25/11/2008

Ainda o Congresso sobre Marx e os engulhos da direita


Nunca uma iniciativa cultural da esquerda, principalmente daquela que está próxima do Bloco de Esquerda, mas poder-se-ia referir as intermináveis conferências do PCP sobre as realidades económicas, sociais, culturais, etc., tinha merecido uma resposta tão pronta e acirrada da direita. Não a direita dos blogs, mas aquela que os jornais ditos “sérios” abrigam nas suas páginas
Comecei um post anterior com a citação de um artigo de Vasco Pulido Valente (VPV), que este publicou no Público, ainda o Congresso sobre Marx estava a decorrer. O tom estava dado. A direita sentia-se como que arrepiada por alguém vir revisitar Karl Marx e alinhavou então uma série de chavões e velhos preconceitos contra aqueles que nos nossos dias em ainda se consideram marxistas ou inspirados em Marx.
Uma semana depois Bruno Peixe e José Neves, membros da Comissão Organizadora do Congresso, respondem-lhe no Público e de forma lapidar consideram que o seu artigo “é simplesmente sinal da sua actual incompetência e desqualificação intelectual”. Eu não diria melhor. E mais, considero que ao desqualificar o artigo de VPV contribuem para desmascarar um dos fenómenos mais aberrantes que se tem imposto na imprensa de referência, que é o de aceitar-se como boas as opiniões de gente que produz, para gáudio de alguns, as maiores boçalidades sobre a realidade presente.
Mas não se ficou por aqui a ofensiva da direita. Henrique Raposo, no Expresso, passa também ao ataque com um artigo com um título sugestivo, "Striptease" marxista. A prosa é pior do que a de VPV, aqui já passa ao ataque pessoal, “ao professor doutor a agir como uma beata de aldeia”, que dá “um espectáculo que apela à piedade”. Para este douto comentador “a beata reza aos seus santinhos” e “o beato vermelho faz colóquios sobre a actualidade de Marx”. E depois não resiste à denúncia “o muro não caiu nas universidades portuguesas. Os marxistas portugueses que defendiam a URSS e outros regimes similares permanecem nos departamentos de humanidades, e continuam a fabricar mentiras”.
Para alguém como eu que já viveu muitos anos e conheceu esta senha pidesca de denunciar aqueles que nas universidades espalhavam a subversão contra o regime fascista – veja-se a prosa do Diário da Manhã, de A Voz ou do Novidades – isto não é novo, é a boçalidade daqueles miseráveis tempos a vir novamente ao de cima. Se hoje algum dos presentes no Congresso sobre Karl Marx propusesse o saneamento por reaccionarismo militante do Sr. Rui Ramos, um dos pais espirituais desta gente, vinha o mundo a baixo que estavam novamente a ressuscitar os saneamentos selvagens. Mas quando estes comentadores, sem qualquer pudor, denunciam os professores doutores, que ainda ensinam na universidade, e que no seu comportamento cívico têm opiniões que se podem considerar marxistas, e organizam um Congresso com a finalidade de as discutir, são logo apontados ao opróbrio público como incapazes e mentirosos para ensinar os nossos adolescentes.
Mas mais, eu que normalmente não frequento os blogs de direita, fui encontrar deste mesmo senhor esta bonita prosa, no Atlântico, num post denominado A vergonha marxista nas escolas, onde se dizia “Os manuais de História do nosso ensino são uma vergonha. Não são manuais escolares: são cartilhas ideológicas feitas por “professores” que devem acumular funções no ministério da educação e no PCP/BE.” Prosa esta que vem na linha do que outra sirigaita, que também anda metida com este blog, chamada Helena Matos, costuma escrever no Público.
O que mais me indigna é que estas coisas sejam ditas por gente que é aceite normalmente como tendo opiniões discordantes das nossas, quando no fundo o seu comportamento visa, no mínimo, inibir a expressão daqueles que se reclamam do marxismo ou da esquerda, ou então para sua glória expulsá-los das Universidades, das escolas, dos manuais, de todos os locais onde ainda possam influenciar a juventude.
Por último não podia faltar o senhor Pacheco Pereira, mais comedido. Depois de um longo artigo, em que repete aquilo que ele já fez muito bem, quando foi da crise da Ponte 25 de Abril, a propósito de alguém que se tinha que levantar cedo para atravessar a Ponte e vir trabalhar em Lisboa, lá vem a ferroada sobre o Congresso de Marx. Diz então o Sr. Pacheco Pereira na sua última crónica no Público: “Os tempos estão difíceis, mas os que nos vêm outra vez com o Marx deles, e com o Estado e com o "diálogo", estão-nos a vender produtos tão tóxicos como o subprime. Parece uma Alemanha de Weimar cansada e ainda mais triste.” Aqui insinua-se que quem vende Marx neste momento está a vender um produto tóxico e contribui provavelmente para que Portugal atravesse tempos semelhantes aos da República de Weimar, que favoreceu a ascensão do nazismo. Esquece o Sr. Pacheco Pereira que o nazismo foi uma forma do capitalismo sair da crise que se vivia desde 29, e que hoje não é com receitas iguais, que essas conduzirão inevitavelmente a uma saída direita, que se poderá ultrapassar esta crise que os seus amigos do outro lado do Atlântico lançaram o Mundo.
O fantasma de Marx continua ainda a percorrer a Europa.

