07/06/2011

Análise dos resultados eleitorais

O cenário que eu propunha aos meus leitores era do que o PS perdesse por poucos, mas houvesse uma maioria de esquerda e PSD-CDS ganhassem sem maioria. Isto permitiria provavelmente afastar José Sócrates e obrigar o PS a entrar para um bloco central, fragilizando qualquer governo que se formasse nesta situação de crise. A esquerda teria tempo de repensar a sua estratégia e, a longo prazo, ou havia novas eleições ou o PS se aliava à esquerda. Isto sonhava eu acordado, baseando-me naquilo que as sondagens iam debitando.

Como se viu, nada disto sucedeu. O cenário idealizado por mim agravou-se de tal modo, que aquilo que parecia uma saída para a crise política se transformou no seu completo bloqueio. Mas passemos aos resultados.

O PSD ganhou sem qualquer dúvida estas eleições e obtém com o CDS uma maioria de direita clara. É evidente que o PSD ficou bastante longe da maioria absoluta que pedia e até dos 40% que Durão Barroso tinha obtido em 2002. É interessante, como já alguém escreveu, que neste momento nenhum partido consegue chegar aos 40% para ganhar eleições: sucedeu assim com o PS em 2009 e agora com o PSD. Isto verifica-se porque o CDS cresceu e o Bloco veio permitir um aumento da votação à esquerda.

Por outro lado, o CDS, contrariando as sondagens, teve uma votação menor do que esperava, mas mesmo assim cresceu em percentagem, mais de 1%, e em deputados, mais 3.

Quanto ao PS não teve uma derrota estrondosa, mas, como os media já foram divulgando, desde 1987 que não tinha um resultado tão mau. Mesmo quando Ferro Rodrigues perdeu com Durão Barroso teve quase 38% dos votos. Só nos tempos de Cavaco Silva e da AD, de Sá Carneiro, é que os resultados do PS foram mais baixos do que este e isso já se passou há muitos anos.

Causa desta derrota e da vitória da direita. Para mim são duas, a primeira e a principal, foram os anti-corpos que Sócrates foi criando na população portuguesa e, mais do que isso, o estado a que permitiu que o país chegasse. Provavelmente já teria perdido em 2009, se não fosse a campanha desastrosa de Manuela Ferreira Leite e do seu núcleo dirigente e a intervenção idiota do Presidente da República a propósito das escutas telefónicas. Mas, neste momento, atendendo ao estado a que o país tinha chegado, era inevitável. A segunda causa, intimamente ligada à anterior, é psicológica e encontrei-a na conversa que tive com alguém que me é chegado: a festa acabou, temos que trabalhar mais, acabar com os feriados excessivos, temos que levar isto a sério, porque agora já me foram ao bolso. Parte da população interiorizou o discurso da direita. Convenceu-se que se está a viver pior, foi porque andaram a gastar o seu dinheiro à tripa forra, porque não se trabalha o suficiente e tem-se regalias a mais. Nos tempos das vacas gordas esta gente votava PS, hoje, quando lhe mexem nos seus ordenados, pensa que é o discurso da direita que a levará a bom porto e não a contestação da esquerda.

E a esquerda! Daqui para a frente e porque penso que o PS é de centro-esquerda, referir-me-ei só ao PCP e ao Bloco. Quanto ao PCP a verdade é que não pode festejar uma grande vitória. A única que lhe valerá para alguma coisa é a ter passado à frente do Bloco. Porque quantos aos resultados não são nada de excepcional. Subiu menos do que uma décima, de 7,86, em 2009, para 7,94%, e ganhou com isso um deputado. No entanto nas três últimas eleições, 2005, 2009 e 2011, as percentagens não têm fugido aos 7 vírgula qualquer coisa, só em 2002 é que teve 6,94%.Ou seja, levou cerca de dez anos a subir 1%. Podemos também afirmar que em toda a década de 90 não fugiu aos 8 vírgula qualquer coisa. Partido mais constante que este não há. Por isso, com base nos resultados eleitorais não se pode tirar qualquer conclusão de vitória ou derrota do PCP, está sempre na mesma.

Já o mesmo não se pode dizer do Bloco, depois duma ascensão meteórica uma queda de igual valor: 2,74%, em 2002, 6,35%, em 2005, 9,82%, em 2009, e 5,19% em 2011. A derrota foi suficientemente pesada para que não se tenham que tirar rapidamente ilações.

A primeira é se alguma vez o Bloco parou para pensar e descobrir qual é o seu eleitorado. Tenho para mim que é muito diverso, fragmentado e que em alguns casos pode até chegar à direita, seduzida pelo seu discurso justiceiro. Ora numa situação destas é difícil contentar todos. Por isso, se virmos as análises que aqui e ali têm sido feitas ao Bloco as ilações são variadas. Para uns não foi suficientemente de esquerda, para outros é uma repetição do PCP, sem ter a solidez deste. Para estes, o Bloco abandonou a sua matriz inicial social-democratizante, transformando-se num puro partido de protesto.

Eu tenho para mim que o Bloco deve tentar perceber o eleitorado que vota nele, que é francamente diferente do dos seus militantes. Eu, que há muitos anos ando nisto, fui encontrar no Bloco muito dos velhos militantes da UDP com quem em tempos tinha traçado armas pelo PCP. Ora esta gente, que hoje reconheço é tão generosa e bem intencionada como os velhos militantes do PCP de quem eu ainda continuo a ser amigo, não é de certeza o votante típico do Bloco e por isso tem que haver uma apreciação crítica desta situação. Mas há mais, há os erros recentes. O primeiro foi o apoio, provavelmente já fora de horas, a Manuel Alegre. Este apoio não nos trouxe o PS de esquerda, nem alguma esquerda, que eu defini, em textos anteriores, como aquela que claudicou perante o PS, como afastou todos aqueles que não admitiam qualquer colaboração com o PS de Sócrates. Para mim, a derrocada de hoje, começou antes, com a derrota expressiva de Manuel Alegre. Este foi sem dúvida nenhuma um assunto mal resolvido. Mas, pior ainda foi a moção de censura. Não por ter sido apresentada, mas a forma atabalhoada e ziguezagueante como foi embrulhada. A ofensiva dos media e dos comentadores encartados contra o Bloco, passando por alguns militantes do mesmo, foi devastadora.

Depois, provavelmente, a não ida até à troika, trouxe o afastamento de muita gente que votava no Bloco, sensível também às críticas dos media.

O Bloco deixou criar a ideia que era um partido que não fazia parte de uma alternativa, mas um partido de protesto e para isso já tínhamos o PCP.

Estas são algumas causas políticas desta derrota, que eu diria anunciada, do Bloco de Esquerda e provavelmente de toda a estratégia ultimamente seguida por este. Porque tenho sido um defensor desta estratégia, em post posterior gostaria de fazer algumas considerações mais profundas e talvez uma auto-crítica em relação àquilo que tenho defendido. Até breve.

03/06/2011

António Costa defende o Bloco Central

Vi ontem, mais uma vez, a Quadratura do Círculo. A direita está impante, parece que já tem a vitória no papo. Pacheco Pereira espera que o PSD ganhe com uma maioria folgada e Lobo Xavier acredita que o CDS vá upa! upa! a crescer. Não se querem comprometer com números, mas a felicidade assoma-lhes ao rosto. Acreditam que destas eleições irá resultar um Governo PSD-CDS e já lhe fazem recomendações. Pacheco Pereira mais prosaico, afirma que o PSD tem que descer à realidade e abandonar o seu programa. Bem intencionado, diz ele, mas inaplicável. O liberalismo não se coaduna bem com a realidade portuguesa.

