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22/09/2010

Os neo-estalinistas II


Victor Dias, impante, como é seu costume, vem insinuar em comentário que dirigiu ao meu post sobre Os neo-estalinistas, que o verdadeiro neo-estalinista era eu porque, segundo ele, eu queria que a Festa do Livro da Festa do Avante fizesse censura à História do Partido Comunista da URSS, Breve Curso. Depois espraia-se em comentários sobre aquele espaço ser gerido por uma empresa que não submete os livros a censura prévia dos organizadores da Festa. Eu próprio lhe respondi que de facto não havia censura prévia pois até já lá tinha visto livros fascistas, como um que eu encontrei há dois anos, editado pela Nova Arrancada sobre o 25 de Abril. Simplesmente para mim era sintomático que destacados militantes do PC, editassem e distribuíssem durante a Festa livros de claro pendor estalinista e isso é que contava.
Não é que já depois destas palavras terem sido escritas me chega a informação que o livro de Carlos Brito, Álvaro Cunhal, sete fôlegos do combatente tinha sido censurado por alguém da Festa. A história passa-se assim: a distribuidora do livro do Brito forneceu à editora que opera na Festa o referido livro, de acordo com o estabelecido entre as duas, o livro foi exposto por pouco tempo, mas depois foi retirado e todos os exemplares foram devolvidos à distribuidora.
Já se sabe que o Vítor Dias dirá que isto foi um assunto entre editoras, que o Partido nada teve a ver com o assunto, ele só se rege pelo que está estipulado nos seus Estatutos. Simplesmente uma censurazinha de vez enquanto não fica mal, não vá o Carlos Brito convencer-se que alguém ainda lhe liga alguma coisa na Festa do Avante.
Quando é que o Vítor Dias deixará de ser o idiota útil desta direcção do PCP?