8 comentários:

JMC disse...

Jorge.

No meio da sua indignação em relação às referências de comentadores de direita ao recente Congresso Karl Marx, permita-me lançar-lhe um pequeno repto.

Se por esquerda política se entender a defesa dos interesses económicos, políticos e sociais dos trabalhadores assalariados, apenas os marxistas, os marxistas-leninistas e os trotskistas podem ser designados como sendo de esquerda? Onde situaria os social-democratas oriundos do reformismo trabalhista ou aqueles puramente desalinhados de quaisquer correntes partidárias existentes?

Os comentadores que citou, e muitos outros, pouco conhecem da obra do Marx. As suas críticas repetem os velhos estereótipos sobre a falácia da velha profecia messiânica classista do Manifesto Comunista, e pouco mais. Apesar da boçalidade de algumas críticas, os críticos têm a seu favor a História, que confirmou a inviabilidade dos regimes totalitários que levaram à prática aquela profecia messiânica, depois de terem trazido para a modernidade sociedades atrasadas. Que argumentos têm a favor daquela profecia os adeptos a não ser a crença, pela fé, no mais descabelado idealismo?

Como adepto marxista, você leu, e eventualmente estudou, a obra do Marx. Certamente conseguiu distinguir textos da sua juventude de outros da maturidade, textos de conjuntura e de combate político, panfletos, da obra de fundo do Marx, O Capital. Qual a parte da obra do Marx a que atribui valor político ou, mesmo, científico? Fora da narrativa, nem sempre actualizada, da sociedade inglesa da época, e das múltiplas contribuições de outros autores que o Marx adoptou e sintetizou, que hoje lhe são erradamente atribuídas, qual a originalidade que atribui ao Marx para a explicação do funcionamento do modo de produção capitalista?

A discussão destas questões pode parecer indigesta, mas parece-me ser uma boa alternativa à entretenha com a miséria da política caseira.

JMC.

Eduardo Lapa disse...

Caro JMC,
Essa de profecias messianicas era com o Bandarra, sapateiro de Trancoso, ou vá lá, com o Padre António Vieira, figura que muito prezo, e de que se assinalam agora os 400 anos do nascimento.
Que Marx tenha sido lido assim, e muitas vezes até com a melhor das intenções, azar o dele, azar o nosso.

Acha que dizer que todo o corpo mergulhado num liquido..., é uma profecia? Messianica?
Acha que a citação de Marx que está aqui Marx está na moda? é, ou alguma vez pretendeu ser, uma profecia?

E quanto a intervenção politica, anti-capitalista, lá terá que ser com a miséria da politica caseira, a piolheira como dizia o Senhor Dom Carlos. A realidade nem sempre está à altura dos melhores padrões. Esta é a melhor realidade que temos. Não a realidade a que estamos inevitavelmente condenados. Não a realidade que merecemos e que podemos lutar para alcançar.

