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27/11/2011

Um bando de Vingadores

No Telejornal  de sexta-feira, 25 de Novembro, são recolhidas as declarações do Ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, e mostrada parte do vídeo que circulou na Internet  relativa à agressão a um cidadão que, segundo informação da polícia, era alemão e procurado pela Interpol. José Rodrigues dos Santos, naquele tom agressivo que vulgarmente costuma usar, começa assim por desvalorizar o agredido: o que vale um alemão, ainda por cima a monte. A seguir temos a opinião do Comissário da polícia que descreve com pormenores terríficos a agressão de que tinha sido vítima, momentos antes, um polícia, justificando a agressão ao cidadão alemão, já caído no chão, como proporcional à agressão de que tinha sido vítima o polícia.

Para mim tudo isto é espantoso.

Primeiro, o vídeo que circula na Internet, juntamente com imagens próprias da RTP, que não foram exibidas nas reportagens do dia anterior sobre a Greve Geral, mostra um homem vestido à civil, com um capuz a cobrir-lhe a cabeça, claramente a bater com um bastão num cidadão deitado no chão. A televisão apesar de acrescentar sempre parece, demonstra claramente que seria um agente à paisana, sem qualquer identificação e que depois da acção executada, quando os seus colegas já fardados tomam conta a da ocorrência, retira o capuz e vê-se-lhe a cara, esta também já a correr na net. Ora este vídeo tem servido para justificar a existência de agentes infiltrados na manifestação, que seriam os responsáveis, pelo menos morais, já que incitaram os outros a fazê-lo, pelo derrube das barreiras. Não estive lá e não posso garantir que se tenha passado assim. Até porque na net também há muita discussão à volta deste assunto. Mas, para mim não restam quaisquer dúvidas que o homem de capuz era um agente policial à paisana. Foi-me dito, e eu acredito, que a manifestação estava cheia de agentes policiais à paisana. Para quem tem assistido ultimamente a relatos da actuação policial em bairros degradados ou até na interpelação a jovens mal vestidos ou mesmo ao seu desempenho nos recintos desportivos, sabe perfeitamente que esta gente se destaca pela violência, sempre a coberto da chegada dos polícias fardados. Neste aspecto, a polícia tem que arcar com a responsabilidade de mandar agentes seus não identificados para as manifestações. Eu acho que devem ser fotografados e a sua cara mostrada na net e se possível isolados da manifestação e convidados a saírem. Noutros tempos sabíamos que havia PIDE sempre presentes em reuniões públicas da Oposição ou em assembleias de estudantes. O caso mais trágico foi que sucedeu em Económicas e que levou à morte de Ribeiro dos Santos. Hoje, no estado democrático, agentes à paisana não identificados não podem ser tolerados em manifestações.

Segundo, são as espantosas declarações do Comissário da polícia, que justificou a sova que um seu agente à paisana, não identificado, deu num cidadão, com a agressão a um agente policial que este, em momento anterior, teria protagonizado. Mas mais descaradamente fala em proporcionalidade, tal como o próprio Ministro. Simplesmente o policial desconhece em que contexto nas manifestações se fala em proporcionalidade. Por exemplo, nesta manifestação seria desproporcionado se a polícia, depois de derrubadas as barreiras, tivesse investido à bastonada ou com gás lacrimogéneo contra todos os participantes na manifestação, tentando dissolvê-la. Já não é proporcional um cidadão, mesmo que eventualmente tenha agredido um polícia, ser sovado no chão com um bastão. Isso é típico de um bando de vingadores, que praticam o preceito bíblico olho por olho, dente por dente. Este Comissário tem que ser rapidamente reciclado.

PS. (28/11/11). Afinal o tal alemão procurado pela Interpol foi posto em liberdade pelo juiz instrução e mandado comparecer no dia 6 de Dezembro. Mais uma aldrabice da polícia, papagueada por todos os media. Ver aqui.

01/10/2011

Contra o EMPOBRECIMENTO e as INJUSTIÇAS




Participa sábado na manifestação da CGTP Contra o Empobrecimento e as Injustiças. 15h do Saldanha aos Restauradores

18/05/2011

Contra a ingerência da da UE/FMI - Outro rumo é possível




19 DE MAIO, MANIFESTAÇÕES EM LISBOA E PORTO - NÃO AO “ACORDO”

Amanhã, dia 19 de Maio, a partir das 14.30 horas, em Lisboa e no Porto, a CGTP-IN promove duas grandiosas manifestações contra o “acordo” entre a troika e o governo do PS, com o apoio dos partidos da direita, PSD e CDS-PP.

Contra a recessão e o aumento do desemprego, das injustiças e das desigualdades, contra os cortes nos salários e nas pensões e o aumento brutal do custo de vida, a CGTP-IN apela à participação de trabalhadores, desempregados e população portuguesa nas manifestações marcadas para o Porto (com concentrações marcadas às 14.30 horas para as Praças dos Leões e da Batalha) e em Lisboa (com concentração marcada às 15.00 horas para o Largo do Calvário).

Manuel Carvalho da Silva discursará por volta das 16.30 horas, em Belém, Lisboa e João Torres, por volta das 16.15 na Avenida dos Aliados, Porto.

30/04/2011

Contra as injustiças. Mudar de Políticas


Amanhã, desfile entre o Martim Moniz e a Alameda.

19/03/2011

Provocação ou incompetência?

Em tempos antigos, nos Governos de Mário Soares, Sá Carneiro ou Cavaco Silva, era normal o Telejornal, da RTP 1, estar ao serviço dos interesses destas personagens, que para isso nomeavam administrações obedientes e submissas. Era vulgar, e lembro-me bem disso, que uma greve da função pública fosse noticiada lá para o fim do Telejornal e fosse despachada, muitas vezes em termos provocatórios, em meia dúzia de segundos. Com o advento dos canais privados de televisão e devido às necessidades da concorrência, os telejornais, de um modo geral, passaram a noticiar as manifestações da CGTP ou as greves da função pública com mais objectividade e pormenor, apesar daqueles não deixarem de ser controlados pelo poder político.