06/09/2010

Os neo-estalinistas


Pelas razões mais diversas, sendo sem dúvida a principal a preguiça (estamos em férias), tenho-me abstido de escrever qualquer comentário para este blog. Também os assuntos não têm sido assim tantos que mereçam um comentário mais apressado. Mas mais de um mês de paragem é efectivamente demais. Com exemplos destes não há leitores que resistam.
Não vou comentar esta novela de Verão entre o PSD e o PS. Já tinha dado a minha opinião sobre a proposta de revisão constitucional daquele partido, achando que ela se enquadrava na ofensiva da direita, mas agora, e concordando com as opiniões dos dois principais partidos à esquerda do PS, estou perfeitamente convencido que esta luta de galos visa unicamente ver quem consegue ganhar a parada, de modo a que tudo fique na mesma, ou seja, que a política de restrição orçamentais continue.
Não irei também debruçar-me sobre o candidato presidencial apresentado pelo PCP, apesar do texto que se segue tem já um pouco a ver com a opinião que eu tenho sobre a sua candidatura.
Irei, porque é um assunto, que me tem particularmente motivado, falar do artigo que São José Almeida escreveu, no Público, de 4 de Setembro, (sem link) sobre o PCP e que denominou Comunistas, sem vergonha! E que de facto também se refere ao candidato presidencial daquele partido.
O que é que verdadeiramente aborda aquele artigo? Numa súmula muito breve, e recorrendo ao próprio texto, podemos afirmar o seguinte: “aquilo que sobressai de uma análise mais atenta do discurso e das tensões internas mostra como o PCP, ao longo da última década, sofreu uma radical mudança no sentido da sua esquerdização e até, podemos assim dizer sem rodeios, da sua neo-estalinização.
Esta verdade, que a autora parece ter vindo agora a descobrir acusando os restantes media e a maioria dos cidadãos de não ter reparado nela, foi de facto uma das principais causas do afastamento e posterior criação da Renovação Comunista por alguns militantes do PCP que não estavam satisfeitos como rumo que as coisas estavam a levar.
Mas, sem querer para mim pergaminhos especiais, ao longo deste blog, e de outros textos anteriores, não tenho feito outra coisa do que vindo a denunciar a crescente esquerdização do PCP e consequente afirmação de sectarismo. Parece-me desnecessário fazer links para esses textos, mas o leitor que me tenha acompanhado facilmente os localizará.
Depois São José Almeida mete-se por caminhos ínvios ao tentar estabelecer uma diferença entre esta actual neo-estalinização e os tempos mais recuados de Cunhal, chegando mesmo à reorganização de 1940-41. Ou seja, tenta dizer que nessa altura o partido não se afirmava como comunista, nem marxista-leninista e que agora isso passou a ser mais claro.
Já se sabe São José Almeida confunde a política de unidade definida no programa do Partido relativa à Revolução Democrática e Nacional ou o mais recente referente a Uma Democracia Avançada para o Século XXI, como uma descaracterização da afirmação de comunista, coisa que o Cunhal sempre soube distinguir, fazendo uma clara distinção entre as duas.
Mas isto é prosa fácil de jornalista apressada que, realçando com alguma percepção a realidade actual, desconhece a história do PCP.
Depois ainda descamba mais ao falar da ala social-democratizante e da esquerdista, marxista-leninista, na direcção do PCP. Não sei onde é que a senhora foi buscar tais alas, mas isto dá cor ao texto. E ainda, considera que elas sempre existiram ao longo dos seus 89 anos. Não vale a pena sobre este assunto insistir mais.