Que a direita esteja satisfeita, ou queira mostrar que está, é compreensível, mas o que é mais grave é a atitude de António Costa, que já aceita como inevitável, pelo menos da sua conversa transparece isso, a derrota do PS. E depois desfia o rosário das queixas do PS em relação ao PSD. Volta com o cenário da irresponsabilidade na abertura da crise e com toda a tralha que José Sócrates nos tem andado a vender desde o princípio da mesma. Mas daquilo que ele mais se queixa é dessa intolerância da direcção do PSD ao não compreender o papel central que o PS tem no estabelecimento de consensos na sociedade portuguesa e, por isso, sente uma enorme amargura por ter sido afastado liminarmente por Passos Coelho da constituição do próximo Governo. Como injusto é aquele líder, quando o PS se ganhasse estaria na disposição de se aliar ao PSD para formar Governo, e isto foi dito com todas as letras. A vitória do PS nas próximas eleições acarretaria uma proposta de aliança ao PSD para governarem em conjunto.

Depois de ouvir isto, que já era a doutrina oficial de Sócrates, mas não tão explícita, lembrei-me de tudo aquilo que António Costa tem dito e fomentado nos seus amigos e das posições de alguma esquerda, que eu considerei que claudicou, que aconselha o voto no PS para travar a deriva neo-liberal do PSD ou o sonho de Sá Carneiro, uma maioria, um Governo e um Presidente. No primeiro caso, lembrei-me do abaixo-assinado para uma maioria de esquerda para a Câmara de Lisboa, que foi apoiado por António Costa e desencadeado por um grupo significativo de homens de esquerda e que no final serviu para Helena Roseta voltar ao redil socialista, para António Costa ganhar a Câmara e depois fazer um acordo com o PSD para dividir administrativamente a cidade de Lisboa, com claro prejuízo de um dos partidos de esquerda. O segundo caso é os apelos de alguma esquerda, mesmo que dirigidos a toda ela, mas que no fundo desejam canalizar para o PS a votação da esquerda, porque só este partido terá condições de resistir aos males que se avizinham.

Não gostaria de terminar sem assinalar que uma das causas que Pacheco Pereira atribui à subida do PSD nas sondagens é que este, na recta final, virou as suas baterias contra Sócrates, transformando estas eleições num plebiscito a favor ou contra o Primeiro-ministro. Ora este problema tem sido um pouco subestimado pela esquerda, ao considerar que o problema não está na personagem primeiro-ministro, mas sim nas políticas por ele desenvolvidas. Sendo isto verdade, não podemos esquecer a própria figura de Sócrates, dos seus casos, das suas aldrabices e invenções. Sócrates é um homem perigoso, que arrastou o PS atrás de si e que, tirando os seus apoiantes fanáticos, concita um profundo ódio em grande parte da população portuguesa e isto não se pode esquecer.

Sei que esta recomendação já vem um pouco tarde, mas muitas vezes não se pode separar o homem das políticas que prossegue. E às vezes, por um excesso de abstracção ideológica, ficamo-nos só pela política e esquecemos dos seus executantes.

31/05/2011

Españistán, de la Burbuja Inmobiliaria a la Crisis (por Aleix Saló)



Enviaram-me este vídeo sobre a bolha imobiliária e a crise em Espanha. Achei  tão interessante e verdadeiro, que resolvi compartilhar esta animação de Aleix Saló convosco.

28/05/2011

Preferes a peste ou a guerra?

Por motivos vários, mas que na maioria dos casos têm a ver com a minha saúde, não tenho escrito nada no blog. Mesmo a série de três posts que iniciei no princípio do mês, ainda não foi acabada e, para ser verdadeiro, já não me lembro bem o que pretendia escrever no último. Portanto ficará como está.

O que hoje me trás aqui, e que no fundo anda sempre à volta do mesmo, são dois artigos, um de Daniel de Oliveira, Sócrates ou Passos? Passo  e outro de Rui Tavares, Duas catástrofes. Resumidamente, qualquer deles critica a dicotomia, hoje obrigatoriamente imposta pelos media, entre votar Sócrates ou Passos Coelho. Rui Tavares é mesmo muito claro, a vitória de Passos Coelho iria provocar a catástrofe económica e social, com Sócrates teríamos a política. Qualquer deles não é muito favorável à tese desenvolvida na esquerda da igualdade entre os dois. Rui Tavares refere-se mesmo a um tempo mítico do PS, que eu penso que nunca existiu.

Em tempos, eu próprio já tinha abordado esta triste dicotomia, afirmando que PSD e CDS eram os nossos inimigos principais e o PS, o inimigo secundário. Isto mereceu, na altura, algumas críticas de certa ortodoxia. No entanto, em qualquer dos casos, eu não deixava de considerar estes dois blocos, pertençamente alternativos, como inimigos. Considerava simplesmente que tinham objectivos diferentes e que não seria indiferente o Governo de um ou de outro.

Hoje, torna-se para mim cada vez mais claro, que a contradição fundamental dos nossos dias é entre quem assinou o acordo com a troika estrangeira, como lhe chama Jerónimo de Sousa, e quem não o fez e resiste às suas imposições. É evidente, que nesta eleições esta diferença não está devidamente realçada, nem pelos media, que não estão interessados nisso, nem pelos próprios, Bloco e PCP, em que cada um por seu lado concorre nas respectiva bicicleta. Espero que no futuro e perante as expectativas que ameaçam o povo português estas duas forças, agregando à sua volta todos aqueles que se opõem à troika estrangeira, consigam transformar-se num pólo alternativo, com força suficiente para mudar o rumo das coisas.

Não queria terminar sem, no entanto, especular um pouco sobre os cenários possíveis e desejáveis no pós-eleições. Sou defensor que o PSD ganhe por muito poucos e não consiga com o CDS estabelecer uma maioria absoluta. Que o PS perca, mas que haja uma maioria dita de esquerda na Assembleia da República. Nada disto é impossível de suceder. As sondagens permitem tornar verosímil este cenário.

Qual era a vantagem disto? Era tornar impossível a criação de um Governo de direita, mas por outro lado obrigar o PS a verdadeiramente se confrontar com a sua derrota e possivelmente substituir José Sócrates, o que seria um bem para todos, e a cair, para cabal esclarecimento da esquerda que claudicou (ver o meu post), nos braços do PSD, para fazerem o bloco central. - Já se sabe que eu não acredito nas palavras de Manuel Alegre que defende que o PS se perder deve passar à oposição -. Um Governo assim teria muito pouca estabilidade e permitiria a qualquer momento derrubá-lo.

Resta acrescentar que o meu maior desejo é que o Bloco mantenha os 16 deputados que tinha e que fizeram um bom trabalho e que por óbvias razões irei votar Bloco de Esquerda.

PS.: Imagem de Os quatro cavaleiros do Apocalipse, de Albrecht Dürer (1471-1528). Quadro de 1498. Os quatro cavaleiros são a peste, a fome, a guerra e a morte.