Vem isto a propósito do modo como no Telejornal de hoje se noticiou a manifestação da CGTP, por mim anunciada no post anterior.

José Rodrigues do Santos (JRS), logo no início do Telejornal, depois das notícias dos primeiros ataques à Líbia, começa por dizer que funcionários do Sector Público concentraram-se em Lisboa num protesto nacional organizado pela CGTP. Grande mentira. Depois temos a reportagem do local para onde o sector público tinha sido convocado, dizendo que os 600 mil (onde sei onde foram arranjar este número) funcionários se fizeram representar por uns milhares. Pouca gente, porque ainda estávamos no início da concentração, digo eu, com a repórter a tentar apanhar o anedótico e a fazer comparação com a manifestação do dia 12, da geração à rasca e, terminando, dizendo que estas pessoas queriam protestar contra o Estado por este ser um mau patrão. No fundo, ainda descobríamos que aqueles manifestantes eram adeptos do Passos Coelho e queriam emagrecer o Estado. A finalizar, a repórter lá diz que estes trabalhadores se juntaram aos restantes manifestantes.

Corta e regressamos ao JRS, que seguir fala da manifestação do sector privado que teve início no Saldanha. O mesmo tipo de reportagem, mas termina com a repórter a afirmar que milhares de pessoas do sector público e privado se juntaram da Avenida da Liberdade. Finalmente lá temos só uma manifestação.

Quase no final do Telejornal, passado que foram cerca de quarenta minutos sobre as imagens iniciais, diz-se que Carvalho da Silva atacou o Plano de Austeridade, o Governo e também o PSD “na manifestação”. Aqui já nos perdemos e não sabemos a que manifestação se está a referir o JRS. Finalmente, é apresentado um pequeno excerto do discurso do dirigente da Intersindical, dizendo que ele tinha sido pronunciado na manifestação da CGTP. Esta reportagem é mais abrangente, pois são entrevistados os lideres do PCP e do Bloco e é mostrada a intervenção musical dos Homens da Luta. Imagens, não muitas, da Avenida cheia de gente.

Deste pequeno relato, ressaltam duas coisas ou um desejo deliberado de enganar os telespectadores, baralhando-o com duas manifestações que não existiam e depois, no final, quando as pessoas já estavam noutra, dar-se a verdadeira reportagem, ou então uma amostra da grande incompetência que vai por aquela casa. O jornalista que alinhou o noticiário não foi capaz de perceber que as duas primeiras reportagens se referiam ao início da concentração que, como sempre sucede, é em locais diferentes, consoante as áreas laborais, associativas ou partidárias dos manifestantes. O alinhamento no final do Telejornal da intervenção de Carvalho da Silva pode-se também justificar com a chegada tardia da reportagem para ser editada. Mas em qualquer dos casos revelando um desinteresse, que roça mesmo a provocação, que já só se justifica pelo fim de festa homens do PS na Televisão Pública.

17/03/2011

Contra o Desemprego, a Vida Cara e as Injustiças - Mudança de Políticas


Covém lembrar que dia 19, Sábado, há uma manifestação convocada pela CGTP.

02/12/2010

Como o PS, o PCP e a CGTP servem de válvula de escape para a tensão social – Conclusão


As trocas e baldrocas dos partidos do “arco governamental” são conhecidas. No entanto, o CDS ao propor ao PS que este faça parte da possível maioria governamental que se venha a formar, para além de interesses próprios, visa não só forçar este partido a assumir os custos das medidas draconianas que estão para vir, como evita que ele fique à rédea solta na oposição. O PS seria assim um factor de controlo do descontentamento popular, permitindo o isolamento dos chamados partidos do protesto. Mas situações destas têm-se vindo a suceder, com pequenas alterações, desde o 25 de Abril

O que é novo nas declarações referidas no post anterior é o papel que alguns comentadores de direita atribuem agora ao PCP e à CGTP. Os parabéns dados àquele partido são, quanto a mim, bastante embaraçosos. Mas apreciemos a manifestação anti-NATO e a Greve Geral separadamente. Comecemos pela primeira.

De um artigo (parcialmente transcrito aqui) bastante interessante de São José Almeida, publicado no mesmo jornal e no mesmo dia em que Pacheco Pereira escreve o seu, destacamos, porque está relacionado com aquilo que temos vindo a afirmar, esta parte: “É cristalino que está em curso a adopção de um discurso de propaganda que pretende criar um clima de temor às forças de segurança e de isolamento do que pode ser o protesto. Esta estratégia de intimidação é transparente e consiste em passar a mensagem – que é de forma estranhamente acrítica reproduzida pelos jornalistas – de que há manifestantes perigosos e, por isso, é preciso fechar num quadrado sob escolta de polícia de intervenção uma manifestação que é feita pela Marcha Mundial das Mulheres, a ATTAC, as Panteras Rosa, um grupo de rastafári (para quem não saiba é um movimento religioso pacifista) e um grupo de anarquistas, mais um deputado do BE, José Soeiro (um dos mais preparados deputados em exercício) e um militar de Abril (Mário Tomé).” E termina, fazendo eu uma ligação da manifestação anti-NATO à Greve Geral: “A greve geral foi um sinal político do descontentamento que existe já e de como a revolta pode estar latente. É esse medo da rua que leva à deriva securitária que se assiste em Portugal. E que, por mais ridícula que seja, é grave e põe em risco as regras da democracia tal como a conhecemos até hoje.”
Ora bem, este artigo, que tem a ver unicamente com a acção securitária da polícia, permite no entanto que se infira que ao se isolar e entregar aos cuidados da polícia a repressão ou a marginalização de “manifestantes perigosos”, está-se a consentir que no futuro seja fácil atacar trabalhadores em greve ou que muito legitimamente façam a sua propaganda ou que organizem piquetes para a mesma. Por isso, faz sentido que José Neves, no Vias de Facto retome, adaptando, o poema sempre atribuído a Brecht, mas que parece não ser dele:

Primeiro levaram os anarquistas,
Mas eu não me importei
Porque não era nada comigo.
…
Agora levaram-me a mim
E quando percebi,
Já era tarde.


