
Toda esta prosa tem unicamente a finalidade de vos garantir por experiências vividas por mim o que tem sido o apagão analógico na região de Lisboa, pior com certeza será no Algarve serrano, como os jornais já têm noticiado.
Para todos aqueles que têm televisão paga e mais uma série de serviços a ela acoplados é difícil perceber o que esta passagem para o digital custou às pessoas de menores recursos económicos. Porque não foi só o gasto com o descodificador, foi quase sempre a necessidade de orientar de novo as antenas ou fazer uma nova sintonização, isto para não falar dos casos do interior do país onde a transferência do analógico para o digital deixou as famílias sem televisão, obrigando-as a montar uma antena parabólica.
Os telespectadores mais afectados foram os mais desfavorecidos, principalmente os idosos, porque eram aqueles que viam a televisão tradicional e têm dificuldade de em poucos dias despender as importâncias que são exigidas pela mudança de sinal. E mais, são aqueles que dificilmente compreenderão o que tecnicamente se está a passar e poderem rapidamente arranjar as melhores soluções para os problemas que são levantados pelo apagão. Mesmo o recurso ao apoio aos mais necessitados, tão propagandeado, deve exigir uma burocracia imensa e não cobre todas as despesas.
Já agora, queria recordar que não há muito tempo se deu a transferência para o gás da cidade, quem pagou os seus custos foi a companhia responsável por essa mudança. Ainda ganhei um fogão novo. Mas, recordo-me, que na minha infância, quando se passou da rede de 110 V para a rede de 220 V, foi a companhia de electricidade que igualmente aguentou com os custos. É evidente que em qualquer destes casos as companhias queriam manter a fidelidade dos seus consumidores, enquanto aqui, como a televisão é de graça, já que não há taxa explícita, foram os telespectadores que pagaram. Mais um roubo aos utentes do serviço de TV.
PS.: (08/02/11). A adaptação da antena do prédio onde morava a tia da minha mulher à TDT custou ao condomínio a bonita soma de 500,00 €. Por aqui se vê como é uma fraude dizer-se que só basta comprar o adaptador. É necessário, por vezes, adquirir uma televisão nova, como neste caso, o adaptador e reorientar a antena que, muitas vezes, por estar velha, precisa de peças novas. É isto que o contribuinte tem que pagar.
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