JMC disse...

Eduardo Lapa.

Leu de viés o que escrevi. Recordo apenas a primeira parte do parágrafo onde refiro a profecia messiânica do Marx: “Os comentadores que citou, e muitos outros, pouco conhecem da obra do Marx. As suas críticas repetem os velhos estereótipos sobre a falácia da velha profecia messiânica classista do Manifesto Comunista e pouco mais”. Certamente compreende o significado da expressão “profecia messiânica classista”.

A citação do Marx, para que remete, essa é que parece ser tida, hoje, pelos marxistas, como uma profecia, quando, afinal, não passa duma simples constatação, e muito pouco original. As crises cíclicas do capitalismo são um dado… cuja história acompanha o desenvolvimento do próprio capitalismo, tendo já dois séculos quando o Marx escrevia sobre elas. A extrapolação para crises futuras e muito mais gravosas, acompanhando esse desenvolvimento, não me parece de grande originalidade previsional. Parece, até, que os marxistas modernos desconhecem a história do próprio modo de produção que pretendem criticar e… substituir.

Acho interessante que os marxistas não se entendam quanto às eventuais formas da decadência e da superação do capitalismo como modo de produção dominante, e continuem, como expressa, apostados na “intervenção política, anti-capitalista”. Julguei que o Marx maduro, científico, tinha outra concepção quanto à superação do capitalismo, ainda que no fundamental errada, como muitas suas outras concepções. Mas constato que certos marxistas continuam julgando que o capitalismo é superado pela luta política “anti-capitalista”. Para substituir um capitalismo individual concorrencial por um capitalismo de estado monopolista? Existe, ou existiu, por acaso, qualquer outro modo de produção que tenha abolido o salariato, concorrendo com o capitalismo?

JMC.

xatoo disse...

obviamente "os social-democratas oriundos do reformismo trabalhista" incluem-se na pequena burguesia
nada mudou, houve foi uma deslocalização das relações de produção que proletariza países pobres, "desenvolvendo-os", segundo a concepção capitalista. Não vai durar para sempre; conforme aliás Marx também previu nas suas concepções (nada idealistas) sobre Materialismo e Natureza. (o Homem agindo no seio da Natureza como sua parte integrante, e não obedecendo a designios exteriores que só o Henrique Raposo e tutti quanti é que vêem)
É neste campo que a luta anti- capitalista se produz actualmente

ps
JNF, o Vitor Dias reagiu de mau humor a um post que fiz sobre a Raquel Varela (mas não só sobre isso, também sobre o papel do PCP no PREC). Gostava de saber a sua opinião; se eu estiver errado, não hesite em dar-me na cabeça.
cumprimentos

Jorge Nascimento Fernandes disse...

Caros comentadores

Já reparei que cada um de vós tem um blog onde escrevem as coisas que vos interessam. Por isso, se me permitem, eu escreverei sobre aquilo que me preocupa de momento. Não se zanguem pois se não vos responder ponto por ponto às vossas interrogações.
Começando por JMC, das Aparências do Real, sinto-me muito pouco motivado a responder a alguém que no seu blog escreve de entrada “este é um sítio onde se procede à crítica do marxismo e da profecia comunista”. Provavelmente nunca nos iríamos entender porque considerar a hipótese de se alcançar uma sociedade comunista não é uma profecia, é um objectivo porque lutam os comunistas, mesmo que ele seja bastante longínquo.
Há uns anos atrás, quando procedi a uma tentativa de formulação do que na altura pensava sobre o posicionamento do PCP e do movimento comunista, escrevi um artigo, que à falta de melhor, porque ainda não organizei um blog paralelo onde juntasse todos os meus textos, incluí no DOTeCOMe – Textos/Documentos, Junho de 2002, “Algumas Reflexões Sobre a Necessidade de Renovação do PCP” http://www.dotecome.com/Saltos/textos.htm. Abordo aí alguns problemas que levanta nas suas interrogações. Se tiver paciência e curiosidade aconselho a sua leitura.
Quanto a Eduardo Lapa, do blog a Presença das Formigas, que já me deixou alguns comentários, estou no essencial de acordo como que diz e na resposta que dá ao comentador anterior.
Quanto ao Xatoo, do blog do mesmo nome, começaria por discordar de si ao afirmar que "os social-democratas oriundos do reformismo trabalhista" incluem-se na pequena burguesia”. Esta é uma discussão antiga, que hoje deixa de ter grande sentido, dado que presentemente as classes sociais não se confinam às nossas classificações passadistas. Mas o tema historicamente ainda tem algum sentido, e a derrota da revolução no pós I Guerra Mundial não foi porque a social-democracia fosse pequeno-burguesa, mas porque a maioria da classe operária era influenciada e defendia a social-democracia.
Quanto à sua polémica com o Victor Dias abstenho-me de comentar, mas parece-me que a sua visão anda pelos padrões da Raquel Varela. Sobre esse assunto volto a insistir no meu post publicado aqui, mas também na Renovação Comunista: “O PCP, a Revolução Democrática e Nacional e o rumo ao socialismo – Algumas contribuições para a caracterização do 25 de Abril” http://www.comunistas.info/?no=7000;ano=2008;mes=6;i=372 . Se tiver paciência e interesse recomendo a sua leitura, que como compreenderá é totalmente diferente da sua. Foi o mesmo que recomendei ao Victor Dias em comentário que lhe deixei.

