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24/02/2009

O cimento ideológico que continua a chocar o ovo da serpente

Nada tenho contra o blog a Terceira Noite, de Rui Bebiano. Encontro sempre nele algum motivo de reflexão ou de ensinamento. No entanto, há certas afirmações que não compreendo ou que considero injustas.
Assim, um post dedicado ao julgamento de mais um criminoso do regime Khmer Vermelho, que governou o Cambodja entre 1975 e 1979, termina assim: “de vez em quando aponta-se o dedo aos criminosos, nomeados um a um sempre que morrem de velhice ou são presentes a tribunal, mas deixa-se em paz o cimento ideológico, de recorte apocalíptico e supostamente redentor, edificador de humanidades «novas» sem alma, que deu coerência a uma doutrina transformada em arma de agressão e de terror. Esse continua a chocar o ovo da serpente.
Nesta prosa não se percebe se há hoje algum partido político ou corrente ideológica que se reivindique daquele regime e que por esse motivo continue “a chocar o ovo da serpente”. Ou se os que se propõem “edificar humanidades “novas”” querem instituir regimes semelhantes aos do Cambodja.
Penso que este é um debate que transcende em muito as preocupações em relação àquele regime e que se insere numa discussão mais vasta: se é possível propor outra sociedade como, por exemplo, propõem os altermundistas. Ou se podemos transformar a actual noutra bem diferente e melhor. Eu temo que a resposta de Rui Bebiano seja não.
Mas não é esta a discussão que me interessa neste momento. Já que estou a falar com um historiador, convém recordar algumas realidades a propósito deste desgraçado caso do Cambodja. Primeiro quem derrotou e libertou o povo cambodjano dos seus criminosos dirigentes foi o regime “socialista” do Vietname, ajudado por forças políticas cambodjanas. Segundo, foi o mundo ocidental, capitaneado pelos americanos, e a China que continuaram a reconhecer o Kampuchea Democrático (era assim que o país era denominado) e a apoiar o partido dos Khamer Vermelhos e os seus dirigentes, já que estes eram aliados da China de Mao e combatiam os vietnamitas, apoiados por Moscovo. A história é triste e é daquelas que as democracias ocidentais esqueceram facilmente. Mas há mais e este facto tem ficado na sombra.
Em Portugal foi criada uma Associação de Amizade entre o regime derrubado e o nosso país, associação essa dirigida por um democrata respeitável, chamado Vasco da Gama Fernandes, que o mínimo que posso dizer é que nem saberia, com a idade que tinha, onde é que aquele país se situava. Esta associação foi promovida principalmente por um partido político maoista, que no campo da provocação anti-comunista teve algum relevo, que era a AOC, que garantia que “cada voto na AOC era uma espinha cravada na garganta do Cunhal”. Esta AOC era dirigida pelo Eduíno Vilar, antigo estudante do Técnico, que mais tarde se filiou no PSD e tentou concorrer, sem êxito, a qualquer prebenda oferecida por aquele partido.
São tudo histórias tristes, mas que não nos permitem com tanta simplicidade distinguir os bons dos maus, e quem é que alimentou ou alimenta o ovo da serpente.
Tinha acabado de colocar este post quando volto à Terceira Noite e não é que o nome que Rui Bebiano dá ao seu mais recente post é Três tristes talibans passeiam-se por Braga. Porque é que se havia de nomear os talibans, que para aqui não são chamados, e não se poderia escrever Três tristes reverendos, ainda com o cheiro da Inquisição nas vestes, passeiam-se por Braga. Será que se os deixassem seriam melhores?
Este episódio refere-se a uma preocupante acção censória que esta semana tem estado a atacar a população portuguesa. Depois de Torres Vedras, a vítima agora foi um livreiro que tinha exposto um livro de pintura que reproduzia na capa o célebre quadro de Courbet, “A origem do Mundo”, com o desenho do sexo de uma mulher, que ainda há bem pouco tempo apareceu reproduzido no Público, penso que na P2

30/11/2008

As trafulhices do Público


A história que vou contar passou-se no Público, mas nada impedia que se tivesse passado noutro jornal qualquer
O Público, do dia 27, relata, pela pena de São José Almeida, que as Esquerdas organizam-se em debates como alternativa à criação de um novo partido político.
Logo de início afirma: “aparentemente sem que haja vontade suficiente e consequente para que apareça um novo partido político à esquerda, várias personalidades com filiação partidária no PS, no PCP e no BE envolvem-se em debates e iniciativas públicas para buscar respostas para a crise social e económica.” Já se sabe que depois, no resto do artigo, nada permite que se retire a conclusão porque é que não há vontade politica para criar um novo partido político. Mas isso pouco interessa para quem tem como objectivo especular sobre a esquerda e permitir assim aos leitores do jornal terem a sensação de estarem bem informados.
Mas isto é o menos importante, apesar de ter servido de título ao artigo, o principal é ter juntado no mesmo corpo da notícia três debates que nada têm de comum, a não ser serem protagonizados por gente da esquerda.
Um dos citados, e o mais disparatado no âmbito da notícia, foi a apresentação do livro de Celso Cruzeiro, A Nova Esquerda, como mais um debate relacionado com os outros dois. Se um autor junta, para lançamento do seu livro, e eu penso até que foi mais por pressão da editora, três personalidades de vários quadrantes da esquerda portuguesa. Neste caso Francisco Louçã, Paulo Fidalgo, que não é nomeado – não dá prestígio à notícia – e Paulo Pedroso, que foi defendido pelo advogado, autor do livro, aí temos a esquerda em debate, como alternativa à criação de um novo partido. Joana Lopes, no seu blog, já tinha denunciado as notícias completamente disparatadas que tinham a aparecido sobre este lançamento.
Depois temos o fórum, na Aula Magna, em Lisboa, no dia 14, sobre Democracia e serviços públicos, organizado pelos mesmos que participaram na festa-sessão do Trindade. Esta realização merece, de facto, destaque especial, dado que junta, como já tinha sucedido anteriormente, a esquerda do PS (Manuel Alegre), o Bloco de Esquerda, Renovadores Comunistas e independentes, contando com a participação de Carvalho da Silva, esta sim a novidade, a dirigir a mesa sobre o Trabalho.
Por último, temos uma iniciativa de um grupo que se designa por Ideias de Esquerda e que resolveu há já bastante tempo, e antes de ser conhecida a iniciativa da Aula Magna, promover um debate plural sobre o tema Crise, oportunidade de viragem. Para onde queremos ir?, que junta, ou juntava, Jorge Sampaio, António José Seguro, Carlos Carvalhas, e o economista do blog Ladrões de Bicicletas, Ricardo Pais Mamede. Esta iniciativa tem lugar a 15, no Hotel Zurique, também em Lisboa.
Só por mera coincidência é que todas estas iniciativas acontecem num curto espaço de tempo. Mas a sua origem é bastante diferente. Era isto que uma jornalista séria e não desejosa de especular deveria ter dito. Poderia até entrevistar os responsáveis pela organização do Hotel Zurique e saber quem são e o que pretendem com aquela iniciativa. Já se sabe isso daria muito trabalho e não permitiria tanto fogo de vista.
Perante esta notícia, Carlos Carvalhas recusa participar, não fosse alguém pensar que ao debater com personalidades tão insuspeitas como Jorge Sampaio ou António Seguro, estivesse na Aula Magna a discursar juntamente com Manuel Alegre ou Manuel Carvalho da Silva. Mas as acções ficam com quem as pratica.
Para agravar este disparate pegado, o Público, de 29, pela pena, com certeza de uma estagiária(o), que assina LA, escreve este mimo, “Carlos Carvalhas, ? secretário-geral da CGTP ?, já não vai ao debate, de 14 de Dezembro, em que estaria lado a lado com Manuel Alegre (PS) e Ana Drago (BE). A informação foi ontem prestada em comunicado pelo Gabinete de Imprensa do PCP. Justificação: "não participará nesse debate, para o qual foi convidado, em circunstâncias e num quadro bem diferente daquele a que agora se procura associá-lo."Nota do PCP cita a notícia do PÚBLICO da passada quinta-feira em que é afirmado que "esquerdas organizam-se em debate como alternativa à criação de um novo partido". A notícia, diz o PCP "dá conta do chamado Fórum da Nova Esquerda, no âmbito da qual se associava a participação de Carlos Carvalhas num debate sobre a crise mundial", daí que o PCP tenha achado que o seu militante não deve participar. O debate em causa vem na sequência do encontro de Junho, no Teatro da Trindade, que juntou Alegre, dirigentes do BE e outras pessoas de esquerda. O PCP não se associou a este encontro.”
É a trafulhice completa, que revela a incompetência e a ignorância de um(a) estagiária(o) e de quem, ao menos, devia ler o que ela(e) escreveu. Podemos dizer que nunca em tão pouco espaço se disseram tantas mentiras. Estou curioso para ver se a notícia é desmentida na rubrica “O Público errou”.
Assim vai a nossa imprensa dita de referência.

