
Não sou nada patrioteiro em relação às posições de outros dirigentes estrangeiros que comentam a nossa vida política, mas este pequeno encontro, pelo menos na televisão, é sinónimo que já temos a nossa espinha muito curvada de tanta pedinchice.
Este encontro já foi glosado de todas as maneiras, já pouco mais há a dizer sobre ele, a única coisa que verdadeiramente me indignou foi a atitude, porque o mais já se suspeitava. Era já previsível, pelas notícias saídas na imprensa estrangeira, que o nosso Governo teria que pedir uma reestruturação da dívida pública, quer aumentando o prazo de pagamento quer pedindo mais dinheiro emprestado. Nesse sentido não estamos perante uma surpresa. Não sabíamos é que a conversa já ia tão adiantada e que os alemães estariam dispostos, depois de resolvida a crise grega, de nos conceder essa reestruturação. O grave é não sabermos como vai ser resolvida a crise grega, nem sequer se será resolvida.
Os desmentidos subsequentes àquela conversa fazem parte das encenações que normalmente acompanham estas inconfidências. Ninguém poderia manter que o ministro alemão já nos tinha prometido a reestruturação da dívida contra a opinião do seu Parlamento e da sua opinião pública, nem o Governo português poderia dizer agora, depois de durante tanto tempo andar a dizer o contrário, que estava a pedir a reestruturação da dívida.
E sobre este assunto desagradável parece-me que está tudo dito.
3 comentários:
Ora, infelizmente, essa subserviência da burguesia portuguesa post-25 de Abril de 1974 é uma tendência antiga, que se repete constantemente. Por um acidente da História, deixámos de ter uma 'burguesia nacional'.
Isso é já visível na subserviência de Costa Gomes e Mário Soares em Outubro de 1974 em Washington, perante as ingerências de Gerald Ford e Kissinger, ou no pedido de Mário Soares de ingerência militar britânica contra a esquerda portuguesa, cerca de Novembro de 1975... E por aí fora...
Quer nas decisões de política internacional, quer nas relações militares internacionais, quer nas negociações económicas e financeiras, a burguesia portuguesa - nela incluo o PS - sempre descurou/traiu os interesses do País, quando não os vendeu por pratinhos de lentilhas...
Mas o seu artigo, curto embora, a sua indignação, estão certos e são legítimos...
Aaproveito para lhe desejar uma rápida recuperação da saúde.
Cumprimentos.
Eh pá, o alemão é paralítico, anda numa cadeira de rodas. Para falar com ele em particular o interlocutor tem que se curvar. Já cometeste uma gaffe
Caro Fernando
Porque sabia que o assunto era melindroso, tive o cuidado de investigar primeiro antes de botar faladura. Assim, vi em alguns vídeos que era normal falar com o Ministro da Finanças alemão com as pessoas sentadas em cadeiras ou em banquetas, o que punha os seus interlocutores ao mesmo nível que o ministro. No caso do português o nosso ministro apoia-se nas costas de uma cadeira, podia muito bem ter sentado nela para falar. Só encontro situação semelhante no ministro espanhol que fala com o seu interlocutor, que eu já não me recordo quem seja, todo curvado a dizer que tinha sido aprovada pelo Governo espanhol uma lei do trabalho bastante agressiva.
Quanto ao Armando Cerqueira estou-lhe em dívida com uma análise mais completa da posição política do PS. No entanto, nos posts que escrevi sobre o livro do Rui Mateus, Contos Proibidos, abordo alguns dos temas referidos por si. Obrigado pela sua atenção quanto à minha saúde. Apareça sempre.
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