Ora no Avante, de 26/11/10, lê-se isto: “Ao contrário do que muitos anunciaram e outros tantos desejaram, a manifestação decorreu sem incidentes. Não houve sangue, nem distúrbios, nem violência. Não se partiu vidros nem houve carros incendiados, apesar de uns ânimos mais exaltados terem concentrado as atenções de quem, consciente ou inconscientemente, tem por missão transformar o episódio no acontecimento, mostrar a árvore para que não se veja a floresta.
Não é de surpreender que assim tivesse sido. A centena de organizações que promoveu a jornada estava bem identificada, desde a maré rubra das bandeiras comunistas às organizações sindicais, do movimento das mulheres às organizações de reformados, de imigrantes, agricultores, colectividades..., a mostrar que ali estava gente que luta, sim, mas para construir um mundo de paz.
” Como se pode concluir, este texto permite não só que os comentadores de direita agradeçam ao PCP não ter havido distúrbios, nem violência, como favorece o isolamento daqueles que "consciente ou inconscientemente" têm por missão provocá-los. Pode o PCP sentir-se muito incomodado com afirmações daqueles comentadores, não pode é fugir à triste realidade de ser considerado como uma válvula de escapa para a tensão social, colaborando assim "consciente ou inconscientemente" com a direita.

Quanto à Greve Geral podemos dizer que a situação já é diferente. Não tenho dúvidas que os sindicalistas da CGTP se esforçaram ao máximo para que ela tivesse êxito, simplesmente, a manutenção da tradição de no fim de uma greve geral não se fazer qualquer acção de protesto ou de massas, parece-me ser um grave erro, a corrigir em futuras paralisações gerais. Recordo-me que no final dos anos 70 ou início de 80, uma greve da função pública, que acompanhei de perto como sindicalista, terminaria com uma manifestação em S. Bento, que foi desconvocada há última da hora por não se ter comunicado a tempo ao Governo Civil a sua realização. Este facto provocou uma enorme desilusão entre os trabalhadores.
Penso que os agradecimentos à CGTP pelo desenrolar ordeiro da greve se deve bastante à maturidade dos trabalhadores e também ao desejo do Governo de não se intrometer demasiado. Recordo-me também duma greve em que o Ângelo Correia interveio como Ministro da Administração Interna, que ficou conhecida como a revolução dos pregos, já que ele se socorreu de meia dúzia de pregos, inventados ou reais, espalhados numa estrada para acusar os grevistas de intuitos revolucionários. Nesta, a tensão esteve ao rubro e aí a CGTP não foi apontada como o cordeiro manso como agora se verificou, também a força sindical era outra e talvez os dirigentes do PCP tivessem outra têmpera.

Tal como já afirmei em outros posts o que se passou na manifestação anti-NATO e nas acções desencadeadas pela polícia nas fronteiras não auguram nada de bom quer para a esquerda, quer para as liberdades democráticas.

01/12/2010

Como o PS, o PCP e a CGTP servem de válvula de escape para a tensão social – II


Analisadas as declarações sobre o PS, inseridas no post anterior, passemos às que se referem ao PCP e, por tabela, as relativas à CGTP, de interpretação um pouco mais complicada.

Tudo começa quando Pacheco Pereira (PP), na Quadratura do Círculo, de quinta-feira da semana passada (ainda sem link), afirma que foi devido ao PCP que a manifestação anti-NATO e a Greve Geral correram de forma tão pacífica. Não me recordo das palavras exactas, mas este tema foi retomado na crónica que escreve para o jornal Público ao Sábado.
Que afirma PP?
“O tónus da luta política não pode contrariar a emergência em que vivemos. Um bom exemplo dessa atitude tem sido tomado pelo PCP, mesmo que não o admita ou enuncie. Na verdade, quer o que se passou na cimeira da NATO, quer o modo como foi conduzida a greve geral mostra que o PCP não pretende radicalizar a conflitualidade, e, bem pelo contrário, actua de forma decisiva, se preciso for, para a conter. Na cimeira da NATO só o comportamento da manifestação do PCP-CGTP e do seu serviço de ordem, em colaboração com a polícia, permitiu o isolamento dos sectores mais radicais que pretendiam aproveitar a presença de um grande número de manifestantes para proceder a violências e destruições. Isolados e cercados pela polícia, que actuou também com grande profissionalismo, os manifestantes violentos não conseguiram provocar qualquer distúrbio significativo, mesmo quando forçaram uma manifestação ilegal. Este facto é excepcional e não se verificava já há vários anos, numa cimeira com esta dimensão e projecção”.
Depois o artigo espraia-se sobre a Greve Geral, e também sobre o papel desempenhado pelo PCP para lhe retirar a conflitualidade social.
Lançado este mote por PP, foi ver de seguida uma série de comentadores a retomarem o mesmo tema. Com alguma malícia Clara Ferreira Alves diz o mesmo, no Eixo do Mal (ver minuto 27,49), “gostaríamos todos que no futuro o descontentamento social seja canalizado desta forma civilizada e organizada e absolutamente decente em que os trabalhadores se limitam, como é seu direito, … a organizarem uma forma de protesto e portanto estamos todos muito descansados enquanto isto for assim, … porque daqui para o futuro as coisas vão ser diferentes”.
Marcelo Rebelo de Sousa, no seu comentário semanal, na TVI, diz claramente que tem que se dar uma palavra de agradecimento ao PCP e à CGTP. “O PCP tem uma coisa boa é um partido disciplinado, certinho. Com o PCP não há arruaças, nem com a CGTP”. Depois, compara o que se verificou em Portugal com o que se passou na Grécia e em França, em que houve desacatos. Por último lembra que a participação da UGT na Greve Geral é indicativo daquilo que espera um governo de centro direita que aí venha, uma união entre o PS, a esquerda moderada, com a esquerda PCP e Bloco de Esquerda, traduzida na acção conjunta da UGT e CGTP.