25/05/2011

Eduardo Galeano- A verdade sobre a globalização capitalista



Enviaram-me esta interessante intervenção de Eduardo Galeano, um grande escritor uruguaio, autor dessa importante obra, que Chavéz ofereceu a Obama, As veias abertas da América Latina (1971). Há uma tradução portuguesa nas Edições Dinossauro.
Gostava que as boas almas que estão sempre prontas a enviar frechadas a Hugo Chávez ouvissem com atenção o que este magnífico narrador nos conta dele e da Venezuela actual.

18/05/2011

Contra a ingerência da da UE/FMI - Outro rumo é possível




19 DE MAIO, MANIFESTAÇÕES EM LISBOA E PORTO - NÃO AO “ACORDO”

Amanhã, dia 19 de Maio, a partir das 14.30 horas, em Lisboa e no Porto, a CGTP-IN promove duas grandiosas manifestações contra o “acordo” entre a troika e o governo do PS, com o apoio dos partidos da direita, PSD e CDS-PP.

Contra a recessão e o aumento do desemprego, das injustiças e das desigualdades, contra os cortes nos salários e nas pensões e o aumento brutal do custo de vida, a CGTP-IN apela à participação de trabalhadores, desempregados e população portuguesa nas manifestações marcadas para o Porto (com concentrações marcadas às 14.30 horas para as Praças dos Leões e da Batalha) e em Lisboa (com concentração marcada às 15.00 horas para o Largo do Calvário).

Manuel Carvalho da Silva discursará por volta das 16.30 horas, em Belém, Lisboa e João Torres, por volta das 16.15 na Avenida dos Aliados, Porto.

11/05/2011

A ofensiva neo-liberal, a esquerda que claudicou, e os salvadores da Pátria - II

Neste post irei dedicar-me àquela esquerda, provavelmente exígua, mas com algum acesso aos meios de informação, que há muito clama por um Governo PS, Bloco e PCP. Esquecendo quem é que comanda o PS, porque acha que não se deve imiscuir no assuntos internos dos outros partidos, se é José Sócrates ou aquela a que se convencionou chamar a ala esquerda do PS, que em determinada altura teve em Manuel Alegre o seu porta-voz.

O percurso daquela esquerda é variado e as personagens que a constituem provêm de diferentes sensibilidades políticas, todas de esquerda evidentemente. Por isso, limitar-me-ia a escrever sobre os factos mais recentes, já que em outras ocasiões, lhes fiz a crítica devida.

Aquando da apresentação da moção de censura do Bloco, ao Governo do PS, esta esquerda não esteve parada. Prevenia os incautos contra os perigos de se derrubar um Governo de centro-esquerda para o substituir por um de centro-direita. André Freire, um dos ideólogos desta corrente, veio clamar mesmo pela formação de um novo partido já que o Bloco não correspondia àquilo que se esperava dele, ser um auxiliar precioso da governação socialista, no fundo, ser a muleta do PS.

Mas as palavras de Freire não caíram em saco roto, rapidamente um grupo de cidadãos, diria que são sempre os mesmos, reúne-se e eis que surge um novo Manifesto, denominado por uma Convergência e Alternativa. Submetem pois “à consideração do PCP, do BE, e do PS, dos respectivos responsáveis mas também dos seus eleitores” as considerações que acima explanaram, “com um único objectivo: através do diálogo e do debate alcançar uma convergência política que possa oferecer aos Portugueses uma forte alternativa de esquerda.” No meio destas piedosas intenções não se esquecem de atribuir culpas ao Bloco e ao PCP, por o PCP e o BE não terem “ousado avançar para as próximas eleições com uma grande coligação das esquerdas através da mobilização de activistas dos movimentos sociais e de personalidades diversas representativas de sectores progressistas da sociedade portuguesa”. Mas a seguir isentam o PS de qualquer culpa ao manifestar “que não basta denunciar a submissão da actual direcção do PS às políticas de austeridade exigidas pelos mercados financeiros e pela UE. Sobretudo, é preciso que as restantes esquerdas aceitem iniciar um processo de convergência tendo em vista produzir uma alternativa política suficientemente credível para que, no futuro e sob pressão do eleitorado, o PS reconheça que tem um interlocutor com quem pode fazer um acordo político para tirar o País da crise.”

Paralelamente, a Associação Política Renovação Comunista pronuncia-se sobre o momento político  actual afirmando a dada altura que “não é esta a altura de discutir as condutas na última legislatura, sobre as quais a História por certo fará um dia a sua avaliação. Não é altura de discutir as divergências e os cálculos que motivaram a queda do governo do Partido Socialista sem cuidar das condições ulteriores de reforço à esquerda da correlação de forças e precipitaram o pedido de intervenção do FMI”. Depois de passar uma esponja em branco sobre a Governação socialista, restam-lhe as piedosas intenções de esperar que “o Partido Socialista e o conjunto da esquerda, à luz da Constituição da República que a direita visa anular, honrem a sua natureza de forças construtoras de uma democracia política, económica e social ao lado das classes trabalhadoras e das classes intermédias.”

É que bom que se diga que grande parte dos subscritores do referido Manifesto pertencem igualmente à direcção da Renovação Comunista.

Que conclusões tirar das posições desta esquerda que, no seu afã, sempre louvável, de manter a unidade de esquerda, considera o PS no seu conjunto como um partido de esquerda e acha que é possível, neste momento, um entendimento com aquele partido, quando o programa de ajuda externa já foi aprovado por Sócrates e propagandeado por este como bom.

Hoje, compreende-se que o separar de águas é entre aqueles que se preparam para resistir à troika e aqueles que a aceitam de bom grado, afirmando que conseguiram negociar um bom programa. Nesse sentido, podemos dizer que aquela esquerda claudicou, apesar de manter uma linguagem crítica em relação àquilo que nos querem impor, pensa que é possível dormir com o inimigo, acreditando que se a esquerda, à esquerda do PS, fizesse um esforçozinho este viria às boas dialogar com ela. Quando o que está neste momento em causa é trazer todos aqueles que no PS ou fora dele estão interessados em formar um pólo alternativo à aceitação das imposições da troika.

Penso que este problema é a contradição principal dos dias hoje e que a proposta de um Governo de Esquerda, do Bloco, ou Patriótico e de Esquerda, do PCP, apesar de não serem para já, podem ser, se tiverem pernas para andar, uma alternativa no futuro, muito mais alargada, é certo, a esse centrão medíocre e liberalizador que todos à compita nos querem impor.

Quanto aos salvadores da Pátria ficará para post posterior, porque hoje já são  muitos os candidatos.

08/05/2011

A ofensiva neo-liberal, a esquerda que claudicou, e os salvadores da Pátria - I

Por razões várias, não tenho escrito nada. Quando penso postar qualquer coisa relativa à espuma dos dias eis que já passou tanto tempo, que aquilo que queria dizer perdeu toda a actualidade. Por isso escreverei sobre um assunto que nos irá ocupar durante longos e penosos anos.