O que vale a pena aqui recordar e que é citado pela autora deste artigo é as preocupantes manifestações deste neo-estilinismo. Assim, “basta para tal consultar obras como o estudo panegírico de Ludo Martens, Um Outro Olhar sobre Stáline, editado em cima da Festa do Avante! do ano passado pelo site Para a História do Socialismo, que teve como chancela de legitimidade e de credibilização política e ideológica o prefácio de Carlos Costa. E que edita agora a obra de 1938, História do Partido Comunista da URSS. Breve Curso, em cujo prefácio Leandro Martins afirma: "Este "Breve Curso" é, assim, um contributo valioso para a batalha ideológica que se trava não apenas contra o inimigo de classe mas contra as vacilações e oportunismos que, como a obra mostra com clareza, convivem no seio das organizações revolucionárias e podem conduzir às derrotas dramáticas a que assistimos."
Sobre o primeiro livro citado escrevi um primeiro post que dava notícia da sua publicação primeiro na net e depois em edição escrita, com prefácio da Carlos Costa. Escrevi ainda uns comentários a um post de um pedante que escreve no blog 5 Dias e que era elogioso para com o livro e que depois resumi num outro post. Os leitores interessados encontrarão bastante informação nos dois posts referidos.
Quanto ao segundo livro História do Partido Comunista da URSS (bolchevique). Breve Curso foi feito alguma propaganda à volta da sua edição no site referido, com a apresentação da capa e garantindo que o mesmo estaria à venda na Festa do Livro, da Festa do Avante!. Este livro tem prefácio de Filipe Leandro Martins, que eu penso que ainda seja o chefe de redacção do Avante!.
Este livro, como muito bem diz a propaganda inserida naquele site, teve uma distribuição massiça. Só na União Soviética foram editados 600 mil exemplares e foi traduzido em numerosas línguas. E porquê? A sua autoria, que não é assumida na edição portuguesa, pelo menos na capa, é de Estaline e no capítulo IV, é incluído o célebre texto, que posteriormente foi divulgado separadamente, com autoria reconhecida de Estaline, Materialismo Dialéctico e Materialismo Histórico. Podemos pois afirmar que estes dois manuais constituem a base de toda a conversão da imensa riqueza do marxismo e do leninismo não só numa mentira histórica que era visão que Estaline queria que permanecesse da sua tomada do poder no Partido Comunista da União Soviética, bem como uma simplificação e codificação de toda a problemática histórico-filosófica do marxismo. Como é dito, o livro é de 1938, elaborado portanto no auge das purgas no PCUS e dos julgamentos e condenações à morte dos seus principais dirigentes. É pois isto que o PCP de forma encapotada nos oferece na Festa do livro, da Festa do Avante!.
O artigo de São José Lopes termina identificando Francisco Lopes com a ascensão desta corrente neo-estalinista no PCP, opinião com a qual estou de acordo e que oportunamente comentarei, mas acrescenta-lhe, borrando toda a pintura, e tornando simpática a figura de Francisco Lopes que “ele foi o jovem quadro que desde cedo mostrou que não tinha medo de dizer que era comunista. E tem sido seguido por um crescente grupo interno, uma tendência de comunistas que não têm vergonha de o ser.”
Ora nada disto é verdade e nunca ninguém no partido teve medo de dizer que era comunista, tinham era uma visão diferente do que tinha sido a história do movimento comunista e prezavam bastante a unidade das forças antifascistas e progressistas.