Este é o tom geral com que a direita, e não estou a incluir aí Clara Ferreira Alves, aprecia a acção “civilizada” do PCP. Em próximos episódios retirarei algumas conclusões que destas declarações e que, segundo constato, não foram ainda comentadas por ninguém.

26/11/2010

Algumas conclusões políticas para a esquerda da Manifestação anti-NATO e da Greve Geral


Hoje, na sociedade portuguesa, verifica-se um claro fenómeno de crise social, com a pauperização das classes trabalhadoras, de crise económica, com a destruição da indústria produtiva, e política, com a incapacidade do principal partido do Parlamento de governar. Este facto tem acarretado uma crescente radicalização à esquerda. Acresce ainda o clima social vivido em alguns países da EU, tais como a Grécia, a França e a Grã-Bretanha, que tem alimentado o imaginário de certa esquerda. É pois neste clima que se movem os principais actores da esquerda.

Tendo em atenção este facto, torna-se impossível os principais partidos à esquerda do PS poderem contemporizar com este, principalmente com o seu Governo e com o seu chefe incontestado, José Sócrates. O PS pela política defendida e pelas propostas de Orçamento e de PECs apresentadas tem-se vindo a isolar cada vez mais da sua esquerda, praticando uma clara política de colaboração com a direita. Apesar de algumas vozes, que não chegam aos céus dos media, virem regularmente apelar para que se faça mais um esforço de diálogo entre o PS e as forças à sua esquerda, nunca isso esteve tão distante. Daí as dificuldades que a candidatura de Alegre enfrenta.

Como têm o Bloco e o PCP reagido a esta situação? O Bloco apresentando-se cada vez mais como um partido da esquerda não conciliadora, tentando sempre apresentar alternativas que forcem a sociedade portuguesa a evoluir para a esquerda. Há muito que ficaram para trás as causas fracturantes, que facilmente foram recuperadas pelo PS, e se virou para as preocupações sociais e do desenvolvimento económico. Recorrendo a certos chavões da gíria política, tornou-se um partido responsável, reformista e integrado no sistema, apesar de recusar, e bem, qualquer colaboração com o PS chefiado por Sócrates, mas apoiando um candidato da ala esquerda daquele partido, que em tempo oportuno soube dialogar com ele.

O PCP, seguindo na prática uma política semelhante, utiliza na sua definição ideológica e no seu convívio com as demais forças políticas um acentuado sectarismo e esquerdismo verbal, que o arrastam permanentemente para o isolamento, que de um modo geral é procurado, e que no campo internacional o levam a defender as coisas mais indefensáveis. Dai a apresentação de um candidato próprio à presidência da República, sem carisma e sem qualquer relevância política, a não ser dentro do seu partido. Deste facto resulta que na prática as votações do Bloco e do PCP sejam semelhantes na Assembleia da República, mas que depois na vida real não haja quaisquer consequências unitárias ou de acção comum, excepto aquelas que se desenvolvem no âmbito sindical, mesmo aí depois de muitas negociações e de pequenas escaramuças.

A radicalização da sociedade portuguesa acarretou o aparecimento, cada vez com maior visibilidade, do velho esquerdismo, sempre latente desde os anos 60 e 70 na sociedade portuguesa. Hoje simplesmente ele manifesta-se de maneira diferente. Não temos partidos a reivindicarem-se do passado do PCP, mesmo a tentar refundá-lo ou a criar um novo. Temos jovens anarquistas a lutarem contra o sistema ou alguns esquerdistas a assumirem que a luta é contra o capitalismo e não pela sua reforma. Mas temos também, e não tínhamos, ecologistas, mais ou menos radicais, ou apologistas de um viver alternativo à actual sociedade capitalista. Não sendo iguais, conservam igual radicalidade dos tempos antigos. E a crise social e económica do capitalismo tem os vindo a alimentar e a fazer progredir. Em que é que isto se reflecte nas relações destes grupos com os partidos de esquerda com representação parlamentar? Em primeiro lugar, o afastamento de alguma desta gente, os anarquistas nunca lá estiveram, do Bloco. Em segundo, uma recusa total em apoiar Manuel Alegre, o candidato também de Sócrates, como dizem. Em terceiro, uma certa aproximação ao PCP, com a esperança nunca verificada, de que este partido apoiasse um candidato unitário não comprometido com o PS, ou que, dado o seu esquerdismo verbal, os viesse a secundar na sua crescente radicalização social e política.

