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01/02/2010

Mário Crespo ou o “Plano Inclinado” da direita


Dei de caras hoje com a notícia de que Mário Crespo tinha sido vítima de uma conversa hostil entre o Primeiro-ministro e os seus adjuntos, que pelos vistos queriam solucionar o problema que ele constitui na SIC Notícias. Foi o próprio que o escreveu em artigo que teve que ser publicado na página da net do Instituto Sá Carneiro, já que a sua crónica de opinião não foi admitida pelo jornal para onde vulgarmente escreve, o Jornal de Notícias.
Não me irei referir a Mário Crespo, nem o que penso dele, simplesmente num post anterior tinha dito horrores do seu programa na SIC Notícias, Plano Inclinado, provavelmente aquilo que mais incómodo está a causar ao Governo.
Ora bem, pode haver gente de esquerda que goste muito deste bota-abaixo sistemático encabeçado por Medina Carreira, acolitado por João Duque, um daqueles economistas de direita sempre prontos a pontificar na comunicação social, e por Nuno Crato, parece que bom cientista, mas o que não lhe dá qualquer especial mais-valia para falar de política, e normalmente sempre saindo em defesa da ideologia de direita.
Portanto, este programa, tenhamos consciência disso, leva a água ao moinho da direita, que, por exemplo, nestes temas do orçamento, apesar da “grande crítica” que podem representar as opiniões desbragadas e afascistadas de Medina Carreira, conduzem-nos sempre à ideologia que é preciso menos Estado, menos segurança social, menos defesa dos trabalhadores, maior flexibilidade e que devemos regressar, isso não o dizem, à Inglaterra vitoriana, com 14 e mais horas de trabalho por dia, despedimentos quando se quisesse e segurança social aquela que Deus desse. É esta a gente que nos andam a vender como os grandes ideólogos da reforma do Estado. Por isso, mesmo que Mário Crespo tenha imensa razão quando diz que José Sócrates não suporta a liberdade de imprensa, o que ele está a fazer conduz-nos, mesmo que indirectamente, à defesa dos interesses do Governo.

Já agora, e porque vos contei num post uma deslocação que efectuei ao Canadá, em serviço, e onde a determinada altura apareceu José Sócrates, como Ministro do Ambiente, quero-vos acrescentar mais qualquer coisa. Dizia eu na altura: “Foi acompanhado do seu fiel Secretário de Estado, Rui Gonçalves, e por mais alguns quadros superiores do Ministério, mas acima de tudo por jornalistas, uma delas da RTP I”. Ora a jornalista da RTP I era, nem mais nem menos, do que a Isabel Damásio, que hoje normalmente, entre outras actividades, faz as reportagens do Parlamento ou da actividade política. Ora quando eles chegaram, foi-nos logo dito, por quem de direito, estes até são dos melhores, mas é conveniente que estejam por longe. E assim foi até ao almoço final, onde, como eu vos relatei na altura, se foram sentar cerimoniosamente ao lado de José Sócrates, por imposição deste, e depois levados ao aeroporto nos carros da embaixada e reenviados para Lisboa, em executiva. São estes os jornalistas de que José Sócrates gosta.