Já deu para perceber que o “acordo” que Portugal subscreveu com a chamada troika é composto por duas partes, a primeira que visa transferir forçadamente dos nossos bolsos uma soma considerável de dinheiro para os bancos e os agiotas internacionais. É a parte do aumento dos impostos, do corte das pensões, da impossibilidade de deduzir despesas com a saúde e outras no IRS. É também o aumento da electricidade e dos transportes e, para não ser exaustivo, mais um conjunto de horrores que tornarão a nossa vida num inferno. A segunda parte, que delicia, os nossos políticos, desde o PS ao CDS, que consiste naquilo que eles há muito tempo chamam as reformas estruturais, mas que no fundo não passam da desregulamentação neo-liberal da nossa estrutura económica, acima de tudo da já frágil e débil regulamentação do trabalho, tornando-a mais flexível e permitindo aos patrões despedir por menor preço e à segurança social pagar menos, e durante menos tempo, o subsídio de desemprego. O que é que isto significa? Que o trabalhador amocha perante o patrão para não ir para a rua e aceite trabalhos degradados para não ficar completamente descalço, sem qualquer subsídio. É o reino do salve-se quem puder, em que os patrões terão a faca e queijo na mão.

Contra esta barbárie civilizacional os três partidos, daquilo que a imprensa dominante classifica do arco governamental, apressaram-se, à compita, a dizer que foram eles os responsáveis por tão ignóbil compromisso e que tinha sido devido à sua perseverança negocial que se tinha obtido um acordo tão “favorável”. Foi ver a triste figura de Sócrates a dizer o que o acordo não era e Catroga, nervoso e a suar por todos os lados, a garantir que o que de bom lá estava tinha sido da responsabilidade do PSD e dele. De seguida, o CSD assegura-nos o mesmo. Triste espectáculo.

Dito isto, o mais espantoso é que no conjunto de gente que é tocada por aqueles três partidos, principalmente no PS, não haja ninguém que se levante e diga que o rei vai nu, que o acordo é mau e que expresse a sua crítica às medidas propostas. O mais espantoso é que o aceitam. Acham que aqui e ali até nem se foi tão longe como eles desejavam, e que é gravoso para o povo português, mas era inevitável, porque se estava a viver, segundo dizem, acima das nossas possibilidades. Alguém viveu, que não fomos nós, os que dependemos diariamente do nosso trabalho.

Por tudo isto, o próximo governo será formado pelos três partidos que assinaram de cruz o acordo. Todos juntos ou aos pares, e as combinações possíveis são só mais três, lá estarão eles na disposição de garantirem que o acordo será aplicado.

Restam o Bloco e o PCP como resistentes. Cada um à sua maneira protestou, não falaram com a troika, e dispõem-se agora a lutarem contra as medidas propostas.

Aqui, direi eu, é que a porca torce o rabo. Por razões que têm a ver com idiossincrasias próprias, pelos eleitorados diferentes que tocam e no caso do Bloco pela franja ainda recente que abrange, tem-se a sensação, aumentada pelos media e comentadores, que não estão a conseguir aparecer como um frente unida contra estas medidas. É verdade que se está numa altura de conquistar votos, o que torna as coisas ainda mais difíceis. Mas parece claro que toda a esquerda, que está contra o acordo, todas as organizações sociais, neste caso os sindicatos, que se lhe opõem, não foram capazes de criar uma frente única contra esta situação. Antes do acordo proliferaram manifestos que hoje já ninguém recorda e em nada influenciaram o seu desfecho. Actualmente deveria haver uma frente única, com vozes de economistas, intelectuais e políticos que constituíssem a grande fronda que se opõe e luta contra o acordo. Ora nada disto está a suceder, na esquerda está cada um para seu lado, isto para já não falar daquela que claudicou e continua a sonhar, em condições completamente diferentes, com um governo de esquerda, PS, Bloco e PCP, tal Carmelinda Pereira, ressuscitada ao fim de trinta anos.

Mas isto fica para novo post.

30/04/2011

Contra as injustiças. Mudar de Políticas


Amanhã, desfile entre o Martim Moniz e a Alameda.

25/04/2011

Quando se usa a posição dominante nos media para criticar o partido a que se pertence

Vem isto a propósito da intervenção de Daniel de Oliveira no último Eixo do Mal.

Mas comecemos por aquilo que está relacionado com o post anterior, a tolerância de ponto. Também neste programa os comentadores residentes se atiraram como gato a bofe à tolerância de ponto concedida pelo Governo aos funcionários públicos. Pedro Marques Lopes chegou a afirmar que um sindicalista dos quadros técnicos tinha criticado essa decisão. Ora esse sindicalista é Bettencourt Picanço, da direcção do PSD. Era natural que tomasse essa posição, já que o seu partido fizera o mesmo. Depois chegou-se a sugerir que os outros sindicalistas tomassem igual posição e os dislates continuaram por aí fora. Tenho para mim que esta gente não percebe o que está em jogo.

Quando um funcionário entra para a administração pública tem um certo número de regalias e um certo número de deveres. Apesar de hoje as formas de contratação na função pública serem muito diferentes do que eram no meu tempo, sei que não existe nenhum contrato colectivo de trabalho entre os funcionários e o patrão-Estado, é a legislação que regularmente vai sendo produzida, com a consulta, muitas vezes formal, dos órgãos representativos dos trabalhadores, que rege as suas regalias e deveres. Por isso o Estado não pode ter para os funcionários público mais dias de descanso do que estabelece a legislação geral. Pelo contrário, um Contrato Colectivo de Trabalho, na parte que regula os dias de descanso dos trabalhadores, pode ter maior ou menor número do que aqueles que são estabelecidos por lei. E há ainda os contratos de empresa e as práticas das empresas. Sei que no sector bancário também é concedida a tarde de Quinta-feira Santa e igualmente a véspera de Natal. Ora bem, um funcionário público sabe que ao longo dos anos lhe têm sido concedidos esses dias. Não faz parte do seu contrato, porque não o têm, mas o normal é verificar-se, e este normal tem-se registado sempre. Como eu dizia a minha memória chegava aos anos 50.

Só ultimamente, com a demagogia que assola os Governos, as oposições e os media é que aquilo que era um facto de gestão corrente da administração pública, se transformou, num caso nacional que merece sempre os comentários sarcásticos dos media, e muitas vezes das oposições e desta vez até de uma funcionária do FMI.

Penso que sobre este assunto fui claro, apesar de não ser jurista.


Quanto ao título que encabeça o post só me limitaria, para não azedar as excelentes relações estabelecidas no grupo Manifesto, uma das associações políticas que compõem o Bloco de Esquerda, a dizer o seguinte. Parece-me que cada um dos comentadores tem a possibilidade de escolher os temas a tratar em cada programa. Daniel de Oliveira deve de certeza ter escolhido o tema a posição do Bloco perante a invasão da Líbia, num programa anterior, e agora este sobre a recusa do PCP e do Bloco em “negociar” com o a troika. Digo isto porque em qualquer deles foi unicamente o Daniel de Oliveira que falou, os outros comentaristas limitaram-se a “mandar as bocas” costumeiras, sem terem nada a acrescentar àquilo que Daniel de Oliveira disse. No primeiro caso até nem se estava a perceber a quem se referia Daniel de Oliveira e foi Pedro Marques Lopes que esclareceu que ele se referia ao Bloco de Esquerda.

No fundo foi o Daniel que escolheu os temas, o que não é simpático para o Bloco.