23/10/2008

"O Socialismo Traído" resposta a dois posts


Penso que a blogosfera também serve para o confronto de ideias, para a crítica, para o aprofundamento das questões e que não se deve cingir à notícia breve, aos estados de alma ou aos fait-divers comezinhos. Tenho alguma dificuldade em utilizar estes últimos predicados que exigem alguma prática de jornalismo, e deixo-me sempre arrastar pela fluência do "verbo", acabando a fazer longas análises daquilo que provavelmente se resumiria em duas ou três linhas. Por vezes também acaricio o meu ego, falando de mim e criticando os outros, no fundo reduzindo a blogsofera ao meu pequeno universo. Mas encaro-a assim e provavelmente continuarei a usá-la desse modo.
Vem isto a propósito de dois post que irei escrever: um, o presente, sobre duas críticas ao livro o Socialismo Traído, Por trás do colapso da União Soviética, de Roger Keeran e Thomas Kenny, publicadas no blog Hoje Há Conquilhas Amanhã Não Sabemos, e o outro, a seguir, sobre a recensão que o meu amigo Fernando Penim Redondo escreveu sobre a entrevista que Emmanuel Wallerstein concedeu ao jornal Le Monde, já por mim referida, relativa a O capitalismo chega ao fim (Le capitalisme touche à sa fin). Vamos a ver se cumprirei esta última promessa.
Quanto a este post gostaria de chamar a atenção para as duas críticas saídas no blog já referido relativas ao livro acima citado (ver a primeira (26/09/08) aqui e a segunda (22/10/08) aqui).
Já por duas vezes fiz referência àquele livro, quando relatei a minha ida à Festa do Avante! (14/09/08) para aquisição do mesmo, e a propósito de uma entrevista que os seus autores deram ao Avante! (26/09/08). Em qualquer dos casos parece-me que relatei com alguma seriedade as principais questões levantadas logo no início do livro, já que era a única parte que tinha lido, e as posições um pouco esdrúxulas do entrevistador e dos entrevistados sobre o fenómeno iniciado por Khrushchov, da destalinização da URSS.
Que diz o nosso blogger no seu último post (22/10/08), pequeno como convém para quem escreve na bloggosfera e pelo qual começo, por conveniência de estrutura deste post: “Foi o «centralismo democrático» – concebido, inicialmente, para resistir nas condições difíceis do czarismo, permaneceu intocável. De Lenine até Gorbatchov. A democracia interna nos partidos comunistas é, pois, uma treta. Ou melhor, é uma rolha. Qualquer voz discordante é decapitada. O último líder do PCUS no poder apenas usou a rolha para, num ápice, fazer cair o castelo de cartas. Nada mais simples. Num livro que passa em análise os setenta anos de vida da União Soviética, será esta a única questão que merece ser realçada? Lamento, mas não será reduzir à expressão mais simples, ou seja, à crítica mais fácil, afirmar que “a democracia interna dos partidos comunistas é, pois, uma treta.” Parece-me que havia coisas bem mais interessantes para escrever sobre aquele livro do que isto.
O primeiro post (26/09/08), que dá início a esta série, mais longo, já tenta enquadrar de modo perfeitamente aceitável as principais preocupações do livro e do PCP, sobre cuja responsabilidade foi editado. Depois retira conclusões semelhantes às minhas, e que estão presentes no meu segundo post, a propósito da destalinização iniciada por Khrushchov.
Ver isto escrito num livro editado pelos comunistas portugueses, em 2008, é estranho. É a repetição das teses dos comunistas chineses, na luta ideológica que mantiveram com os comunistas soviéticos, há 50 anos. Mao Tsétung, na altura, chamou-lhes revisionistas. Os autores de O Socialismo Traído, também. Com as mesmas palavras e os mesmos argumentos. É à luz da reflexão contida neste livro que devem ser revisitadas as posições de Álvaro Cunhal nos anos 60. O líder dos comunistas portugueses, em defesa de Khrushchov, disse e escreveu exactamente o contrário, com a agravante de conhecer as posições dos comunistas chineses.
Afinal, parece que, no plano ideológico, Álvaro Cunhal não acertou uma.

