22/09/2009

O aprendiz de feiticeiro


Em post anterior já tinha feito referência às alegadas escutas de S. Bento a Bélem. E tinha focado a minha intervenção no jornalista do Público, que protagonizou o envio do e-mail ao correspondente na Madeira daquele jornal.
Vozes amigas vieram-me dizer que o senhor até era boa pessoa e não era de direita. De facto, como afirmei no meu artigo, não o conheço de parte nenhuma, o que relacionei foi uma notícia antiga, que era trapalhona, e o seu envolvimento no envio de um e-mail que me deixou perplexo.
Sobre a tal notícia já tudo foi dito na altura, sobre o e-mail, apesar de muitos acharem que o que lá se escreve é o pão nosso de cada dia nos media, acho que um cidadão tem ainda o direito de se indignar quando percebe que querem fazer dele parvo, ou seja, que querem manipular a informação que lhe fornecem. Acho que devemos sempre denunciar, e não admitir como normal, situações deste tipo.

Passados estes dias, e depois da estupefacção, vem a apreciação crítica. Reconheço que Bélem, ou seja o nosso Presidente da República, é um aprendiz de feiticeiro perante um Governo que actua com um profissionalismo indiscutível quando se trata de deitar abaixo o adversário.
Bélem comportou-se com um tal amadorismo, que roça a indigência. Não soube “colocar” uma notícia devidamente na imprensa e não protegeu as suas fontes. Permitiu que o Governo, por intermédio seja de quem for, fosse capaz, de em dois tempos, arrumar de uma penada as tentativas incapazes de Cavaco Silva para influenciar a campanha eleitoral e encalacrar José Sócrates. Andou uma pobre candidata a falar de asfixia democrática, a defender o Jornal de Sexta, da TVI, e o director do Público, das escutas que estava a ser vítima, e quem foi ao ar, sem grande indignação pública, foi a Manuela Moura Guedes, e um jornal respeitável, considerado de referência, caiu no mais completo lodaçal e o seu director a ser provavelmente despedido com justa causa.
Triste história, que revela um Presidente pouco escrupuloso e um Governo que, com profissionalismo, vai destruindo, com notícias estrategicamente colocadas na imprensa, os seus principais inimigos. Veja-se este caso em relação a Cavaco, a compra de votos no PSD e a primeira página do Expresso, com os PPR de Louçã. Quem tem uma boa agência de comunicação e coordena todos os serviços secretos não permite que os outros brinquem em serviço.