Em que é que as últimas lutas: manifestação anti-NATO e da Greve Geral, alteraram esta situação? Um maior afastamento dos movimentos radicais do Bloco, considerado um partido do sistema, ao aceitar integrar a parte da frente da manifestação anti-NATO e ao distanciar-se dos grupos que integravam a PAGAN, outra das plataformas que se propunha lutar contra a cimeira daquela organização militar, apesar de alguns dos seus aderentes continuarem a participar nela. E de não terem defendido uma manifestação no final da Greve Geral e terem-se ficado por um espectáculo de variedades na Praça da Figueira. Mas acima de tudo, e anterior àqueles factos, por ser um partido que concentra grande parte de sua actuação no Parlamento e apoia Manuel Alegre.
Em relação ao PCP, apesar de nunca terem morrido de amores pelos comunistas, achavam que teriam alguns pontos em comum. Rapidamente, na manifestação anti-NATO, verificaram o que é a acção trauliteira e sectária do PCP e é vê-los na net a desenterrar todo o conjunto de adjectivos que os seus pais espirituais de há cerca de quarenta anos despejavam sobre aquele partido. Por último organizaram uma manifestação anti-capitalista no dia Greve Geral, que garantem que foi um êxito, seguida de ocupação de uma casa da Câmara que estava devoluta . Tudo acções que não contaram com o apoio da CGTP e por tabela do PCP. A defesa do Francisco Lopes, como candidato à Presidência da República pelo PCP, também não tem contribuído para a sua aproximação àquele partido.

A esquerda está hoje profundamente dividida. Verifica-se de facto uma crescente esquerdização de sectores minoritários da sociedade portuguesa. Espero, no entanto, que isto seja o sinal de que alguma coisa está a mudar, que a correlação de forças será diferente no futuro e que possamos um dia ter a esperança de ter uma “esquerda grande” a governar este país.

24/11/2010

Ainda as manifestações anti-Nato, algumas reflexões avulsas


Gostaria de começar por uma aforismo inventado por mim: quem anda metido em casa alheia dificilmente trata da sua. Vem isto a propósito de, depois de ter tratado com algum desenvolvimento a prisão de um espanhol e de uma portuguesa na fronteira do Caia e as notícias que sobre o assunto apareceram nos media, deixei por alguns dias de escrever sobre as prisões, a repressão e as manifestações ligadas à cimeira da NATO, em Lisboa. Tudo isto porque andei a consultar blogs alheios e a escrever comentários numa série deles. Quase parecia o Vítor Dias que, apesar de ter o seu sempre actualizado, não perdeu nenhuma ocasião de combater os “heréticos” que se pronunciaram sobre o assunto.

Podemos dizer que os dias que antecederam a cimeira só vieram confirmar aquilo que eu escrevi anteriormente. A fonte da contra-informação foi a polícia, que não perdeu nenhuma oportunidade de se pronunciar e de impedir a entrada de manifestantes estrangeiros só porque traziam comunicados anti-NATO (ver aqui), e a comunicação social que reproduziu passivamente os pontos de vista daquela força, quando não açulava a sua intervenção. Como Glórias do Jornalismo Português, retirando aqui o título ao Vítor Dias, há que destacar, não por mim, mas num comentário ao post do José Neves, esta reportagem de Sandra Felgueiras para o Telejornal da RTP (ver minuto 32.28) que, com grande acinte, dizia, no final da mesma, que os manifestantes, não “oficiais” (digo eu), já estavam “embriagados” ou ainda a reportagem de Paulo Moura, no Público, saborosamente comentada por José Neves.
Há que destacar igualmente as actividades de José Manuel Anes, já por mim referenciado em vários posts, que na TVI, na 6º feira ao almoço, teve o desplante de afirmar, depois de ter garantido que os Black Bloc já cá estavam todos, afinal não tinham vindo por falta de fundos, reproduzindo uma notícia do Público desse dia.

Dito isto gostava de relembrar como é que terminava um dos meus posts anteriores: “mas o que é verdadeiramente grave e atentatório das liberdades é a recomendação” – de um major da polícia – “de que os manifestantes devem evitar a "associação a grupos com cariz anarco-libertário". Então já é o major que decide quem é que participa na manifestação?”
E não é que decidiu mesmo. E pior ainda, com a colaboração do serviço de ordem da manifestação do grupo Paz sim! NATO Não!. Sem querer relatar nada, porque não estive lá, por razões que não vêm ao caso, remeto para as descrições de dois jovens amigos em quem deposito toda a confiança, uma é a do José Neves, já por mim atrás referida, e outra do Ricardo Noronha.

Para terminar gostava de fazer algumas reflexões finais. O Bloco de Esquerda foi muito criticado por ter participado na parte da manifestação que se agrupava debaixo da plataforma Paz Sim! NATO Não!, ficando assim “credenciado”, segundo a expressão de um dos membros do serviço de ordem daquele grupo, para poder descer a Avenida. Se é certo que nem todo o Bloco esteve aí. Foi referido publicamente, que o Mário Tomé, o deputado José Soeiro e outros, que eu vi na reportagem da SIC, foram na manifestação enquadrada pela polícia, a direcção do Bloco, no entanto, estava na da frente. José Neves e também outros, fazem referências depreciativas ao seu local de participação. José Neves descreve mesmo com alguma ironia o que foi a história do PSR, um dos grupos fundadores do Bloco. Eu, e porque ouvi o Louçã falar sobre este assunto, compreendo um pouco a posição do Bloco. Há alguns tempos para cá que nas manifestações ditas unitárias ou organizadas pela CGTP começa a haver a preocupação de tentar impedir a entrada do Bloco ou deste só desfilar quando os organizadores entendem. Ou seja, correspondendo ao agravamento sectário do PCP, há cada vez maior preocupação em escorraçar o Bloco, de o atirar para fora das manifestações. É nesse sentido, que o Bloco não pode de modo algum tolerar que haja donos das manifestações, por isso força a sua participação e evita isolar-se do conjunto dos manifestantes. Tenho quase a certeza que foi este o caso. No entanto, há quem ache que isto é uma cedência. Eu penso o contrário.