Não se depreende do arrazoado do texto porque é que Cunhal não acerta uma. O mais que se poderá dizer é que a actual Direcção do PCP, esquecendo o que no tempo de Cunhal se disse sobre o assunto, vem agora com pezinhos de lã, como eu por diversas vezes já tenho tentado provar, introduzir pela porta do cavalo, como se fossem pontos de vista sempre assumidos por ela, as posições esquerdistas sobre a destalinização e a questão de Estaline.
É evidente, que isto, não tem nada a ver com qualquer idolatria ao "camarada morto", mas porque na altura, já lá vão muitos anos, aderi ao comunismo e depois, posteriormente, ao PCP, devido à crítica ao estalinismo praticada com algum vigor no XXII Congresso do PCUS, que teve lugar em 1961, e sempre apoiada, pelo menos em palavras, pela Direcção de Cunhal, custa-me muito ver o actual PCP vir defender as posições do esquerdismo, que sempre combateu. E ver um blogger que, sem compreender isto, acaba por acusar Cunhal de um pecado que ele, por acaso, não cometeu.

14/09/2008

A razão da minha ida à Festa do "Avante!"


Passada que foi a agitação da blogosfera provocada pela realização da Festa do Avante! eis que me decido a revelar as razões porque, no Domingo, de fugida, resolvi ir à Festa do Avante!.
Para além de razões familiares, que não são para aqui chamadas, queria comprar um livro publicado pelas Edições Avante!, lançado durante a Festa com a presença dos autores e chamado O Socialismo Traído – Por detrás do colapso da União Soviética, de Roger Keeran e Thomas Kenny. Não estive presente na sua apresentação, que foi Sábado, mas aceito este pequeno relato do sucedido.
Sempre imaginei a venda de livros e discos na Festa como uma realização semelhante a uma que era promovida há muitos anos pelo PCF, que se chamava a Semana do Livro Marxista, onde nunca fui, mas pela descrição dos colóquios lá realizados e pelo aspecto gráfico dos seus cartazes, sempre encheu o meu imaginário de comunista rodeado de livros marxistas. Por isso, sempre encarei a Feira do Livro e do Disco com uma grande frustração. Os livros estavam sempre cheios de pó, todos a monte e, muitas vezes, na tenda onde se promovia a sua venda, havia um calor insuportável, dado que esta funcionava como estufa.
No entanto, no princípio, em que o PCP tinha duas editoras, a Avante! e a Caminho e até uma distribuidora importante, as coisas eram ligeiramente melhores. Havia fundos editoriais, onde se podiam encontrar algumas preciosidades por tuta-e-meia.
Hoje, depois da venda Caminho, a Feira do Livro é um autêntico deserto. Não há fundos editoriais a preços de saldo (pelo menos não vi). Tudo tem um aspecto de ser despejado a eito e não há critério, nem selecção dos livros. Vi lá mesmo um livro fascista sobre o 25 de Abril (25 de Abril – Marxismo e Revolução, da Nova Arrancada), que talvez fosse seleccionado pelo título. E critério e selecção não significam censura. Há anos comprei na Festa esse belo livro de Pierre Daix, Acreditei na Manhã – Um Comunista revela os motivos porque abandonou o Partido, e sempre considerei que era o local certo para o adquirir, apesar de não esperar lá encontrá-lo.
Dito isto, passemos à primeira impressão sobre o livro que adquiri.
O Socialismo Traído pretende justificar a queda da União Soviética dando uma interpretação muito favorável àquela que a actual Direcção do PCP gostaria que fosse: a traição de Gorbatchov e de alguns membros da sua equipa. Simplesmente filia-a numa linha que vem desde Bukharine e Kruchtchov e termina no político já citado. Passando, pasme-se, por Jdanov. A boa, a da classe operária, seria a de Lenine, Estaline e Malenkov.
O capítulo que estou a ler onde estas duas linhas são referidas, localiza-se ainda no princípio do livro, e chama-se Duas tendências na Política Soviética. Retoma, ainda que não o diga, um velho hábito dos manuais de marxismo-leninismo, que era a existência de duas linhas, uma idealista e outra materialista, isto aplicava-se à arte, à filosofia, e neste caso à política, a linha pequeno-burguesa e do campesinato e a da classe operária.
Neste mesmo capítulo é feita a espantosa afirmação que Gorbatchov teria lido a biografia de Bukharine feita pelo historiador norte-americano Stephen F. Cohen. - Livro que eu recomendo vivamente a quem se interessa por estes temas da história da URSS e de que há uma edição brasileira (Cohen, Stephen. Bukharin, uma biografia política”, Paz e Terra, 1990). -Segundo os autores do livro que vimos citando “de acordo com um conselheiro próximo de Gosbatchov, Anatoli Tcherniaev, foi então que Gorbatchov decidiu reabilitar Bukharine, e a reavaliação de Bukharine “abriu as comportas para a reconsideração de toda a nossa ideologia”” (Keeran, R e Kenny, T., O Socialismo Traído, “Avante!”, pag. 29). Depois de assassinado legalmente por Estaline, Bukharine torna-se assim o responsável ideológico pelo fim da URSS.
Mas há mais. Afirma-se a determinada altura “Kruchtchov concentrou-se na alegada (sublinhado meu) repressão de Estaline sobre os líderes do Partido e afirmou que metade dos delegados ao XVII Congresso e 70 % de Comité Central foram mortos. Ken Camaron, biógrafo de Estaline, concluiu que é “difícil acreditar que os números de Kruchtchov estão correctos”. E a seguir, entre parêntesis, afirma-se que “usando os arquivos soviéticos recentemente abertos, os estudiosos (o estudioso citado é unicamente Michael Parenti -JNF) determinaram o número total de execuções de 1921 a 1953 em 799 455, muito abaixo dos milhões estimados por Robert Conquest, Roi Medvedev e outros académicos anti-soviéticos” (idem, pag. 41).
Os autores que avalizaram estas duas afirmações são ambos americanos, com obra publicada. O primeiro contesta um assunto que foi objecto de consenso na própria direcção do PCUS e que vem relatado, num documento universalmente aceite como verdadeiro, que é o Relatório Secreto de Kruschtchov. O segundo levanta a questão dos números de mortos, também debatida a propósito dos nazis, mas que são tão absurdamente grandes, que mais cem mil ou um milhão pouca importância tem em função da barbaridade do acontecido.
Por aqui me fico, esperando dentro em breve fazer uma crítica ao livro em questão. Ficando este cheirinho como forma de despertar o apetite a quem queira debruçar-se sobre a questão do fim da URSS.
PS.: Como as Edições "Avante!" ainda não publicitaram o livro referido, tive que recorrer à fotografia da edição original.

