em qualquer lado lhe manifestem alguma solidariedade. Como se vê pelo que digo o crime não acarreta para todos as mesmas consequências. Ou seja, o crime pode ser o mesmo, como diz Daniel de Oliveira, simplesmente há uns que são mais criminosos do que outros. Isto devia levar a pensar os nossos apressados comentadores.
O segundo caso prende-se com o estado de saúde de Ingrid Betancourt. João Tunes no seu blog, depois de alguns considerandos que eu me abstenho de comentar, para não azedar um conhecimento que foi estabelecido ainda nos tempos “heróicos” do ABC Cine-Clube de Lisboa, fala de “aqueles cínicos que acharam que ela “até vinha em bom estado” e longe da prostração comatosa que lhe competiria como sequestrada”. Vítor Dias no seu blog comenta, com ironia, depois de mostrar uma fotografia de Ingrid toda airosa na Festa do 14 de Julho, em França, que não irá falar da sua saúde.
Quanto a mim, que fico satisfeito por a senhora estar de boa saúde, acho no entanto que não se pode deixar passar em claro a campanha mediática que foi desencadeada a propósito do estado de saúde de Ingrid. Dizia-se que estava bastante doente e que a sua vida estava em perigo. Ou seja, estivemos perante um caso claro de manipulação da opinião pública, coisa que pelos vistos não ofendeu muito os nossos comentaristas de serviço.
Em qualquer dos casos, parecem-me dois exemplos em que se olha muito para a árvore e pouco para a floresta.
O caso começou nalguns blogs de consulta diária, passou pelos media e continua em ondas de choque a merecer comentários aqui e acolá. Quase que poderia dizer que é hoje a pedra de toque que separa a esquerda não PCP daquele Partido. Por esse motivo, uma posição como a que expressei aqui é incómoda e acarreta-me necessariamente muitas incompreensões e críticas, valha-me o meu camarada Saboteur, que no Spetrum, fez um elogio à minha intervenção.
Afirmava nesse post que não tinha informação suficiente para me poder pronunciar com inteireza sobre o que eram as FARC e os seus métodos de actuação, nem conhecia em pormenor a Colômbia e o seu Governo para sobre eles traçar uma opinião definitiva, como os comentadores da blogosfera gostam de fazer.
Fui recolher material, abri mesmo um ficheiro dedicado ao assunto. Pode ser que com tempo e vagar comente o que se tem dito na blogosfera.
No entanto, não gostaria desde já de passar em claro dois casos que me parecem paradigmáticos das posições simplistas e acríticas, que resultam de uma opção por tudo ou nada, em que o meio-termo ou uma análise mais rigorosa é deixada ao abandono.
O primeiro refere-se a um post que Daniel de Oliveira colocou no seu site, “Pode alguém ser livre se outro alguém não é?”, em que considera que tanto é crime capturar alguém e levá-lo para Guantánamo, como faz o Governo dos Estado Unidos, como ter raptado Ingrid Betancourt e conservá-la prisioneira durante anos, como fizeram as FARC. Por isso considera que não se pode pedir que o Governo português interdite os voos para Guantánamo, como o fez o Grupo Parlamentar do PCP, e a seguir defender a não criminalização das FARC por terem raptado pessoas que não estão directamente envolvidas na luta que se trava na Colômbia, como disse Jerónimo de Sousa, em declarações citadas aqui.
Daniel de Oliveira esquece que as consequências dos dois actos são completamente diferentes. Enquanto Bush pode passear pelo mundo, indo até uma cimeira do G8 onde, segundo a imprensa, se comeu trufas e caviar, e ninguém, exceptuando meia dúzia de manifestantes enraivecidos, facilmente afastados pela polícia, lhe chama criminoso ou o prende. Já um dirigente das FARC se sair da selva corre o risco de ser morto, como recentemente ocorreu aos dirigentes daquela organização que estavam em solo equatoriano, e a organização a que pertencem é classificada pelo “mundo ocidental” como terrorista, com as consequências que isso acarreta, quer para ela quer para todos aqueles que em qualquer lado lhe manifestem alguma solidariedade. Como se vê pelo que digo o crime não acarreta para todos as mesmas consequências. Ou seja, o crime pode ser o mesmo, como diz Daniel de Oliveira, simplesmente há uns que são mais criminosos do que outros. Isto devia levar a pensar os nossos apressados comentadores.