Acrescentaria só mais uma coisa, como o próprio Daniel de Oliveira disse, não se está neste momento a tratar de uma negociação, a troika só está a ouvir para formular uma política para Portugal. Daniel de Oliveira chegou mesmo a ridicularizar o PSD por pensar que estava a negociar. Mas no caso do Bloco e do PCP, mudou rapidamente de opinião e citou Lenine, quando este teria dito que até com o Diabo negociava para salvar a Revolução e de facto fê-lo, ao assinar com os alemães um tratado de paz que era quase a confissão de uma derrota nacional. Mas fê-lo e salvou a Revolução. Mas aqui, com diz Daniel de Oliveira, não se está a negociar, simplesmente a informar o inimigo das nossas posições. Parece-me desinteressante fazê-lo. Simplesmente acho que isto é discutível, ou seja, tudo se discute, mas só o devemos fazer quando há contraditório, estarmos a pô-lo em prática, sabendo que o nosso partido não tem as mesmas possibilidades de o concretizar, nem o acesso privilegiado aos media que o Daniel tem, não me parece justo. E mais não digo para não azedar as relações.

23/04/2011

Demagogia ordinária

Tenho estado doente e por isso não tenho escrito nada. No entanto, não resisti em postar sobre a demagogia ordinária que ataca os comentadores de serviço, os jornalistas à procura de louvores, o chefe do PSD em busca de mais votos e até uma portuguesa ao serviço do Império, que quer morigerar os hábitos dos indígenas locais, como nos gosta de tratar, com desprezo, Vasco Pulido Valente. Em que consiste a dita demagogia? Garantir que o país seria muito mais feliz se acabasse de vez com os feriados, mas acima de tudo com essas malfadadas tolerâncias de ponto que só servem para criar maus hábitos à tribo nacional (ainda segundo VPV), levando-a à preguiça e contagiando, por arrastamento, todos os bons trabalhadores do privado.

Esta história já é antiga. Todos os anos uma televisão mais atenta aos gostos do patrão indica, logo no início de um novo ano, em que dias calham os feriados, as pontes que se podem fazer e como isso contribui para a ruína do país. Já houve partidos que como mote para a campanha eleitoral propunham a redução do número de feriados. Parece-me que um deles foi o Partido Popular Monárquico, que de certeza queria acabar de vez com o 5 de Outubro.

Todos os anos, as centrais patronais vêm à carga com este tema. Cavaco Silva chegou a ter pronta legislação que colocava todos os feriados à segunda-feira. Parece que era o que se fazia no Reino Unido. O que permitia que o 25 de Abril se comemorasse a 24. Mas como a Igreja não achou bem – datas religiosas são para cumprir em dia certo – e Mário Soares, então Presidente da República, num acesso de lucidez, achou que o significado dos feriados não se devia modificar, lá foi por água abaixo o tal decreto-lei. O que não invalidou que Cavaco, num excesso de amor ao trabalho, não tenha anulado em 1993 a tal tolerância de ponto no dia de Carnaval, o que lhe valeu, como se sabe, uma considerável perda de popularidade.

Mas voltemos ao que estava em jogo nesta Páscoa. Há dezenas de anos, que, segundo o que a minha memória abarca poderá chegar aos anos 50, ainda em pleno fascismo, sempre houve tolerância de ponto na tarde de Quinta-feira Santa . Isto porque sendo eu filho de funcionários públicos e tendo toda a minha vida trabalhado na função pública, me recordo bem dos dias em que os meus pais estavam em casa e depois dos dias em que podia partir para umas mini-férias da Páscoa. Segundo, lembro-me igualemente de ouvir à minha mãe dizer que Salazar dava tolerância de ponto na tarde de quinta-feira, mas tinha suprimido o feriado de Sexta-feira Santa, pois achava, tal como hoje, que em dia de penitência não se podia permitir que os trabalhadores ficassem em casa a divertir-se. Parece-me que foi Marcelo Caetano que atribuiu o feriado de sexta-feira santa aos trabalhadores portugueses.

Nessa altura, tal como agora, havia tolerância de ponto em datas excepcionais, que o governo queria celebrar, como, por exemplo, a visita de Isabel II, de Inglaterra, e agora as visitas do Papa e na já referida tarde de Quinta-feira Santa e na véspera do Natal. Mais recentemente, penso que já depois do 25 de Abril, ficou à disposição dos governos darem tolerância de ponto no dia de Carnaval e com alguns Governos, mais perdulários, a atribuírem com critérios de 50%, mais do que um dia na época do Natal ou em algumas pontes. Este último caso que, com razão, gerou alguma controvérsia,  não tem sido ultimamente concedido, pelo menos com carácter oficial.

Mas voltemos à tolerância de ponto de quinta-feira. Como se sabe, não é só o Estado que a dá, os bancos fazem o mesmo, e são privados, e até o chefe da CIP, que criticou o Estado por o fazer, a deu aos seus funcionários, o que é normal em muitos serviços privados.

Normalmente também se compara esta generosidade do estado português para como indígena nacional com o que se passa nos outros países europeus, em que nós seríamos a cigarra e eles a formiga. Nos anos em que andei por Bruxelas habituei-me a ver de tudo, principalmente os funcionários da Comissão, que usufruíam de longe muito mas regalias que o indígena nacional.

Parece-me pois de grande demagogia, própria da época de terror neo-liberal que estamos a viver, querer acabar com a tolerância de ponto na quinta-feira, para nos porém a trabalharem mais essa tarde. A única justificação é amedrontar-nos tanto no presente, para que nos tornemos insensíveis às malfeitorias que aí vêm.

25 de Abril, sempre!


Defile do 25 de Abril do Marquês de Pombal para o Rossio, às 15 h

16/04/2011

A tropa fandanga que nos governa

Ouvi ontem, como e meu costume, a Quadratura do Círculo. Teve a vantagem de dar uma novidade e de ordenar um pouco melhor os meandros da crise política que envolveu o PEC IV.

Comecemos pelo princípio. Criou-se a narrativa de que José Sócrates tinha iniciado as discussões em Bruxelas sobre o PEC IV sem quase dizer nada a ninguém. Não falou na véspera, quando se discutia a moção de censura do Bloco na Assembleia da República. Parece que nessa noite tinha feito um curto telefonema a informar Passos Coelho do que iria suceder no dia seguinte em Bruxelas, mas não disse nada ao Presidente da República. Na sexta-feira, ao mesmo tempo que se apresentava o PEC IV em Bruxelas, Teixeira dos Santos dava uma conferência de imprensa em Lisboa. Segundo a narrativa que nos veio a ser contada pela maioria dos comentadores políticos, José Sócrates, ao ignorar os actores políticos, pretendia abrir uma crise política. Outros achavam que este comportamento tinha sido involuntário, que se devia só ao mau feitio do Primeiro-Ministro. O PS argumentava mesmo que tudo isto era uma questão de forma e que o principal era entabular negociações com os partidos. Houve mesmo artigos a garantirem que a democracia era uma questão formal e o comportamento do Primeiro-Ministro era grave. E entre estas duas interpretações estabeleceu-se uma guerra de palavras entre PSD e PS.

No fim-de-semana passado o Expresso trazia uma caixa em que dizia simplesmente que afinal não tinha havido só um telefonema de Sócrates para Coelho, mas sim uma reunião. Logo a seguir, entrevistando Passos Coelho, Judite de Sousa faz-lhe a pergunta directamente, ao que este responde que é verdade e lá perdemos um dia com os dois partidos, PS e PSD, a insultarem-se. O primeiro dizendo que afinal tinha havido reunião e o segundo a desvalorizar a importância dessa reunião e das informações aí prestadas.