PS.: Já este post estava redigido quando vi o do Vítor Dias, em O Tempo das Cerejas. O assunto é o mesmo, a denúncia de um jornalismo trapalhão, simplesmente os objectivos são diferentes. Enquanto que eu critico as notícias do Público, Vítor Dias, sem esquecer isso e até atribui um nome ao responsável, tenta defender o seu camarada Carlos Carvalhas, que alegando intenções ocultas, desmarca um compromisso já assumido. Vítor Dias no seu post junta tudo, jornalismo trapalhão e políticos oportunistas, que, feitos uns com os outros, pretendem confundir a opinião pública. Gente séria e honesta só Vítor Dias e os seus amigos do PCP.
E a propósito de gente séria, veja-se mais uma das tradicionais bicadas do Vítor Dias, que no seu blog, O Tempo das Cerejas, fala que o Esquerda.net indica como promotores do Fórum Manuel Alegre e Carvalho da Silva, e que não estariam na lista aí publicada. Esqueceu-se foi de dizer que o Esquerda.net fala em “promotores e participantes” o que é bem diferente da piadinha que faz.

Depois de ouvir o discurso de Jerónimo de Sousa sobre Manuel Alegre e o Bloco de Esquerda, que Vítor Dias subscreve de certeza, fico com a ideia clara de que com este PCP, sectário e autista, não se pode ir a parte nenhuma.

29/11/2008

“Substituir uma fezada por outra” ou a conversão de António Gramsci


Nesta ânsia de estarmos permanentemente a actualizar os nossos blogs somos muitas vezes levados pela análise superficial, pela piada dita engraçada, pelo comentário sem substância. Eu próprio sou arrastado pela necessidade de todos os dias assinar o ponto e por isso de me perder na espuma dos dias.
Vem tudo isto a propósito de um post que Joana Lopes inseriu no seu blog sobre uma pretensa conversão de António Gramsci no leito de morte à Santa Teresinha do Menino Jesus. A novidade foi dada por um arcebispo italiano, a imprensa daquele país rapidamente pegou nela e vem reproduzida no Público.es de Espanha.
Rui Bebiano enquadra-a perfeitamente e considera-a que se trata “de uma provocação anticomunista, digna dos melhores tempos da Guerra Fria.” Eu não diria melhor, mas não deve andar muito longe das provocações católicas, que sempre utilizaram Fátima com essa mesma finalidade, inclusive a da conversão da Santa Rússia.
Mas o que nos diz Joana Lopes “A ser verdade, não foi o primeiro – e não terá sido o último – a substituir uma fezada por outra. (Amanhã, vou ler o Avante! com uma atenção redobrada.)”
Sem considerar que há personagens intocáveis, encontramos pelos menos alguns pensadores e políticos que pelo seu sacrifico pessoal, pela sua postura, e pela sua inteligência – o juiz fascista que o condenou à prisão dizia que era necessário impedir este homem de pensar – que merecem um pouco mais de rigor na apreciação das suas vidas. Não se pode impunemente, a propósito de António Gramsci, dizer que substituiu uma fezada por outra.
Gramsci foi sem dúvida nenhuma, entre os intelectuais que foram responsáveis por aquilo que se costuma designar por “marxismo ocidental”, um dos pensadores mais originais e que mais se distanciaram da visão estalinista do mesmo. Os conceitos que desenvolveu de “hegemonia”, de “bloco histórico” ou o de “guerra de posição”, aquela que corresponderia à luta possível da classe operária ocidental, são hoje extremamente importantes na luta política.
Nos comentários ao post de Joana Lopes há logo alguém, um erudito em relação ao que se publica em inglês, que vem afirmar que está ser editado naquela língua uma edição crítica dos “Cadernos do Cárcere”, tendo já sido editado o terceiro volume. Pois eu informo que no Brasil, em português, já existe uma edição daqueles Cadernos em seis volumes, dirigidos pelo gramsciano Carlos Nelson Coutinho (edição de Carlos Nelson Coutinho, com a colaboração de Luiz Sérgio Henriques e Marco Aurélio Nogueira. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2001), que escreveu igualmente, para quem estiver interessado, um estudo sobre o pensamento político Gramsci (Gramsci – um estudo sobre o seu pensamento político, Civilização Brasileira, 1999)
Para terminar lembraria à Joana Lopes que só por grande ironia é que o Avante! dedicaria algumas linhas a Gramsci, pois o apego do PCP ao marxismo-leninismo há muito que impediu de pensar e encarar outras correntes do marxismo.
PS.: é evidente que esta crítica ao post da Joana Lopes não invalida a qualidade do seu blog, nem o belo trabalho que tem desenvolvido em Caminhos da Memória.