09/09/2008

Quanto mais reaccionário melhor – Parte II


Há tempos, antes de ter publicado esse grande sucesso que foi o meu post sobre o Manta Beach Club, tinha escrito um outro sobre um fenómeno que percorria os media portugueses e que se estava a avolumar no Público, que era o aparecimento de um conjunto de comentadores de direita, alguns mesmo profundamente reaccionários, que eram contratados em função da boçalidade dos seus comentários.
Palavras não eram ditas e no programa da SIC Notícias, o Eixo do Mal, o comentador residente José Júdice foi substituído por um outro chamado Pedro Marques Lopes, com ar de pegador de toros (ver fotografia ao lado), e que me pareceu demasiado jovem para ter vivido no tempo do fascismo.
José Júdice tinha comentários de direita, era anti-comunista, mas tinha a experiência de ter passado, antes do 25 de Abril, pela Pró-associação dos Liceus, e de pelo menos não fazer afirmações que roçassem o reaccionarismo mais boçal.
Quando abri a televisão no Sábado já o programa ia adiantado. Até certa altura, tudo parecia normal, quando de repente se fala na Festa do Avante e Pedro Marques Lopes, com um fúria típica de fascista, começa primeiro por dizer que se a Festa hoje parecia normal e era notícia nos principais órgãos de informação, devíamo-nos lembrar que já tinha apoiado as ditaduras mais sinistras do Planeta, chamando “colaboracionistas” (termo nada inocente) aos responsáveis que na Festa que promoviam aqueles regimes. Falou igualmente da propaganda que lá se fazia “desse ícone pop” chamado Che Guevara, tratado com grande desprezo, e em muitas outras coisas, enquanto lhe deram tempo de antena. Daniel de Oliveira lá foi defendendo a honra dos comunistas, considerando que a Festa do Avante tinha sido, em determinado momento, a maior manifestação de cultura popular existente no país, com que o outro gozou, considerando que era igual aos festivais do Sudoeste e do Super Rock, Super Bock. Lembrou o Daniel o papel desempenhado pelo PCP na resistência ao fascismo, a que outro retorquiu considerando que aquele partido queria implantar uma nova ditadura.
Estamos pois perante um reaccionário convicto, que a produção – As Produções Fictícias – foi buscar por essa mesma razão e que permite que um programa que alguém considerou estar desequilibrado para a esquerda, vá contar com dois comentadores de direita, Luís Pedro Nunes e o novo residente, uma PS envergonhada, Clara Ferreira Alves, e Daniel de Oliveira, do Bloco de Esquerda
Dirão alguns que isto se encontra equilibrado, pois eu acho que não. Primeiro falta alguém próximo do PCP, já que pelos vistos vai ser o bombo da festa nos próximos tempos, e depois tinha havido, até ao momento, a decência de o pessoal de direita ter um comportamento civilizado, onde a boçalidade dos novos tempos não prevalecia.
Mas não foi esse o critério seguido. Este novo espécime foi caçado na blogosfera. Parece que escreve para o Acidental, que eu não frequento, mas igualmente para o blog da revista Atlântico, que há tempos tinha uma capa com o Che Guevara com o bigodinho de Hitler. Elucidativo, não é.
É difícil adaptar-me a esta nova vaga que percorre com grande desenvoltura os media dominantes em que a boçalidade reaccionária está novamente a vir ao de cima e, mais do que isso, pagam-lhe para ser assim. Acho difícil ser de esquerda e conviver com esta gente.
PS.:Valha-me o Spectrum. Afinal sempre havia reaccionarice e da grossa, o mal foi eu não ter andado a procurar na net. Vejam este belo texto do senhor acima referido sobre o Governo Democrático de Allende. É muito difícil conviver com estes figurões.