PROTESTO APARTIDÁRIO, LAICO E PACÍFICO
- Pela Democracia participativa.
- Pela transparência nas decisões políticas.
- Pelo fim da precariedade de vida.
Blog sobre política, actualidade nacional e internacional, história contemporânea e do movimento comunista, marxismo, Ex-URSS e muitas outras coisas que se verão. Notícias bibliográficas e referências à história do cinema, por vezes ao cine-clubismo. Estados de alma e crítica de costumes. Tudo o que for oportuno para desmascarar as ideias dominantes.
Quando da passagem do 75º aniversário do início da Guerra Civil espanhola, a 17 e18 de Julho deste ano, a maioria dos blogs de esquerda resolveu, e bem, assinalar a data, cada um com as suas opções ideológicas próprias. Estou-me a recordar do blog de Joana Lopes, Entre as brumas da memória, que nos remete para dois dossiers, um deles elaborado por El País e que era bastante interessante. Mas também, o que me causou alguma estupefacção, a referência que Miguel Serras Pereira, no Vias de Facto, fazia a uma canção revolucionária espanhola, Ay Carmela, com uma letra em francês, que faz referência aos acontecimentos de Maio de 1937, em Barcelona – uma pequena guerra civil dentro da Guerra Civil geral, e que opôs as facções trotskistas (POUM) e anarquistas e a sua central sindical (FAI e UGT) ao Governo da Frente Popular, sedeado em Valência, principalmente à sua ala comunista e socialista moderada –, que eu conhecia com uma letra completamente diferente (pode-se ouvir a canção original no próprio post de Joana Lopes ou ler a letra aqui).
Durante 48 anos a direita portuguesa sempre recorreu ao chanfalho ou ao cassetete para pôr na ordem os trabalhadores portugueses. Salazar propunha que se desse uns “safanões a tempo” naqueles que protestavam para se evitar males maiores. A direita sempre foi caceteira e sempre recorreu à repressão para dirimir os conflitos e protestos sociais e políticos. Nós já nos esquecemos disso, mas é bom recordá-lo às novas gerações.
Penso que este não seja um tema suficientemente digno para merecer um post, no entanto, como estes concursos preenchem parte do meu serão e tenho sobre os mesmos opinião, não deixarei de vos maçar com este assunto.
De repente, aquele que era conhecido como o soba da Madeira, segundo a expressão feliz de Miguel Sousa Tavares, transformou-se na vergonha nacional, lançado ao opróbrio público, capaz de igualar com toda a cáfila de monstros da história portuguesa. A televisão pública, sempre respeitosa e obediente para com o poder dominante, não teve pejo em acelerar as imagens de uma reportagem dedicada às inúmeras inaugurações que todos os dias Alberto João fez em vésperas da campanha eleitoral.
Mais uma vez venho-me penitenciar junto dos meus leitores do atraso na actualização deste blog. Razões de saúde, sempre as mesmas, são uma das causas, mas também aquilo a que eu chamei anteriormente a errância estival. Desta vez, mais uma semana na Manta Rota, agora com neto e filha e os anos desta. O computador tal como foi, assim regressou, nem o abri. Mas, no fundo, uma enorme preguiça de escrever qualquer coisa que se visse.
Mais uma vez venho pedir desculpa aos meus leitores mais fiéis por este atraso na actualização do blog. Questões de saúde, sempre as mesmas, e a errância estival são as causas principais. Por isso, se alguns dos temas são requentados é devido a este atraso.
Vai na blogosfera uma farta discussão sobre os resultados do Bloco nestas eleições (ver os exemplos mais expressivos aqui, aqui e aqui). Até militantes do PCP, alguns de modo cordato, se meteram ao barulho (ver este, feito por alguém que vive longe do país, e este, fugiu-lhe, no entanto, o pé para criticar aqueles que, sendo do Bloco, abandonaram o PCP). A agitação vai tão forte que o Telejornal chega mesmo a ter uma rubrica com declarações de Daniel de Oliveira e Joana Amaral Dias sugerindo a demissão dos dirigentes do Bloco, na sequência daquilo que todos os comentadores de direita têm vindo a pedir: se saiu Sócrates, porque não Louçã.
O cenário que eu propunha aos meus leitores era do que o PS perdesse por poucos, mas houvesse uma maioria de esquerda e PSD-CDS ganhassem sem maioria. Isto permitiria provavelmente afastar José Sócrates e obrigar o PS a entrar para um bloco central, fragilizando qualquer governo que se formasse nesta situação de crise. A esquerda teria tempo de repensar a sua estratégia e, a longo prazo, ou havia novas eleições ou o PS se aliava à esquerda. Isto sonhava eu acordado, baseando-me naquilo que as sondagens iam debitando.
Vi ontem, mais uma vez, a Quadratura do Círculo. A direita está impante, parece que já tem a vitória no papo. Pacheco Pereira espera que o PSD ganhe com uma maioria folgada e Lobo Xavier acredita que o CDS vá upa! upa! a crescer. Não se querem comprometer com números, mas a felicidade assoma-lhes ao rosto. Acreditam que destas eleições irá resultar um Governo PSD-CDS e já lhe fazem recomendações. Pacheco Pereira mais prosaico, afirma que o PSD tem que descer à realidade e abandonar o seu programa. Bem intencionado, diz ele, mas inaplicável. O liberalismo não se coaduna bem com a realidade portuguesa.