02/11/2008

Funcionários públicos trucidados e um apêndice


Recebi na sexta-feira à noite um telefonema de um amigo perguntando-me se eu já tinha sido trucidado. Não percebi a graça. É que nessa noite ele tinha ouvido no Telejornal umas declarações de um Secretário de Estado afirmando que os funcionários públicos iriam ser trucidados. Pensei, percebeu mal a palavra. No entanto, pelo sim pelo não, fui ver se havia alguma referência no Público ou no Expresso do dia seguinte, pois uma afirmação daquele jaez merecia destaque especial. Nada.
Ontem à noite, durante a leitura dos meus blogs favoritos, encontrei no do Victor Dias referência ao assunto. O post remetia para uma notícia no Correio da Manhã , que começava assim: “O secretário de Estado da Administração Pública, Gonçalo Castilho dos Santos (ver fotografia ao lado), diz que o "mítico dia 1 de Janeiro de 2009" não marcará o início da reforma da Administração Pública, porque ela "já está no terreno" e alerta que quem não cumprir as exigências que a lei impõe "será trucidado". E continuava: "Trabalhadores, serviços e dirigentes que não estejam com a reforma serão trucidados", afirmou o governante, no encerramento do Congresso Nacional da Administração Pública. Para Castilho dos Santos, os funcionários devem ter a noção de que "a reforma já não pode andar para trás", pelo que "trucidará quem não estiver com ela". Depois seguiam-se mais uns considerandos, que quem quiser pode encontrar na notícia, já linkada, do Correio da Manhã.
É espantoso, como declarações deste jaez, que não sendo propriamente silenciadas – este meu amigo garantiu-me que as declarações do Secretário de Estado tinham aparecido na RTP 1 e na 2 – e havendo até referência no Correio da Manhã, as mesmas não tenham sido objecto de protesto das forças políticas da oposição e que não tenham, por exemplo, servido para galhofa pública, num programa como o Eixo do Mal ou em qualquer outro semelhante. Estas declarações não podem passar despercebidas, mas, pelos vistos, passaram. Só encontrei referência no blog já referido do Victor Dias, num comunicado do Sindicato dos Enfermeiros, e nos blogs República das Opiniões, Pharmácia de Serviço e Portugal Profundo (sem link para o post), estes dois últimos bastante reaccionários.
Também, por meu intermédio, apareceu uma referência no site da Renovação Comunista.
Ao menos que na blogosfera haja indignação, mas parece-me difícil

Para que o Victor Dias não fique todo vaidoso pela referência que faço ao seu post, E não se pode trucidá-los a eles?, quero afirmar que achei de muito mau gosto o texto que dedica ao João Semedo, que não se meteu com ele, mas sim com as novas interpretações que as Teses do PCP propõem para o desaparecimento da União Soviética, ao contrário do foi aprovado em Congressos anteriores sobre aquele mesmo acontecimento histórico. Victor Dias, sempre tão crítico em relação às apressadas generalizações que os outros fazem dos textos do PCP, fingiu não perceber que João Semedo põe a questão em forma de pergunta. Por acaso bastante pertinente, pois se o PCP acha que aquela sociedade estava bem e foi a traição de alguns que provocou o seu desmoronamento, então o PCP pode defender para Portugal um modelo semelhante, sem os traidores. Isto é simples, para aqueles que estão de boa fé a travar o debate político. O seu camarada Octávio Teixeira, com outras palavras, questionou-se também sobre os que as Teses dizem sobre o desmoronar da União Soviética. Victor Dias não foi capaz ainda de dar esse passo e provavelmente aproveitou este facto para lembrar ao PCP o que ele inscreveu no seu programa e não o que tem nas suas Teses. Não era necessário era servir-se do João Semedo para dizer isso.

A boçalidade de esquerda também existe, veja-se os comentários de alguns dos seus camaradas, que o menor mimo que têm para João Semedo é de “rachado”, só que estes não têm acesso aos jornais.

01/11/2008

"A verdade é só uma!" Uma história do Avante!


Não posso ser acusado de branquear o Avante! Tenho publicado bastantes posts que o demonstram. Mais, quando li o artigo do Casanova, na coluna Actual, do Avante! desta semana, sobre o mais recente livro de Irene Pimentel, Biografia de um inspector da PIDE, Fernando Gouveia e o Partido Comunista Português, transcrito aqui por Joana Lopes, senti uma tal indignação, que até pensei que deveria fazer um post sobre o assunto. Por isso, este post não vem em defesa daquele artigo, mas é redigido unicamente para repor a verdade em relação a uns comentários que foram feitos na blogosfera sobre o Avante! a propósito do comentário do Casanova.
A história é simples, quando hoje fui fazer a ronda dos meus blogs preferidos deparei-me com um caso espantoso referido inicialmente aqui e depois desenvolvido aqui a partir do post, já referido, de Joana Lopes, que involuntariamente, penso eu, esteve na origem daqueles comentários.
O que é que se passou. Quando se acedia ao site do Avante! aparecia esta informação: “Site indisponível de momento. Volte mais tarde, obrigado.” Igualmente um link que dizia “clique aqui para entrar”. Quando se linkava aparecia, quando aparecia, o número do Avante! da semana anterior.
Logo, penso que apressadamente, aqueles dois blogs, e não sei se mais alguns, começaram a aventar que a edição desta semana do Avante! tinha sido retirada porque não queriam que tomássemos conhecimento desse texto desastroso do Casanova. O Spectrum chegou a publicar exemplos de fotografias truncadas do tempo de Estaline, em que ele ao mesmo tempo que mandava assassinar os adversários, os suprimia das fotografias.
O Der Terrorist chegou a admitir que poderia haver hackers, mas gozava com essa hipótese.
Para confirmar a veracidade destes factos fui aos meus favoritos e cliquei no jornal Avante! e não é que, de facto, aquele site tinha sido vítima dos hackers. Lamento, mas não consigo reproduzir aqui a imagem que obtive, dado que é impossível copiá-la. Já tentei diversas vezes. Mas para vossa informação gravei-a com êxito nos meus ficheiros e só para vos dar um cheirinho do tipo de provocadores que atacaram o Avante!, transcrevo os títulos do texto que, enquadrado pela moldura do jornal, dizia o seguinte: “Aviso a todos os cuzeiros de Lisboa, Nasce, hoje, a REPÚBLICA FODILHONA DO BRASIL. Anúncio da maior autoridade dessa nova nação”, depois uma fotografia do Lula, que encimava um texto ordinário e idiota, que se assemelhava a uma mensagem do Lula dirigida ao Brasil.
Parece-me pois, que antes de terem afirmado que havia supressão de artigos de opinião sectários e provocatórios, deveriam admitir que algum problema técnico pudesse ter acontecido àquele jornal. De facto, não é muito comum naquela “casa” haver arrependimentos tão bruscos. Se, como tenho tentado provar, o discurso muda, é sempre apresentado como se houvesse uma continuidade entre o passado o presente.
Portanto, mais algum cuidado quando se laçam tais atoardas, que ferem quem as profere, e transforma os provocadores em vítimas.
PS.: Pus entre aspas uma parte do título deste post, já que o mesmo foi retirado do nome de um programa radiofónico que era emitido antes do 25 de Abril, na antiga Emissora Nacional, e que se chamava "A verdade é só uma, Rádio Moscovo não fala verdade".