Por último discordo profundamente deste tipo de prosa publicada no blog Arrastão: “… o braço sindical do PCP, a CGTP, se tornou a central sindical do regime, institucionalizada e pronta a pegar em armas de forma controlada e ordeira, quais cordeiros arrebanhados pela força das circunstâncias.” Para além de revelar algum esquerdismo sectário, permite placidamente que se instale nas pessoas a ideia que a CGTP é do PCP, quando ela é a arma sindical dos trabalhadores e é a única força unitária de que dispõem. Quanto mais se disser que ela é do PCP mais este se convence que é verdade. A nossa luta é para que ela se transforme numa verdadeira Central Sindical de todas as forças que nela participam.

Pensava também fazer uma crítica aos “belos” pedaços de prosa que o Vítor Dias foi espalhando por diferentes blogs em comentários aos vários posts “heréticos”, mas como a nossa caturrice não leva a lado nenhum, por aqui me fico

18/11/2010

Quando as polícias são a fonte da contra-informação e os jornalistas os seus divulgadores passivos


Depois de ter escrito o post anterior sobre a detenção de um espanhol e de uma portuguesa que transportavam “armas brancas” e “panfletos anarquistas e anti-polícia”, segundo as próprias palavras de quem os deteve – facto que eu desconhecia –, resolvi perder umas boas horas a fazer uma pesquisa no Google para saber o que é que os media tinham de facto dito, já que me baseei unicamente no que vi na TV, em algumas notícias do Público, as mais inócuas, e numa notícia da TSF, que transcrevi.

A primeira conclusão que tirei é que, com pequenas variações, todos as notícias repetem o mesmo, tendo sido provavelmente cozinhadas com a ajuda dos faxes da Agência Lusa. Depois, percebe-se que a principal fonte de informação é a GNR, até posso citar um oficial que deu as informações (ver TSF ) e provavelmente do SEF (ver vídeo da TVI 24). Aquilo que eu no post anterior denominei acções de contra-informação do Governo e da Nato são de facto destas duas polícias. As TVs têm mais informação porque enviaram ao local, neste caso à fronteira de Caia, jornalistas que relatam in loco, entrevistando os oficiais da GNR ou do CEF, as informações ou desinformações que estes queiram prestar.
Fica claro que na noite de segunda para terça-feira, por volta das 4h00 da manhã, foram presos um espanhol e uma portuguesa, que se dirigiam para Portugal por aquela fronteira. Há uma reportagem da SIC (a mais completa que conheço e que vale a pena ver) em que se diz que eles vinham no Expresso Madrid Lisboa, quase todas as outras garantem que vinham num carro. Uma tal jornalista do Diário de Notícias, chamada Valentina Marcelino, afirma que foi por encontrarem roupas negras no porta-bagagens que a polícia desconfiou que eles pertencessem ao Black Bloc e os recambiou para o outro lado da fronteira. Esta jornalista manifesta uma clara imaginação, parece que já é contumaz, pois a sua descrição não corresponde ao que foi declarado pelas polícias.
É provável que Valentina, de mãos dadas com José Manuel Anes, queira confirmar a tese daquele de que eles já estavam todos cá.
Portanto, o que se sabe é que depois de uma revista ao porta-bagagens do carro, foram encontradas armas brancas. Na reportagem da SIC já referida vêem-se as armas, a tal catana de 40 cm - se alguém souber o que é uma catana, uma que só tenha 40 cm é bem pequena - depois uma navalha tipo borboleta, que eu não sei bem o que seja, e um estilete, também pequeno. Foi por isto que a maioria das notícias afirma, e provavelmente de acordo com a rádio Elvas, que estes cidadãos foram levados a tribunal e numa acção sumária foram condenados a pagar 1800 euros, cada um, e às custas judiciais, que ficaram pelos 500 euros. O tribunal recusou-se a confirmar esta notícia. Logo a seguir o cidadão espanhol foi expulso para Espanha e, de acordo com as declarações de um GNR feitas para uma televisão, estas já escutadas por mim, a cidadã portuguesa acompanhou-o.
Resta no meio disto tudo a informação prestada pela GNR e pelo CEF sobre os panfletos. Alguns jornais chamam lhes cartazes, mas aquilo que foi mostrado na tal reportagem da SIC são panfletos, que eram de má qualidade porque eram fotocópias, o que não é razão, e estavam escritos em espanhol – óptimo para convencer portugueses. Naquele que nos é mostrado vê-se um polícia, mas não se consegue ler o que lá está escrito, no entanto a SIC sublinhou duas frases, uma: “torturam, maltratam e gozam de impunidade”- veja-se o caso do cantor negro rapper que foi assassinado numa operação stop - a outra “eles expulsam emigrantes” - parece que não é verdade -. Já se sabe que, pela voz das tais entidades, os panfletos são de cariz anarquista – esta do cariz é minha – e anti-polícia a que alguns acrescentam com apelos à violência. Como eu já vos tinha afirmado no post anterior, quer numa reportagem da SIC Notícias, quer na TSF, desaparece o termo anarquista e os panfletos passam a ser só anti-polícia. Hoje reparo que isso se verifica em mais locais.
Concluindo, desconheço qual a legislação que impede a entrada de cidadãos estrangeiros indesejáveis e o que é que está estabelecido nos acordos que aboliram as fronteiras em alguns países da EU. Não sei também o que é que a lei estabelece sobre o que se considera armas brancas que não se podem transportar, penso que também deve haver definições para isso. Se eu levar para um piquenique uma faca, posso ser acusado de transportar uma arma branca? Se a polícia embirrar comigo provavelmente sou. Ou se tiver um canivete suíço, daqueles que têm múltiplas funções, também estarei ao abrigo de tal legislação? De avião sei que nos impedem de transportar as coisas mais mirabolantes.
Agora o que não se pode acusar ninguém é de transportar panfletos anarquistas, e dessa coisa indefinida, que é ser anti-polícia. Ainda ontem na SIC um cidadão se queixou que tinha sido barbaramente agredido numa esquadra, porque o confundiram com um ladrão. Isso não será propaganda anti-polícia. E mesmo que o panfleto fizesse apelo à violência, coisa muito discutível, só um tribunal e de acordo com a lei, se ela existir, poderá definir e julgar se isso é ou não crime.
Tudo o que foi dito e escrito é um exemplo, dos velhos métodos da PIDE, de que a polícia nunca se libertou, e de um jornalismo vendido e passivo capaz de aceitar como boas as justificações das polícias. Ou seja, se a polícia prende um cidadão e o recambia para o seu país de origem por transportar cartazes anarquistas e o diz publicamente está a socorrer-se dos velhos métodos de prender alguém por transportar propaganda subversiva. Compete aos jornalistas quando dão a notícia dizer que isso não é crime e que essa nunca poderá ser uma boa razão para prender alguém. Algum jornalista disse isso?