Mas o que é que ontem foi confirmado no programa da SIC Notícias, que Miguel Relvas, do PSD, tinha na manhã da conferência de imprensa apoiado as medidas do PEC IV e Pacheco Pereira afirmou que tinha havido um SMS dirigido aos deputados do PSD para que não fizessem comentários até ao fim do dia da reunião em Bruxelas, para não a prejudicar. Depois também se confirmou que na noite de sexta-feira, Marco António, vice-presidente do PSD, teria dito numa reunião que ou Passos Coelho escolhia ter eleições no país ou tinha eleições no Partido, tendo o líder do PSD preferido eleições no país.

Conclusão desta história. Toda a narrativa que nos foi contada, de Sócrates na sombra a esgueirar-se para Bruxelas e não dizer nada a ninguém é uma mentira pegada. Afinal tinha ido falar com o outro parceiro com quem andou a dançar o tango.

Mas igualmente o que é espantoso é que, perante a mentira de Passos Coelho, dizendo que só tinha havido um telefonema sem importância, Sócrates não tivesse vindo desmentir a situação, deixando avolumar a crise. Só quando lhe foi útil é que resolveu esgrimir contra Coelho esse encontro. Estão pois bem um para o outro e o pior é que é o país está a sofrer. Por outro lado, isto mostra também como muitas vezes se escreve no ar e se inventam narrativas que se enquadram muito bem no discurso, mas que no fundo não correspondem à realidade.

Somos mesmo governados por uma tropa fandanga.

13/04/2011

Os problemas da unidade de esquerda: encontro Bloco-PCP. Resposta a uma politóloga.

Num post  anterior falei dos problemas da unidade da esquerda, gostaria neste de abordar a recente reunião entre Bloco e PCP. Sucede que entretanto apareceu no Público, de ontem, sobre o mesmo tema, um texto de Marina Costa Lobo (MCL), que assina como professora do ICS-UL, mas que muitas vezes é apresentada como politóloga, ou seja, como comentadora política.

Tenho para mim que esta nova classificação dos comentadores políticos em politólogos é uma mistificação. Pretende-se com isto dar um carácter científico e imparcial a quem pura e simplesmente, baseando-se nas suas opções ideológicas e partidárias, pretende influenciar os seus concidadãos. Os politólogos por serem profissionais do estudo da política estão melhor informados do que qualquer outro cidadão interessado na coisa pública, não deixam, no entanto, de reflectir as suas opções político-ideológicas.

Por isso, o artigozinho de MCL não é mais do que uma opinião de direita sobre as posições do Bloco e do PCP. Servir-me-ei delas, criticando-as, para falar daquele encontro.

Resume MCL a reunião a uma estratégia que visaria um pacto de não-agressão e um ataque concentrado ao PS. Os seus objectivos seriam eleitorais e motivados por razões ideológicas. A sua causa mais imediata seria o pedido de ajuda externa feito por Sócrates e também o abandono definitivo por parte do Bloco de um “posicionamento moderadamente pró-UE”.

Logo aqui gostaria de fazer alguns comentários. Tal como afirmei no post referido a estratégia unitária do Bloco tinha privilegiado até determinada altura uma aliança com a esquerda do PS e os independentes que, em certo momento, povoaram a candidatura de Alegre e que constituíram o MIC. Como se viu, Alegre foi derrotado nas últimas eleições, a esquerda do PS regressou ao aprisco partidário, restam, no entanto, muitos independentes desorientados, sem saber o que fazer e para os quais André Freire recomendou a formação de um novo partido, o Bloco tem que lhes dar uma nova perspectiva e essa será sem dúvida diferente. Por isso, secundando alguns apelos de gente de esquerda, achou por bem, na continuação de uma constante aproximação na Assembleia da República, fazer uma diligência de reunião junto do PCP. Se isto visa um pacto de não agressão? Ainda é cedo para sabermos, mas é um disparate dizer que pretende ser um ataque concentrado ao PS. Pretende ser uma resposta de esquerda às políticas que o PS e a direita estão a desencadear em Portugal. Neste aspecto, para lá da retórica comicieira do PS, estes dois partidos apresentam-se como possível fonte de alternativa e resistência contra as medidas do FMI e do Banco Central Europeu.

No entanto, esta reunião não foi de modo algum uma resposta ao pedido de ajuda externa de Portugal. Como se sabe na segunda-feira da semana passada Sócrates garantia que tudo faria para não ter cá o FMI, quarta-feira aceitou a sua ajuda, por pressão dos bancos, sexta-feira reúnem-se os dois partidos. Estará convencida MCL que entre quarta-feira, dia do pedido de ajuda, e sexta os dois partidos combinaram encontrar-se. Como é público, a notícia desta reunião é muito anterior ao pedido de ajuda. Isto é uma das mentirolas que povoam todo o artigo. A seguir vem outra como seja o abandono da posição moderada do Bloco pró-EU.

Quem esteja minimamente a par das posições do Bloco sabe que este tem uma posição pró-europeia, mas defende uma outra Europa. Por isso está filiado no Partido da Esquerda Europeu, que luta por uma Europa solidária e não por uma UE conservadora e neo-liberal. Esta posição alterou-se só na cabeça de MCL. Há outros partidos de esquerda, como o Partido Comunista Grego, que tem uma posição claramente contra a UE, por acharem que a luta política se desenvolve em cada um dos países e não no seu conjunto. Sem querer desvirtuar a posição do PCP parece-me que se assemelha, apesar de não ser igual, à do PCG.

Segundo MCL, o Bloco e o PCP “decidiram não se rivalizar para melhor susterem o impacto de um potencial voto útil à esquerda”. Depois faz comparações entre as eleições de 2002, em que ganhou Durão Barroso, com as que se vão realizar a 5 de Junho, garantindo que nas primeiras a soma dos partidos não ultrapassou os 10%, coisa que agora poderia suceder, dado as situações serem semelhantes. Verifica-se aqui uma clara manipulação de dados. Em 2002 o Bloco concorria pela primeira vez, a sua percentagem foi de 2,2%. Nada permite, mesmo as sondagens, garantir que uma situação destas se verifique. No entanto, temos que estar atentos à erosão do Bloco de Esquerda, fundamentalmente pela campanha descabelada contra este partido, de que este texto é já um exemplo.

MCL ressuscita igualmente os temas fracturantes que eram a marca de água do Bloco inicial. Não sei se ele cresceu à sombra disso, a verdade é que já na sua última campanha eleitoral, em que teve os melhores resultados de sempre, essa temática estava há muito secundarizada.

Depois enumera o conjunto de temas em que o Bloco e o PCP têm, segundo ela, posições ideológicas semelhantes. São descritas de seguida todas aquelas situações que os neo-liberais passam a vida a combater. Seriam contra a redução dos funcionários públicos (onde já ouvi isto) e as parcerias público-privadas. Por aquilo que eu sei, não são só o Bloco e o PCP que são contra, pelo menos em palavras, o CDS e o PSD também. Seriam igualmente, pasme-se, contra o saneamento das contas da saúde e a avaliação dos professores do ensino básico e secundário. Esta última medida também teve o apoio do CDS e do PSD. Se é nisto que as posições ideológicas do Bloco e do PCP são semelhantes, pobre politóloga que não enxerga mais nada do que a vulgata neo-liberal.