26/10/2008

Umas trapalhadas curiosas


Recebi recentemente, via e-mail um texto em português denominado O capitalismo tentou romper seus limites históricos e criou um novo 1929, ou pior da autoria de François Chesnais, e com a data de 16/10/08, e que tinha sido publicado inicialmente em castelhano, pela revista electrónica Herramienta, em 30/09/08. Perguntei de imediato a quem mo enviou qual a sua proveniência. Não me soube responder.
Como na net ninguém traduz nada de graça, ou seja, sem qualquer objectivo, suspeitei que o texto já devia ter sido publicado noutro site ou blog, mas apesar disso dei-me ao trabalho de o ir confrontar com o original, de modo a verificar se a tradução estava correcta e a podia reproduzir. Como sou um dos editores do site Comunistas.info pensava publicá-la lá.
Antes do o fazer, achei que devia confirmar se aquele texto tinha aparecido naqueles sites que, em português, normalmente transcrevem textos de autores marxistas, ODiário e o Resistir.info , que depois são reproduzidos nos vários blogs de pessoal ligado ao PCP. Lá estava ele em ODiário, com aquela data e numa tradução de Coutinho Duarte.
Achei por bem, para não dizerem que o Comunistas.info reproduzia um texto de ODiário, do Miguel Urbano Rodrigues, que não devia publicar aquela tradução e sim a versão original do Herramienta, onde tinha o título “Como la crisis del 29, o mas… Um novo contexto mundial”, que eu aportuguesei para uma frase semelhante.
Depois deste trabalho todo, e praguejando contra aqueles que me tinham enviado um texto sem saberem a origem, vim a descobrir, num trabalho quase de detective, o seguinte:
1 – A primeira tradução para português tinha sido publicada pelo Esquerda.net, em 8/10/08, com o título Crise vem pôr a nu os limites históricos do sistema capitalista , numa tradução de Luís Leiria. A versão de ODiário diferia pouco desta, apesar de não ser rigorosamente igual.
2 – O site Carta Maior , brasileiro, que também reproduz todos estes textos de autores marxistas famosos, publicou, a 9/10/08, duas versões iguais da tradução do Esquerda.net, mas alterou-lhes os títulos e fez introduções ligeiramente diferentes, mas em qualquer delas indicando o autor da tradução e a origem. Assim, a versão incluída numa secção chamada Economia tinha o título O capitalismo tentou romper seus limites históricos e criou um novo 1929, ou pior, e que foi o título que ODiário utilizou, a outra, com o mesmo título do Esquerda-net, inseriu-a na secção dos Colunistas. Já agora, porque me pareceu interessante, recomendo este site.
3 – O Comuneiro, revista electrónica portuguesa, que também reproduz textos deste tipo, publicou a tradução do Esquerda.net, indicando a sua origem, e com um título igual .
4 – A par de tudo isto, descobri numa pesquisa rápida no Google que havia igualmente blogs que tinham reproduzido o texto com o nome dado pela Esquerda.net, indicando a origem. Assim, encontramos aquele artigo no blog brasileiro Outra Política, no de João Vasconcelos, militante do Bloco de Esquerda, Fénix Vermelha, e, espantosamente, em Notícias Evangélicas, Política, que remete a sua leitura para o Esquerda.net. De onde menos se espera é que elas aprecem. Louvado seja o Senhor.
5 – Com o nome que aparece na outra versão do Carta Maior, que me parece que foi a mais acessível para o público brasileiro, existe uma variedade enorme de sites e blogs que reproduzem aquele texto.
A conclusão que se pode tirar de todo este arrazoado, aborrecido, mas que resulta do meu espírito de coca-bichinhos, como “bom” biólogo que sou, é que à esquerda, provavelmente também à direita, há uma série de autores que tiraram assinatura para escreverem sobre o os males do mundo, e que são transcritos por todo o bicho-careta. Nada disto é grave, podemos até dizer que é bom, convém é que haja alguma ética, de modo a que a origem dos textos fique sempre assegurada.
Este facto também ilustra a guerra política que vai pela nossa Internet. Nada custava ao ODiário dizer que o seu texto é uma revisão da tradução efectuada pelo Esquerda.net, que foi publicada muito antes, e que foi buscar o título ao site Carta Maior, para que não houvesse confusões com o do portal do Bloco de Esquerda. Eu próprio, reconheço, também alinhei nisto, dado que me recusei a publicar a tradução de ODiário. Simplesmente não fiz uma revisão do texto e pus o meu nome, achei que o melhor era publicar a versão original, em castelhano.
Termino com uma recomendação piedosa: espero que, no futuro, haja mais solidariedade entre todos aqueles que se reclamam da esquerda e publicam textos na net.
A fotografia é de François Chesnais

