Mostrar mensagens com a etiqueta Ministro das Finanaças de Portugal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ministro das Finanaças de Portugal. Mostrar todas as mensagens

11/02/2012

O Padrinho alemão

Nunca tinha visto um governante português tão curvado perante um representante de um governo estrangeiro, talvez porque estas cenas raramente são filmadas, como aquela que presenciei na televisão do nosso ministro das finanças a prestar vassalagem ao seu homólogo alemão. A cena era digna do filme O Padrinho, o nosso governante quase beijava as mãos ao padrinho alemão que lhe tinha concedido uma pequena audiência para lhe dar conta que o seu pedido tinha sido atendido.

Não sou nada patrioteiro em relação às posições de outros dirigentes estrangeiros que comentam a nossa vida política, mas este pequeno encontro, pelo menos na televisão, é sinónimo que já temos a nossa espinha muito curvada de tanta pedinchice.

Este encontro já foi glosado de todas as maneiras, já pouco mais há a dizer sobre ele, a única coisa que verdadeiramente me indignou foi a atitude, porque o mais já se suspeitava. Era já previsível, pelas notícias saídas na imprensa estrangeira, que o nosso Governo teria que pedir uma reestruturação da dívida pública, quer aumentando o prazo de pagamento quer pedindo mais dinheiro emprestado. Nesse sentido não estamos perante uma surpresa. Não sabíamos é que a conversa já ia tão adiantada e que os alemães estariam dispostos, depois de resolvida a crise grega, de nos conceder essa reestruturação. O grave é não sabermos como vai ser resolvida a crise grega, nem sequer se será resolvida.

Os desmentidos subsequentes àquela conversa fazem parte das encenações que normalmente acompanham estas inconfidências. Ninguém poderia manter que o ministro alemão já nos tinha prometido a reestruturação da dívida contra a opinião do seu Parlamento e da sua opinião pública, nem o Governo português poderia dizer agora, depois de durante tanto tempo andar a dizer o contrário, que estava a pedir a reestruturação da dívida.

E sobre este assunto desagradável parece-me que está tudo dito.