Depois aprofunda as diferenças em relação à Europa dizendo que o Bloco as abandonou, gostaria que apresentasse provas desta afirmação. Ela é pura e simplesmente gratuita.

A seguir ressuscita o PREC, de 1975. Lembrando aqueles que queriam uma democracia liberal e os que queriam enveredar por caminhos alternativos, esquerdizantes, alinhando com o Terceiro-Mundo a que o Bloco teria regressado. Onde é que isso já vai e quem agora ressuscita o tema só tem uma finalidade regressar ao velho atlantismo tão típico da direita portuguesa, sempre pronta a segregar aqueles que teriam veleidades de não concordar com a NATO.

Finalmente um conselho ao Bloco: ao alinhar com o PCP perderia as ambições governamentais e portanto assumir-se-ia simplesmente como um partido de protesto. Há quanto tempo esta gente vem dizendo isto.

Para terminar, que o texto vai longo, este encontro do Bloco com o PCP permite na actual situação juntar os únicos dois partidos que de facto se opõem consequentemente à entrada e ao esbulhamento de Portugal pelo FMI, pela Alemanha e acima de tudo pelas classes dominantes nacionais, que neste momento estão de braço dado com a intervenção estrangeira em Portugal. Belo tema para internacionalistas e patriotas: fica para outra vez.

12/04/2011

Em Abril, esperanças mil


O jantar em que se comemora o 25 de Abril. Para mais informações e lista da Comissão Promotora ver aqui

Ainda candidatura de Alegre e os problemas da unidade de esquerda

O meu amigo Brissos, da Essência da Pólvora desafiou-me, de acordo com uma promessa feita por mim, a justificar a escolha de Manuel Alegre para candidato de alguma esquerda.

Este assunto, diria, estava morto e enterrado se não fosse Alegre ter ressuscitado neste Congresso do PS. Parece que quando o Bloco apresentou a Moção de Censura também lhe fez algumas críticas. Espero que Alegre, porque não ganhou as eleições, e não foi por culpa do Bloco, mas sim dos seus amigos socialistas, que não votaram nele, não tente transformar aquele partido no bode expiatório do seu fracasso, que também foi o nosso?

Dito isto, tentemos justificar a escolha que na altura se fez e que considero acertada.

Tenho para mim que o Bloco de Esquerda é, na actual conjuntura, o único partido de esquerda que manifesta uma certa preocupação com a política de unidade. Ainda há bem pouco tempo, neste post, referi umas declarações de Alfredo Barroso afirmando que o PS não tinha uma política de unidade à sua esquerda. Quanto a mim o PCP também não a tinha, pode ser que agora isso se tenha alterado.

Por isso, depois das eleições presidenciais de 2006 e a seguir ao resultado de mais de um milhão de votos no Manuel Alegre, contra o candidato oficial do PS, o Bloco inicia uma aproximação àquele, de que resultou os encontros do Trindade e da Aula Magna. O primeiro foi grande um êxito, tanto mais que o Trindade era uma sala pequena e os milhares de pessoas que por lá apareceram não couberem, nem a metade delas. Já na Aula Magna, apesar de ser um sucesso, esta estava longe de estar cheia. No entanto, estes dois encontros não deixaram de ser um acontecimento político importante, o que levou o Manuel Alegre, naquele momento, a encarar a hipótese de formar um partido, permitindo assim que a ala esquerda do PS rompesse com o PS oficial. Tudo isto são dados objectivos, que não podem ser descartados, nem esquecidos.

Esta operação teve alguns contratempos. Manuel Alegre mostrou alguma indecisão na ruptura com o PS e o Bloco não a forçou, nem a acalentou. Teve algum receio do que é que poderia vir de uma cisão precipitada e que, provavelmente, não teria pernas para andar, a não ser levada às costas pelo Bloco.

Por este motivo, preferiu que Manuel Alegre optasse antes por aquilo que ele indiscutivelmente queria, que era ser candidato outra vez a Presidente da República. Foi isto de facto que veio a suceder. Já se sabe que Manuel Alegre não seria candidato unicamente do Bloco, teria que ser também do PS e aqui é que a porca torce o rabo. O tempo que mediou entre a decisão bloquista de insinuar que o apoiava para candidato a Presidente, na sua última Convenção, em 2009, a apresentação da sua candidatura, parece-me logo no início de 2010, com o apoio imediato do Bloco, o arrastamento da decisão do PS, já no Verão de 2010, a degradação do Governo de Sócrates e o agravamento da crise económica, permitiram que em Janeiro de 2011, quando tiveram lugar as eleições, já fosse bastante penoso o Bloco aparecer de mãos dadas, por interposta pessoa, o Manuel Alegre, com o PS de Sócrates.

Este facto foi tão difícil que nem os bloquistas estavam convencidos em votar Manuel Alegre, mas mesmo assim acho que cumpriram com escrúpulo os seus compromissos, nem o PS estava motivado para votar em Alegre. O que de facto sucedeu. Por outro lado, os eleitores de 2006, raivosos com o socratismo, fugiram desta vez do candidato, distribuindo os seus votos por Nobre, que cumpriu de facto a missão que Mário Soares lhe destinou, por Coelho, pela abstenção e pelos brancos e nulos. Esta é de facto a minha interpretação dos factos. Muita gente poderá estar em desacordo com isto.

No entanto, podemos dizer que o êxito do Bloco quer nas europeias, quer depois nas legislativas, que só foi ofuscado por ser ultrapassado pelo CDS, deveu-se em grande parte ao esforço unitário desenvolvido no Trindade e na Aula Magna.

A “esquerda grande” defendida por Louçã correspondia a esta aliança entre o Bloco, independentes e a ala esquerda do PS. Hoje percebe-se quão fraca é essa ala esquerda e como facilmente foi seduzida pelo canto de sereia do PS de Sócrates. Neste Congresso estavam lá todos, até o Ferro Rodrigues. Só não vi a Maria de Belém.

Esta não será uma história edificante, até porque não houve uma alteração de forças a favor da esquerda, que era o objectivo da vitória de Alegre. Mas só quem não mete as mãos na massa é que pode depois vir dizer que sempre previu o que iria acontecer.

PS.: Sobre este mesmo assunto já escrevi este post, no entanto todo o meu blog está cheio de referências aqui e acolá às actividades e posições de Manuel Alegre ao longo destes últimos anos.

11/04/2011

O moderno Frankenstein

Só me lembro de ouvir falar de Fernando Nobre pela primeira vez a propósito da invasão do Iraque pelos americanos e pelos seus amigos europeus. Fernando Nobre na altura, com alguma dignidade, opôs-se à invasão e deu a cara por isso. Tempos depois, a ATTAC de Sines convida-o para um debate sobre a guerra do Iraque, estive lá e tudo o que disse pareceu-me justo e acertado. Por isso, quando recentemente foi o mandatário nacional pelo Bloco de Esquerda para a lista às eleições europeias, não estranhei.

Mas não sabia, por culpa minha, da missa a metade. Fernando Nobre tinha sido apoiante de Durão Barroso, para primeiro-ministro – parece que depois ficou desiludido com o papel que este desempenhou na Cimeira das Lajes – e de António Capucho para a Câmara de Cascais. Pelo meio apoiou também um autarca do PS.