23/10/2008

"O Socialismo Traído" resposta a dois posts


Penso que a blogosfera também serve para o confronto de ideias, para a crítica, para o aprofundamento das questões e que não se deve cingir à notícia breve, aos estados de alma ou aos fait-divers comezinhos. Tenho alguma dificuldade em utilizar estes últimos predicados que exigem alguma prática de jornalismo, e deixo-me sempre arrastar pela fluência do "verbo", acabando a fazer longas análises daquilo que provavelmente se resumiria em duas ou três linhas. Por vezes também acaricio o meu ego, falando de mim e criticando os outros, no fundo reduzindo a blogsofera ao meu pequeno universo. Mas encaro-a assim e provavelmente continuarei a usá-la desse modo.
Vem isto a propósito de dois post que irei escrever: um, o presente, sobre duas críticas ao livro o Socialismo Traído, Por trás do colapso da União Soviética, de Roger Keeran e Thomas Kenny, publicadas no blog Hoje Há Conquilhas Amanhã Não Sabemos, e o outro, a seguir, sobre a recensão que o meu amigo Fernando Penim Redondo escreveu sobre a entrevista que Emmanuel Wallerstein concedeu ao jornal Le Monde, já por mim referida, relativa a O capitalismo chega ao fim (Le capitalisme touche à sa fin). Vamos a ver se cumprirei esta última promessa.
Quanto a este post gostaria de chamar a atenção para as duas críticas saídas no blog já referido relativas ao livro acima citado (ver a primeira (26/09/08) aqui e a segunda (22/10/08) aqui).
Já por duas vezes fiz referência àquele livro, quando relatei a minha ida à Festa do Avante! (14/09/08) para aquisição do mesmo, e a propósito de uma entrevista que os seus autores deram ao Avante! (26/09/08). Em qualquer dos casos parece-me que relatei com alguma seriedade as principais questões levantadas logo no início do livro, já que era a única parte que tinha lido, e as posições um pouco esdrúxulas do entrevistador e dos entrevistados sobre o fenómeno iniciado por Khrushchov, da destalinização da URSS.
Que diz o nosso blogger no seu último post (22/10/08), pequeno como convém para quem escreve na bloggosfera e pelo qual começo, por conveniência de estrutura deste post: “Foi o «centralismo democrático» – concebido, inicialmente, para resistir nas condições difíceis do czarismo, permaneceu intocável. De Lenine até Gorbatchov. A democracia interna nos partidos comunistas é, pois, uma treta. Ou melhor, é uma rolha. Qualquer voz discordante é decapitada. O último líder do PCUS no poder apenas usou a rolha para, num ápice, fazer cair o castelo de cartas. Nada mais simples. Num livro que passa em análise os setenta anos de vida da União Soviética, será esta a única questão que merece ser realçada? Lamento, mas não será reduzir à expressão mais simples, ou seja, à crítica mais fácil, afirmar que “a democracia interna dos partidos comunistas é, pois, uma treta.” Parece-me que havia coisas bem mais interessantes para escrever sobre aquele livro do que isto.
O primeiro post (26/09/08), que dá início a esta série, mais longo, já tenta enquadrar de modo perfeitamente aceitável as principais preocupações do livro e do PCP, sobre cuja responsabilidade foi editado. Depois retira conclusões semelhantes às minhas, e que estão presentes no meu segundo post, a propósito da destalinização iniciada por Khrushchov.
Ver isto escrito num livro editado pelos comunistas portugueses, em 2008, é estranho. É a repetição das teses dos comunistas chineses, na luta ideológica que mantiveram com os comunistas soviéticos, há 50 anos. Mao Tsétung, na altura, chamou-lhes revisionistas. Os autores de O Socialismo Traído, também. Com as mesmas palavras e os mesmos argumentos. É à luz da reflexão contida neste livro que devem ser revisitadas as posições de Álvaro Cunhal nos anos 60. O líder dos comunistas portugueses, em defesa de Khrushchov, disse e escreveu exactamente o contrário, com a agravante de conhecer as posições dos comunistas chineses.
Afinal, parece que, no plano ideológico, Álvaro Cunhal não acertou uma.

Não se depreende do arrazoado do texto porque é que Cunhal não acerta uma. O mais que se poderá dizer é que a actual Direcção do PCP, esquecendo o que no tempo de Cunhal se disse sobre o assunto, vem agora com pezinhos de lã, como eu por diversas vezes já tenho tentado provar, introduzir pela porta do cavalo, como se fossem pontos de vista sempre assumidos por ela, as posições esquerdistas sobre a destalinização e a questão de Estaline.
É evidente, que isto, não tem nada a ver com qualquer idolatria ao "camarada morto", mas porque na altura, já lá vão muitos anos, aderi ao comunismo e depois, posteriormente, ao PCP, devido à crítica ao estalinismo praticada com algum vigor no XXII Congresso do PCUS, que teve lugar em 1961, e sempre apoiada, pelo menos em palavras, pela Direcção de Cunhal, custa-me muito ver o actual PCP vir defender as posições do esquerdismo, que sempre combateu. E ver um blogger que, sem compreender isto, acaba por acusar Cunhal de um pecado que ele, por acaso, não cometeu.

24/09/2008

Um pedido público de desculpas aos visados


Recentemente o Fernando Penim Redondo publicou um post, já anteriormente descrito por mim, interrogando-se porque é que determinada imagem aparecia em alguns blogs, e fazia graça com esse caso.
No dia em que li esse post do Fernando tinha descoberto que o Arrastão tinha agregado um conjunto de blogs a que atribuía o nome de Santa Aliança. Pensei erradamente que havia um grupo que achava, por razões que eu fui inventando, que publicamente deveria assumir que não pertencia àquele aliança.
Citei exemplos, fiz considerações a despropósito. A verdade é que ninguém teve a gentileza de me avisar que aquela pequena imagem nada tinha a ver com os blogs agregados na Santa Aliança, mas sim, provavelmente, - é mais uma suposição minha - com um movimento que se denomina Planetuga e que parece que agrega blogs com vista a fazer uma divulgação das notícias dos seus aderentes. Foi isto que me pareceu perceber de uma consulta rápida ao Google.
Mesmo assim, continuo a não perceber e gostaria que me explicassem, se para aí estiverem virados, porque é que inseriram aquele pequeno ícon.
No entanto, desde já, e pelas interpretações erróneas que fiz do vosso activismo de bloggers, as minhas desculpas.
Quanto às outras afirmações que faço no post anterior todas elas são verdadeiras.