JMC disse...

Jorge.

Obrigado pela lembrança. Pela minha parte, fiquei esclarecido.

Isto de ser ateu e de não lutar pelo paraíso tem os seus custos. O menor deles é ir parar ao inferno.

Cumprimentos.

JMC.

Jorge Nascimento Fernandes disse...

Caro JMC
Não se amofine. Simplesmente fiquei com a ideia que aquilo que você me pedia era um tratado sobre Marx.
Depois um pouco em resposta à sua repetida referência à profecia messiânica eu, que me repelo com este tipo de acusações, que já não são novas, remeti-o para um texto meu onde, entre outras coisas, defendo que o aparecimento de uma nova sociedade, a sociedade socialista, não resulta inevitavelmente desta, mas da acção continuada, e dentro dos limites impostos pela concreta realidade social, daquilo que eu agora poderia chamar o bloco histórico do progresso.
A crítica do passado é importante e eu não me tenho eximido de a fazer, mas não podemos ficar paralisados por ela.
Por último, se reparou, em resposta a alguém, um xatoo, que associava o reformismo ou a social-democracia à pequena.burguesia, eu afirmei que o operariado da Europa ocidental tinha sido fortemente influenciado por ela, e que isso era um facto insofismável. Hoje a realidade é mais complexa, as classes sociais também, mas a influencia social-democrata não deixa de existir e é com ela que se tem que contar, apesar de no nosso país a situação ser bem diferente. O PS não é herdeiro de qualquer tradição social-democrata, que nunca existiu na nossa classe operária, mas sim do velho republicanismo, jacobino e maçónico, hoje muito transformado noutra coisa um bocado diferente.
Por outro lado, agradeço-lhe as referências e a crítica que faz ao meu artigo sobre o PCP. Mas como já disse logo no meu primeiro comentário, nem sempre me sinto obrigado a seguir a agenda daqueles que gostariam de discutir os temas que propõem, eu sem pretender ser pedante, só escrevo sobre aquilo que me apetece e que considero em determinado momento importante.
Um abraço, sem ressentimento.

JMC disse...

Jorge.

Esteja descansado. Não fiquei amofinado. Era o que mais faltava, vir aqui lançar-lhe um pequeno repto e pretender que você se dispusesse a responder. Compreendo muito bem que escreva apenas sobre o que lhe apetece.

É facto que não esperava que você se sentisse “muito pouco motivado a responder a alguém que no seu blog escreve de entrada “este é um sítio onde se procede à crítica do marxismo e da profecia comunista””. Julguei que a discussão com quem já não é marxista e refuta as concepções do Marx demonstrando a sua falsidade pudesse ser coisa estimulante. Mas aceito com naturalidade que não pense assim. Crer, pela fé, numa qualquer profecia messiânica sempre foi mais confortável do que usar a razão para conhecer a realidade.