Gostaria de terminar com estas afirmações de um major da PSP que em relação às manifestações que estão previstas, e que obedecem ao que está estipulado na lei, recomenda que ninguém pode andar de cara e cabeça tapadas. Esta última é uma exigência perfeitamente absurda, porque eu tenho frio na cabeça e preciso de usar boné ou chapéu. Também não se pode levar objectos cortantes ou contundentes, admito. Mas o que é verdadeiramente grave e atentatório das liberdades é a recomendação de que os manifestantes devem evitar a "associação a grupos com cariz anarco-libertário". Então já é o major que decide quem é que participa na manifestação?

É por estas e por outras que é necessário defender a todo o custo a legalidade democrática e poder a todo o momento dizer ao major, e a todos os GNRs e SEFs de Portugal, que a PIDE já foi extinta e que não toleramos métodos semelhantes.

17/11/2010

Lisboa em Estado de Sítio ou a maior manobra de manipulação dos media


Vai realizar-se em Lisboa uma cimeira da NATO nos dias 19 e 20 próximos. Não vou discutir aqui, será fácil perceber a minha opinião, a razão da existência da NATO e o porquê desta cimeira em território nacional, quero só abordar as medidas tomadas e o controlo estrito da informação que tem sido realizado.

Em primeiro lugar as medidas que vão ser tomadas parecem colocar o país, e particularmente Lisboa, em Estado de Sítio. Não me sentia assim desde o 25 de Novembro, quando a partir de certas horas era proibido circular em Lisboa.
Mas não é só isso. Hoje foi noticiado que tinham sido detidos na nossa fronteira um espanhol e uma portuguesa, por transportarem armas brancas e comunicados anarquistas. Quanto às armas, pela descrição feita, pareceram-me canivetes de limpar as unhas, quanto aos comunicados, de repente pareceu-me voltar aos tempos dos comunicados da PIDE, que afirmavam que uns tantos indivíduos tinham sido apanhados na posse de propaganda subversiva. Verdadeiramente, não há nenhum jornalista que confronte o oficial da GNR que fazia estas declarações, se neste pais está proibida a propaganda anarquista – é mais fácil confrontar o primeiro-ministro com perguntas parvas do que um oficial da GNR –. Não podemos tolerar situações deste género. O regime democrático garante a liberdade de expressão. Os meios de informação, especialmente as televisões, transformaram este atentado às nossas liberdades numa situação banal, que merece repressão por parte das autoridades.

O segundo ponto, tem sido, além da constante exibição dos treinos das polícias, a espantosa subserviência dos jornalistas, pelos menos da RTP, ao irem interrogar os lojista da Baixa e da Avenida da Liberdade se não têm medo das manifestações, nem que lhes partam as montras. Nenhum jornalista sério foi capaz de dizer que há uma manifestação que foi comunicada à polícia, e que portanto se pode realizar, marcada para o dia 20, que decorre entre o Marquês de Pombal e o Rossio. Mais, nenhum jornalista, pelo menos da RTP, foi interrogar os promotores desta manifestação, perguntando-lhe as razões da mesma e se eles não têm um serviço de ordem que assegure o bom desenrolar da mesma. Não houve, que eu tenha conhecimento qualquer contraditório em relação à NATO e à realização da cimeira em Lisboa. Mais, tem-se insistido até à exaustão na possibilidade de desacatos e de haver manifestantes anti-globalização e anti-NATO que provoquem distúrbios.

Tal como eu já tinha alertado José Manuel Anes, que na juventude era uma marxista convicto, e que actualmente, além de pertencer a essa associação secreta chamada maçonaria, é presidente da direcção do Observatório de Segurança Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT), veio mais uma vez dizer uns dislates para a televisão e não só (ver aqui e aqui), e o pior é que lhe deram tempo de antena. Garantiu que já estavam no nosso país militantes anarquistas prontos a fazerem distúrbios. Há quem me garante que o “rapaz” é simpático, eu quando era jovem também o achava, hoje não passa de um mero provocador, pronto a colaborar com o terror instalado.

Quero ver se ainda se vai realizar algum programa na televisão de debate entre quem é pró-NATO e anti-NATO – que belo tema para o Prós e Contras, de 2º feira. Pelo que se está a ver, todo o mundo sensato é a favor da NATO, o resto são uns desordeiros prontos a atentar contra ordem estabelecida, que até transportam comunicados anarquista. Estamos pois perante a maior operação de desinformação que tenho assistido. A isto o Sr. Pacheco Pereira nada diz.