21/09/2008

Andam a acontecer coisas estranhas na bloggosfera


Depois de denúncia de massacres de índios bolivianos pela direita putschista, resolvi fazer um post sobre acontecimentos recentes na bloggosfera.
O Fernando Penim Redondo, do DOTeCOMe…o Blog, tinha chamado a atenção para alguns Enigmas da bloggosfera , contrapondo a uma pequena imagem de um homem a beber, e com legenda Este blog não está agregado, uma pintura clássica de alguém com um copo na mão, onde ele escreveu Este blog não está embriagado (que eu aqui incluo com a devida vénia). Aquela pequena imagem tinha começado a aparecer em alguns blogs.
Respondi lesto que provavelmente este pequeno ícone era a resposta de alguns contestatários a um conjunto de “blogs de política e de cultura escritos por bloggers de esquerda” e que tinham sido agregados, com o nome de Santa Aliança , pelo Arrastão, depois da sua última reestruturação. Uma das suas páginas estava permanentemente a ser actualizado com os post mais recentes dos blogs agregados.
A que o Fernando me respondeu com muita graça se “a tal Santa Aliança é composta por alcoólicos? Ou pelo contrário decretou a lei seca?”
Que eu tivesse percebido, ninguém até agora explicou a razão daquela pequena imagem. O primeiro blog onde a encontrei foi no da Joana Lopes e depois na Natureza do Mal . Como a expressão que utilizam é “agregado”, igual à que é utilizada pela Santa Aliança, pareceu-me que a minha dedução era lógica. Só não explicaram o porquê da garrafa, que eu suponho que é de vinho, daí a pergunta pertinente do Fernando.
Expliquem-se, reconheçam que se sentem marginalizados ou então que não alinham em Blocos, mas como há blogs na Santa Aliança que até são de militantes do PCP e têm escrito alguma prosa pouco meiga sobre o Bloco, espanta-me a convivência. Eu cá por mim nada tenho contra. É a unidade de esquerda!
Mas não foi só isto que motivou a minha estranheza. Ontem, depois de ter sido divulgado a noticia de que Human Rights Watch tinha apresentado um Relatório crítico do regímen de Chavez. A sua apresentação tinha sido feita em Caracas, por um chileno e um americano membros daquela organização e que tinham sido expulsos de imediato da Venezuela. Logo uma série de blogs, dois da tal Santa Aliança, o Arrastão e o Womenage à trois condenaram o sucedido, seguidos muito de perto pelo Terceira Noite , do Rui Bebiano, este acrescentando até o relatório apresentado por aquela organização sobre a CIA. Estranho pois que este post pouco tempo depois tenha desaparecido daquele blog.
Assim, rapidamente tirei três conclusões “maldosas” sobre aquele súbito desaparecimento, ou o Rui Bebiano se tinha convertido nessa noite ao chavismo, ou quis dar realce ao seu texto final sobre a Revolução de Outubro, que eu espero, quando tiver oportunidade, vir a comentar, ou então não se quis misturar com as condenações que já tinham aparecido na Santa Aliança.
Quanto ao conteúdo do relatório e à condenação da atitude de Chavez, não me pronuncio. No entanto, estranho que quando um pouco mais abaixo, na Bolívia, se massacram camponeses, todos se sintam na obrigação de condenar o regímen da Venezuela e nem uma palavra sobre tal massacre. Eu bem tenho afirmado que andamos todos ao serviço da agenda mediática dos media dominantes e não das verdadeiras coisas que interessam à Humanidade. Pensem nisto.
Para terminar e se estiverem interessados em ler uma outra opinião sobre o referido Relatório recomendo este artigo do site Rebelion.
PS.:
Provavelmente por distracção minha ou porque o pequeno ícone só agora foi introduzido a verdade é que ele também aparece no já referido blog Terceira Noite. Por isso a minha hipótese sobre o Rui Bebiano não se ter querido misturar com a Santa Aliança é capaz de ser a mais verosímil. Até porque depois do seu post sobre a Revolução de Outubro, publicou outro, com grande ironia e muito bem escrito, coisa que é seu apanágio, sobre um e-mail publicitário que lhe chegou à caixa do correio. Leiam, que vale a pena.