Quando se candidatou à Presidência da República e sabendo eu o frete que lhe tinham encomendado, de combater a candidatura de Manuel Alegre, fiquei profundamente desiludido. Mais fiquei quando ouvi o seu discurso de apresentação. Escrevi mesmo um post a denunciar alguma esquerda que se tinha deixado embalar pelas palavras do dito, exclusivamente por ódio sectário a Manuel Alegre.

Depois, na altura dos debates entre os candidatos a Presidente da República, fiz um outro post a que a propósito do debate entre Fernando Nobre e Francisco Lopes, considerei que uma das afirmações de Fernando Nobre era tão grave, que roçava perigosamente o fascismo. Esta classificação foi forte, mas o que Fernando Nobre disse não o era menos.

Pelos vistos, no momento de desespero e de desorientação em que muita gente de esquerda mergulhou, Nobre consegue uma votação menos má. Tornando-se por isso um candidato apetecível para qualquer um dos partidos do centrão. No entanto, nunca pensei que um candidato que tinha sido uma criação de Mário Soares, para entalar o seu “amigo” Manuel Alegre, se virasse contra o seu criador e fosse aceitar um lugar de destaque nas listas do PSD. Temos por isso um moderno Frankenstein, que foge ao destino que lhe tinham traçado.

Engana-se o PSD se pensa que, com este candidato, irá conquistar votos à esquerda. Cai na mesma ilusão do PS quando se convenceu que Vital Moreira, por ser ex-PCP, iria atrair votos daquela área política. Os portugueses não perdoam a quem os andou a enganar, provavelmente por isso, e por outras razões, não votaram em Manuel Alegre porque o opositor ao candidato oficial do PS nas anteriores eleições veio a ocupar a mesma posição de Mário Soares, transformando-se, malgré lui, no candidato do socratismo.

PS.: afinal soube hoje pela TV que também tinha pertencido à Comissão Política da última candidatura de Mário Soares à Presidência da República. (12/04/11) Num comentário a este post avisam-me que também tinha andado metido com a Causa Monárquica, facto que eu já sabia, mas de que não me lembrava. Estranha personagem, com um ego maior do que o mundo.

10/04/2011

As risadas alarves da bem-pensância nacional

Vi ontem à noite o Eixo do Mal, da SIC Notícias. O programa está cada vez mais a perder interesse. Comparado com o Governo Sombra, da TSF, no mesmo estilo, fica, de longe, muitos pontos abaixo.

Quando foi criado, no Governo de Santana Lopes, ainda tinha alguma graça, é certo que com outros intervenientes. Hoje limita-se, dado alinhamento ideológico de cada um dos participantes, a ser uma discussão política sem qualquer interesse. Porque pretende ter graça e não ser um programa de comentário político, mas ao mesmo tempo não é um programa humorístico porque é demasiado ideológico.

Ontem à noite, depois da discussão dos temas da vinda do FMI e do Congresso PS, com dois dos intervenientes em directo de lá, chegou à altura de falar do encontro entre o Bloco e o PCP. Parece que o primeiro comentário foi de Pedro Marques Lopes, que eu em tempos, para indignação de muita boa gente, já tinha considerado um boçal de direita. Hoje, conhecendo melhor a personagem, tenho para mim que ele se tem vindo a comedir desde a sua primeira intervenção no programa, no entanto, a sua pobreza argumentativa, de um neo-liberalismo de cartilha, deixa tão a desejar, que contribui para a indigência do programa.

Ontem lá lhe veio a veia boçal e começou a rir-se mal se falou do encontro dos dois partidos. Clara Ferreira Alves segue pelo mesmo caminho, e Luís Pedro Nunes continua. Bem tentou Daniel de Oliveira falar a sério sobre o tema. Mas nem ele estava muito convencido nem o riso alarve dos outros lhe permitiu formular qualquer ideia. E assim, a burguesia bem-pensante se descarta de uma reunião que não sendo muito conclusiva é pelo menos um passo importante para a unidade da esquerda e deve ser assinalada como uma realidade nova no panorama político português. Assim, isso se verifique.

09/04/2011

Um discurso alegre e um alegre Congresso

Alegre foi ao Congresso do PS e fez um discurso. Conforme o órgão de informação que ouvimos ou lemos, assim se realça mais a parte do discurso "sou um homem de esquerda que defende o diálogo à esquerda, mas quero dizer com toda a clareza o seguinte: não repitam o erro de 1975, não queiram dispensar os socialistas, porque não há soluções de esquerda sem o PS ou contra o PS”, ou então o ataque aos mercados financeiros, à influência neo-liberal na Europa ou a recusa de um Governo de bloco central, sublinhando as diferenças com o PSD (ver aqui e aqui).

Por outro lado, todos os comentadores são unânimes em afirmar que este é um Congresso que pretende captar o voto útil da esquerda. Mas de que modo. Sócrates explica: “os votos desperdiçados à nossa esquerda são votos que favorecem o caminho da direita para o poder”. “ A verdade é que só a concentração de votos no PS poderá travar a agenda liberal aventureira perigosa da direita pelos serviços públicos e pela recusa da protecção social do Estado”. Vitorino mais entusiasmado e servindo-se agora do discurso de Manuel Alegre, disse mesmo: «Esses eleitores (os de esquerda) terão que perguntar-se seriamente acerca do significado e do resultado de um voto em partidos que se mostram totalmente imprestáveis para a construção de uma solução de governo à esquerda, porque, como dizia Manuel Alegre, convençam-se de uma coisa: não há solução de Governo à esquerda sem o PS e muito menos contra o Partido Socialista». No entanto, lá vai dizendo, que admite a existência de consensos, de procurar «apoios alargados para lutarmos juntos contra a crise», mas diz que o importante é saber «quem está em melhores condições de liderar esse processo, de liderar essa procura de entendimentos alargados» (ver aqui).

Este discurso é simples, querem os votos da esquerda, à esquerda do PS, porque, afirmam, os partidos que os consubstanciam são “totalmente imprestáveis”, para depois fazerem consensos com a direita, já se sabe, se possível, em posição de força.

É espantoso que depois do apelo ao compromisso de 47 personalidades (Expresso de hoje), que de certeza não será de esquerda, a resposta que foi dada no Congresso é que todos estavam de acordo e que o PS tudo tinha feito para o conseguir, só gostaria de ser ele a dirigi-lo.

Por isso bem pode Manuel Alegre vir referir-se que é favorável ao diálogo à sua esquerda e que esta não pode ignorar o PS, que tudo está preparado para depois de terem os votozinhos dos eleitores da esquerda, fazerem os compromissos que entenderem com a sua direita.

Por isso, é uma ilusão que algum PS de esquerda alimenta que este partido, neste momento histórico que se está vivendo, quer travar qualquer diálogo à esquerda, querem é papar-nos o voto para fazerem depois a sua política de compromisso.

O combate vai ser difícil. Já percebemos que desta vez o PS pretende conquistar votos à esquerda. A inclusão de Ferro Rodrigues para cabeça de lista para Lisboa dá o tom. Mas já se fala em Manuel Alegre para Coimbra. Provavelmente ainda iremos ter muitas surpresas. Estejamos preparados para tudo.

06/04/2011

Curso de Político Gratuito



Apesar de ser um pouco reaccionário, porque nem todos os políticos são iguais, achei graça a este vídeo que me enviaram. Por isso quero compartilhá-lo com os meus leitores.