PS. (às 16h15): já hoje, no noticiário das 11h00, da SIC Notícias, uma locutora depois do GNR ter dito que duas pessoas tinham sido detidas por posse de arma branca, perguntou de seguida se também pelos comunicados anti-polícia. Aqui o GNR resolveu desconversar e dizer que serão detidos todos aqueles que viessem com objectivos de provocar distúrbios – não sei como os distinguem. Portanto, os panfletos anarquistas já se transformaram em anti-polícia: coisa que verdadeiramente eu não sei o que seja. Deve ser de algum sindicato de GNR que não gosta dos seus comandantes. Mas o que é mais espantoso é que esta pergunta, que eu pensei que resultasse da alta congeminação da jornalista, estava também incluída numa notícia da TSF. Portanto, vem provavelmente via Agência Lusa. Ou seja, o Governo ou a sua Central de Contra-Informação, achando ridículo que se prendesse alguém por transportar comunicados anarquistas, transformou-os em anti-polícia. Temos portanto jornalistas que puseram a sua independência informativa ao serviço da contra-informação governamental e da NATO.

01/06/2010

300.000 Manifestam-se por uma política diferente



Vejam esta reportagem em vídeo da Manifestação de 29 de Maio, acompanhada da bela música de Sérgio Godinho. Termina com o hino da Inter.

31/05/2010

Festa ou luta: a Manifestação de 29 de Maio


Já se passaram quase 48 horas sobre a Manifestação de 29 de Maio e eu, num atraso injustificável, venho escrever sobre um tema que já se dissolveu na espuma dos dias.
No entanto, não quero deixar de assinalar uma discussão que perpassou entre os blogs 5 Dias (ver aqui, aqui e aqui) e o Vias de Facto (ver aqui, aqui e aqui) e que se resume, naquilo que me interessa, entre saber se a Manifestação de 29 de Maio era uma festa ou uma jornada de luta. Houve um cartaz, que eu só vi reproduzido na blogosfera, que apelava à participação num “protesto geral”, chamando-lhe “Concentração Anti-capitalista”, e que decorreria meia hora antes da manifestação da CGTP, marcada para o mesmo dia, com início no Marquês de Pombal. Este apelo, tinha como subtítulo “A crise dos poderosos é a festa dos oprimidos”. Daí, portanto, além da discussão sobre os verdadeiros objectivos daquele apelo, debatia-se igualmente se aquilo que se iria passar no Sábado era uma festa ou uma jornada de luta. José Neves, com muita graça, terminava um post no Vias de Facto assim: “Ou alguém duvida que, depois da manif, boa parte dos que estamos aqui a escrever sobre este assunto, vamos é comer uns caracóis e beber umas cervejas e festejar a "jornada de luta"? Nesse momento, é só olharem para o lado e verem não sei quantos trabalhadores a fazerem o mesmo. Talvez aí vejam quão idiota é este jogo de espelhos.”
Eu por mim, que não gosto de caracóis, terminei esta manifestação comendo uma deliciosa tosta mista, acompanhada de cerveja. Mas no passado 25 de Abril lá fui comer os tradicionais caracóis e depois banqueteei-me, com aquilo que verdadeiramente aprecio, que são as conquilhas, por sinal bem grandes.
Mas abandonando este tom, um pouco cínico, sobre o final das manifestações. Gostaria de recordar que o verdadeiro enquadramento das mesmas tem pura e simplesmente a ver com as situações concretas em que se realizam e pouco devem às discussões teóricas que se tecem à sua volta.
Vejamos, durante anos, a UGT, no 1º de Maio fazia umas festinhas anémicas ali para os lados da Torre de Belém e dizia que estava a festejar o dia do trabalhador. Depois, quando ganhou coragem, lá passou a descer a Avenida da Liberdade e parece que acrescentou que a jornada também era de luta. A CGTP respondia sempre que festejar o dia do trabalhador era lutar pela melhoria das suas condições de vida e pelos objectivos concretos que se punham em cada 1º de Maio. Esta polémica durou anos e serviu para entreter muito locutor da televisão, que regularmente lá ia fazendo a cada um dos secretários-gerais das duas Centrais a tradicional pergunta se aquele dia era de festa ou luta. Por isso, lamento, mas quando leio estas discussões vêm-me sempre à memória esta bizarra polémica que todos anos servia para tema de abertura dos telejornais. É evidente que uma manifestação com os objectivos que esta tinha constituía uma jornada de luta, mas simultaneamente, dado o carácter pacífico em que decorreu, era também uma festa. Luta, e luta dura, foram durante o fascismo, as manifestações da Oposição, quando nos arriscávamos a ficar com uns hematomas na cabeça ou nas costas ou até, em casos excepcionais, uma bala no corpo. Essas não tinham qualquer carácter de festa. Era a fúria que nos tomava quando a polícia marchava sobre nós e quando a única arma que tínhamos eram as pedras retiradas do passeio.
Suspeito que alguns que clamam pela festa estão a pensar numa boa carga policial e nuns vidros partidos, numas barricadas, como no Maio de 68. A esses, só há que apelar para se organizarem e serem capazes de arrastar as massas para esse grau de luta, não se sirvam é das manifestações dos outros, dos tais reformistas, para fazerem peito à polícia e ao poder. Não podemos, com irresponsabilidade, transformar jornadas que são de luta e combatividade, mas também de festa, em cargas policiais que afastariam milhares de trabalhadores organizados e deixariam isoladas as vanguardas "esclarecidas". Aquilo que demorou tantos anos a conquistar: a legalidade de nos podermos manifestar, não pode ser transformada em cargas policiais. Uma manifestação não é e a tomada do Palácio de Inverno e mesmo muitas nem sempre resultam na vitória das nossas exigências sociais.

28/05/2010

Grande Manifestação Nacional - 29 de Maio

Vai e participa.