17/09/2008

Genocídio na Bolívia


Tenho seguido com alguma atenção o que se passa na Bolívia. Até ao presente ainda não encontrei qualquer notícia sobre os massacres de camponeses que tiveram lugar na naquele país em nenhum dos blogs dessa Santa Aliança que se formou com bloggers de esquerda e foi organizada pelo Arrastão, nem nos que sobraram, e são muitos, que têm a vocação de passar sempre ao lado, por "distracção", da violação dos direitos humanos perpetrados pela direita.
Como se sabe, e não vou contar a história com todos os pormenores, há alguns Governadores de Departamentos na Bolívia, os mais desenvolvidos, que não aceitam o presidente eleito, Evo Morales. Realizou-se um referendo que reafirmou a sua vitória e agora com resultados muito mais expressivos. Esses Governadores, que, ao que parece, também foram confirmados eleitoralmente no seu cargo, têm vindo a rebelar-se contra o poder central, encetando em alguns casos rebeliões violentas, com claro desrespeito das regras da legalidade democrática. Evo Morales tem tentado dialogar com eles, mas acusou o Governo dos Estados Unidos de os apoiar e fomentar um golpe de estado, expulsando por isso o seu embaixador.
O que dizem as agências internacionais que são a fonte de informação dos nossos media: Bolívia à beira de um golpe de Estado, dado por quem, não se sabe. Desacatos já causaram trinta mortos. O estado de sítio foi decretado numa das províncias. Estaríamos assim num país em revolta, com desordens nas ruas, responsáveis por aquela mortandade.
Perante este cenário, o que é que ontem nos informava o Público pela pena de um enviado especial chamado Nuno Amaral? Que o Governo estaria a negociar com chefes das províncias (departamentos) rebeldes, mas que à revelia dessas negociações o estado de sítio tinha sido proclamado na província de Pando. E o interlocutor do nosso repórter chamava ao Governo “traidores de merda” e dizia que “não se podia acreditar nessa corja”, o Governo claro. E o artigo continuava nestes termos, afirmando que foi naquela província que se registaram os piores confrontos, em que pelo menos 30 pessoas morreram. E o que diz o interlocutor do nosso repórter: “o Governo culpa o governador pelos assassinatos, diz que contratou mercenários brasileiros e peruanos. É mentira, foi o exército que matou essas pessoas” e o o nosso valente repórter continua: “Ao mesmo tempo que demonstrava disponibilidade para negociar com a oposição Morales mandou deter o governador de Pando”. Depois termina com declarações de outro dos revoltosos. “Cortámos estradas e linhas de caminho-de-ferro, invadimos aeroportos e organizações do Estado”. Era necessário, frisa. Urgente. “Só assim desmascaramos os planos desse fantoche (Morales) de Chávez, o fascismo comunista não avançará, nem que isso nos custe a vida”. E o repórter finaliza o texto afirmando “cai-lhe uma lágrima, duas”.
Vai séria a reportagem do Público. Desde quando é que se houve só uma parte, e que parte?
A seguir vem um artigo como título: Presidente chilena quer ir à Bolívia ouvir as duas partes. Referia-se à reunião que se iria realizar no Chile da União dos Países do Sul (UNASUL). Como se verá a seguir não foi essa a principal conclusão da reunião.
Ontem, durante o dia, as televisões já afirmam que o comunicado final desta reunião apoia o Governo constitucional de Evo Morales, não reconhece qualquer situação que implique uma tentativa de golpe civil e reafirma a unidade territorial do país. Contudo não deixaram de acrescentar que esta reunião não tem meios para impedir a realização de um golpe de Estado, como que a transformarem em notícia aquilo que desejariam que acontecesse.
Mas o que há de verdade nestes trinta mortos que são referidos como vítimas da convulsão que se vive a Bolívia. Fui consultar por isso os sites onde poderia recolher informação mais precisa.
Assim, começo pelo comunicado final da reunião da UNASUL, onde é dito no ponto 5: “Nesse contexto, expressa sua mais firme condenação ao massacre que se viveu no departamento de Pando, e respalda o chamado realizado pelo governo boliviano para que uma comissão da UNASUL possa se constituir nesse país irmão para realizar uma investigação imparcial que permita estabelecer e esclarecer a brevidade dessa lamentável acção, e formular recomendações de tal maneira que o mesmo não termine impune”. Estamos pois, ao contrário da voz nada inocente transmitida pelo Público, perante um massacre reconhecido oficialmente pela UNASUL, que quer investigar.
Mas as notícias vão mais longe o Governador do Departamento de Pando foi preso e acusado genocídio na forma de massacre sangrento. Pensa-se que pelo menos foram massacradas 15 pessoas. E em últimas notícias afirma-se mesmo que a UNASUL pode levar chacina boliviana a tribunal internacional, onde já são referidos 30 mortos e 100 desaparecidos.
O Ministro dos Negócios Estrangeiros do Brasil afirma “acusação contra Governador de Pando é "muito séria" e que "não se pode mudar a vontade do povo através de acções violentas".
Termino este conjunto de notícias com estas palavras retiradas de um blog brasileiro: “não devemos ter nenhuma dúvida sobre a gravidade da situação na Bolívia e do que são capazes as suas elites políticas de direita, seja em Santa Cruz, seja em Cobija (capital do Departamento de Pando, JNF) ou em qualquer outra região do país. São racistas e violentas. Optaram pela derrubada do governo e não respeitam nem a lei e nem a Constituição. A comunidade sul-americana tem que dar um recado duro e directo para eles, de que não vão tolerar mais as suas acções violentas e ilegais e nem a tentativa de estrangular a economia boliviana.”
Lembraria que os mortos são camponeses, provavelmente índios e daí igualmente a acusação de racismo a quem empreendeu esta acção.
Depois disto chegamos à conclusão que a imprensa portuguesa de referência vai mal e de que os nossos bloggers são vítimas da sua agenda mediática.
PS.:
esta notícia foi redigida ontem dia 16. Hoje o Publico reincide e de que maneira pela pena do seu enviado especial Nuno Amaral. Mas, não são só os jornalistas, Rui Ramos em artigo de opinião no mesmo jornal pergunta a dada altura: “Estará a Bolívia já ”libertada”, daquela parte do povo que não é “povo”, porque não partilha as opiniões do Presidente?”, mistificando demagogicamente os acontecimentos e brincando com assuntos sérios.
PS (20/09/08).:
Quando eu pensava que o massacre, para que tinha modestamente chamado a atenção, tinha caído no esquecimento entre os media, não é que o Expresso de hoje, com chamada na primeira página, não noticia Bolívia: a verdade sobre o massacre de Cobija. Depois, no interior, mais comedido, fala só de O massacre de Cobija. É evidente que não esclarece grande coisa sobre a quem atribui-lo, mas alerta para um problema para o qual o Público, depois de ter enviado de propósito um jornalista àquele país, vinha engonhando à quase uma semana. Nas páginas que aquele semanário dedica à situação na Bolívia um outro título chama igualmente a atenção Todos juntos… contra os EUA. Retira-se do artigo a conclusão, que eu também já tinha tirado, de que o comunicado final da UNASUL era bastante favorável a Evo Morales. Só o Público, pela pena seu enviado, continuava a não perceber isso.
É evidente, como leitor diário do Público, exijo outro comportamento do meu jornal. Não sei o que os outros jornais disseram, a televisão vinha muito na linha do Público. Ou seja, tentou-se desinformar até ao fim. O Expresso, contra a corrente, decidiu-se pela completa cobertura dos acontecimentos, dentro é evidente da análise preconceituosa e de direita de Miguel Monjardino, que assina a coluna de opinião sobre o conjunto de notícias que aquele semanário dedica à Bolívia