O segundo caso prende-se com o estado de saúde de Ingrid Betancourt. João Tunes no seu blog, depois de alguns considerandos que eu me abstenho de comentar, para não azedar um conhecimento que foi estabelecido ainda nos tempos “heróicos” do ABC Cine-Clube de Lisboa, fala de “aqueles cínicos que acharam que ela “até vinha em bom estado” e longe da prostração comatosa que lhe competiria como sequestrada”. Vítor Dias no seu blog comenta, com ironia, depois de mostrar uma fotografia de Ingrid toda airosa na Festa do 14 de Julho, em França, que não irá falar da sua saúde.
Quanto a mim, que fico satisfeito por a senhora estar de boa saúde, acho no entanto que não se pode deixar passar em claro a campanha mediática que foi desencadeada a propósito do estado de saúde de Ingrid. Dizia-se que estava bastante doente e que a sua vida estava em perigo. Ou seja, estivemos perante um caso claro de manipulação da opinião pública, coisa que pelos vistos não ofendeu muito os nossos comentaristas de serviço.
Em qualquer dos casos, parecem-me dois exemplos em que se olha muito para a árvore e pouco para a floresta.
PS.: Já depois deste post estar publicado Fernando Penim Redondo queixava-se aqui do fanatismo que atravessava a rede por pessoas com posições ditas liberais. Citava o caso de João Tunes a propósito da China, que eu me abstenho de comentar pelas razões já expostas em cima, e de um blog, com um nome um bocado esdrúxulo, como o meu, que o critica pela sua posição quanto à saúde de Ingrid Betancourt. Neste caso, tal como o de João Tunes, os comentadores não se indignaram com todos aqueles que deliberadamente manipularam a opinião pública, mas sim com os que ficaram espantados por ver a senhora de boa saúde.
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E eles disseram qualquer coisa de esquerda!

Ouvi a entrevista que Mário Soares fez a Lula da Silva, o Presidente do Brasil. Para além desse tratamento familiar que é, mesmo chamando-lhe doutor, Lula tratar o Mário Soares por Dr. Mário, facto hoje cada vez mais normal nas relações entre portugueses, tivemos na televisão pública um banho de clareza, a anos de luz destes nossos políticos enviesados, sempre prontos a falar da esquerda moderna, mas a defenderem de facto as políticas de direita e sempre de chapéu na mão para o amigo americano.
Disse-se de facto qualquer coisa de esquerda. Falou-se de Chavez e de Fidel com aquela normalidade e respeito que se devem a importantes chefes de Estado, que em qualquer dos casos empreenderam a luta pela melhoria do destino dos seus povos. Como nos parecem pequenos certos comentaristas, nas suas raivazinhas contra a esquerda no poder na América Latina, sempre a pregarem moral perante a obra daqueles dois políticos.
Valeu a pela ouvir a entrevista ao Lula. Foi um banho de esperança e de lucidez.
Disse-se de facto qualquer coisa de esquerda. Falou-se de Chavez e de Fidel com aquela normalidade e respeito que se devem a importantes chefes de Estado, que em qualquer dos casos empreenderam a luta pela melhoria do destino dos seus povos. Como nos parecem pequenos certos comentaristas, nas suas raivazinhas contra a esquerda no poder na América Latina, sempre a pregarem moral perante a obra daqueles dois políticos.
Valeu a pela ouvir a entrevista ao Lula. Foi um banho de esperança e de lucidez.
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