Motiva-me a procura de argumentos contrários, que apontem eventuais falhas das minhas críticas às concepções do Marx. Daí que por vezes tente puxar a discussão para esses assuntos, mas não tenho sido bem sucedido. Constato que os marxistas e os marxistas-leninistas não estão para aí virados e parece não se preocuparem com a fundamentação das concepções que defendem. Aceitam a argumentação duma autoridade, o seu mestre, e isso basta-lhes. Não me parece uma postura aceitável por parte de quem tem formação científica, como julgo ser o seu caso, mas é o que acontece.

“Provavelmente nunca nos iríamos entender, porque considerar a hipótese de se alcançar uma sociedade comunista não é uma profecia, é um objectivo porque lutam os comunistas, mesmo que ele seja bastante longínquo”. Qualquer pessoa pode considerar qualquer hipótese sobre qualquer coisa. Considerar como hipótese uma perspectiva de futuro que nos seja agradável, porque justa, é confortável. Desse tipo é também a certeza do paraíso proposta por muitas religiões como hipótese de dádiva para aqueles que se esforcem, que lutem por alcançá-lo fazendo o bem. Mas uma previsão sem qualquer fundamento não pode deixar de ser apelidada de profecia.

Desejar uma sociedade comunista, ainda por cima como resultado duma revolução proletária, quer você queira ou não, constitui um puro idealismo, longe, muito longe das concepções materialistas que o próprio Marx adoptou em relação a outras questões. O socialismo ou o comunismo idealizados pelo marxismo, na melhor das formas, deveriam ser muito monótonos; o socialismo e o comunismo praticados, para além de monótonos, por uniformizadores, foram castradores das liberdades. E não poderia ser de outro modo. Porque se aquilo era o bem, pensar de forma diferente só poderia ser conotado com o mal. Não existe qualquer hipótese de o comunismo providenciar a liberdade de pensar e de existir de modo diverso ao do pensamento dominante, que por isso se transforma em pensamento único.

Apesar da euforia que por aí vai acerca duma hipotética validade do marxismo, que esta crise do capitalismo estaria colocando na ordem do dia, o que a realidade vai mostrando, por um lado, é que os marxistas conhecem pouco da história do capitalismo e das formas e dos efeitos das suas crises cíclicas, e, por outro, que conhecem pouco, muito pouco, da obra do Marx. Porque se conhecessem algo constatariam que as concepções do Marx acerca das causas da revolução social, em geral, assim como acerca do determinismo da revolução proletária e do comunismo que ela implantaria, são erradas; e que as suas concepções acerca do funcionamento, da decadência e da superação do modo de produção capitalista são na sua maioria falsas.

Não é a ilusória representação que os ideólogos burgueses têm da realidade económico-social que confere qualquer validade às concepções do Marx. O nosso vizinho pensar erradamente não confere validade ao nosso pensamento. Um argumento é válido se a conclusão decorre das premissas; a conclusão é verdadeira se as premissas são plausíveis. Argumentação sólida, baseada em inferências válidas e em conclusões plausíveis, e não a autoridade, o prestígio ou a fama do argumentador é o que confere valor ao nosso pensamento e pode fortalecer justificadamente as nossas crenças. Infelizmente, os marxistas não pretendem sair da apologia do seu mestre, repetindo à exaustão os seus erros e falsidades, e não ousam questionar as suas concepções submetendo-as à crítica.

Não me surpreende que você se sinta constrangido com o aviso que coloquei no meu blog acerca da sua orientação para a crítica do marxismo e da profecia comunista. Acontece com muita gente, e muita outra não se coíbe de expressar, pelo insulto, a raiva que isso lhe provoca. Presumo, pela sua formação de cariz científico, que o tempo e algumas suas reflexões lhe permitirão mudar de ideias. Mas, se assim não acontecer, também não virá daí qualquer mal ao mundo. Concordamos em algumas apreciações sobre outras questões que não a explicação duma parte da realidade social, os credos partidários ou a acção política, e isso, nos tempos que correm, já não é pouco.

Cumprimentos.

JMC.