27/07/2008

Quando me vejo envolvido, sem o querer, numa polémica caseira


De repente o nome do meu blog vem à baila sobre uma matéria para a qual eu não meti prego nem estopa. Por esse motivo, sinto necessidade de esclarecer alguns incautos que, apressadamente, me podem envolver nas diatribes que o Victor Dias dirigiu a um artigo respeitável de Elísio Estanque (ver imagem aqui ao lado), Ainda há esquerda dentro das "esquerdas", publicado igualmente no Público e no seu blog.
A história é simples. Fernando Penim Redondo (FPR), do DOTeCOMe_Blog , resolve concordar com o post de Victor Dias e em “comments” insere o mesmo comentário que publicou no meu blog a propósito de outro assunto, citando o site de onde o transcreveu. Ora, um leitor mais apressado pode pensar que o texto é meu ou que concordo com ele. Nada disso é verdade.
O post de crítica ao artigo de Elísio Estanque é retorcido, mas no fundo resume-se a isto: “um elemento estruturante e nuclear de certas reflexões em curso sobre a "esquerda" é, pura e simplesmente, a discriminação e a pretensão de excluir e isolar o PCP”. Lendo isto, FPR acha que aquilo que afirmou no seu comentário a um assunto muito diferente e com protagonistas diferentes se insere na mesma cabala denunciada por Vítor Dias, que visa descriminar e excluir o PCP. Com esta nova transcrição, FPR já entrou na paranóia das teorias da conspiração, que em tudo vê a mão oculta dos inconfessáveis inimigos do PCP.
Mas deixemos o FPR e voltemos ao post do Victor Dias. Quanto a mim, o que é mais elucidativo não é propriamente o post, que eu resumi numa frase, mas sim a resposta que este dá a um longo comentário de Alcides Santos.
Primeiro, com uma grande sobranceria, coisa que não utiliza quando visa esclarecer os argumentos da direita, afirma que será ensinar o padre-nosso ao vigário que alguém tente dar lições ao PCP sobre “as questões de unidade ou convergência entre diversos sectores ou forças democráticas”.
Ora a verdade, e Victor Dias esquece isso, é que o PCP não tem mantido nos últimos anos a mesma opinião. Só o seu acrisolado amor à camisola o faz esquecer as inflexões do PCP sobre esta matéria. Desde o tempo em que aquele Partido defendia a necessidade de transformar a maioria numérica de esquerda existente na Assembleia da República (PS e PCP), em uma maioria política, até às opiniões do seu camarada Jerónimo de Sousa sobre a unidade actual, que Vítor Dias chama de cooperação, que, depois de exprimida se resume a convergir com os Verdes e a Intervenção Democrática, que um longo caminho foi percorrido, tendo-se verificado uma substancial alteração da prática política daquele Partido em relação à unidade das forças de esquerda.
Vítor Dias é incapaz de perceber o declínio teórico que atravessa o PCP, que o faz resvalar facilmente para o esquerdismo e o sectarismo. Com alguma modéstia, tenho tentado em textos recentes fazer uma crítica àquilo que eu considero ser o desvio esquerdista e sectário do PCP. Ver aqui e aqui , aqui e aqui, aqui e aqui e aqui .
Depois responde em três pontos à crítica bem intencionada de Alcide dos Santos.
No primeiro ponto faz um jogo de palavras. Como se a possibilidade e a necessidade fossem coisa incompatíveis e não complementares.
No segundo, tem uma afirmação espantosa em que escreve que não há força eleitoral, mesmo contando com o PCP, para dar base a uma “alternativa política”, contrariando a afirmação sempre repetida de Cunhal, que não devemos lutar unicamente pelos objectivos alcançáveis, mas sim por aqueles que sendo difíceis de atingir nos parecem justos. Porque, partindo do ponto de vista de Vítor Dias, só nos resta defender uma aliança com todo o PS, incluindo o de Sócrates, pois só assim teríamos a maioria numérica indispensável a uma alternativa política.
Depois, no terceiro ponto, ataca todos aqueles que andam a dar corda às tais personalidades de esquerda do PS. Esquecendo que o PCP já deu corda a personalidades bem menos fiáveis que esta esquerda do PS, ao apoiar o projecto do PRD. Já lhe tinha falado nisto e o Vítor Dias respondeu-me com bugalhos, para não falar do FPR que resolveu desconversar e a despropósito atacou a Renovação Comunista, de que tinha feito parte.
Mas o tom dos seus amigos do PCP, sempre elucidativo do que passa pela cabeça de certos militantes daquele Partido e que se traduz muitas vezes nos comentários assinados do Avante, está dado por este comentário de fina perspicácia publicado no seu post: “Todos eles, sabem muito bem o que andam a dizer (fazer), eles são pagos para isso!”

17/07/2008

Ainda o caso de Ingrid Betancourt e das FARC


Nos últimos dias tenho vivido um “grande” drama político. De repente dei-me conta que me encontrava politicamente isolado frente ao combate que, por interposta força guerrilheira, as FARC, se está a travar entre uma esquerda, que eu chamaria “bem pensante”, e os conhecidos “cavernícolas” do PCP.
O caso começou nalguns blogs de consulta diária, passou pelos media e continua em ondas de choque a merecer comentários aqui e acolá. Quase que poderia dizer que é hoje a pedra de toque que separa a esquerda não PCP daquele Partido. Por esse motivo, uma posição como a que expressei aqui é incómoda e acarreta-me necessariamente muitas incompreensões e críticas, valha-me o meu camarada Saboteur, que no Spetrum, fez um elogio à minha intervenção.
Afirmava nesse post que não tinha informação suficiente para me poder pronunciar com inteireza sobre o que eram as FARC e os seus métodos de actuação, nem conhecia em pormenor a Colômbia e o seu Governo para sobre eles traçar uma opinião definitiva, como os comentadores da blogosfera gostam de fazer.
Fui recolher material, abri mesmo um ficheiro dedicado ao assunto. Pode ser que com tempo e vagar comente o que se tem dito na blogosfera.
No entanto, não gostaria desde já de passar em claro dois casos que me parecem paradigmáticos das posições simplistas e acríticas, que resultam de uma opção por tudo ou nada, em que o meio-termo ou uma análise mais rigorosa é deixada ao abandono.
O primeiro refere-se a um post que Daniel de Oliveira colocou no seu site, “Pode alguém ser livre se outro alguém não é?”, em que considera que tanto é crime capturar alguém e levá-lo para Guantánamo, como faz o Governo dos Estado Unidos, como ter raptado Ingrid Betancourt e conservá-la prisioneira durante anos, como fizeram as FARC. Por isso considera que não se pode pedir que o Governo português interdite os voos para Guantánamo, como o fez o Grupo Parlamentar do PCP, e a seguir defender a não criminalização das FARC por terem raptado pessoas que não estão directamente envolvidas na luta que se trava na Colômbia, como disse Jerónimo de Sousa, em declarações citadas aqui.
Daniel de Oliveira esquece que as consequências dos dois actos são completamente diferentes. Enquanto Bush pode passear pelo mundo, indo até uma cimeira do G8 onde, segundo a imprensa, se comeu trufas e caviar, e ninguém, exceptuando meia dúzia de manifestantes enraivecidos, facilmente afastados pela polícia, lhe chama criminoso ou o prende. Já um dirigente das FARC se sair da selva corre o risco de ser morto, como recentemente ocorreu aos dirigentes daquela organização que estavam em solo equatoriano, e a organização a que pertencem é classificada pelo “mundo ocidental” como terrorista, com as consequências que isso acarreta, quer para ela quer para todos aqueles que em qualquer lado lhe manifestem alguma solidariedade. Como se vê pelo que digo o crime não acarreta para todos as mesmas consequências. Ou seja, o crime pode ser o mesmo, como diz Daniel de Oliveira, simplesmente há uns que são mais criminosos do que outros. Isto devia levar a pensar os nossos apressados comentadores.
O segundo caso prende-se com o estado de saúde de Ingrid Betancourt. João Tunes no seu blog, depois de alguns considerandos que eu me abstenho de comentar, para não azedar um conhecimento que foi estabelecido ainda nos tempos “heróicos” do ABC Cine-Clube de Lisboa, fala de “aqueles cínicos que acharam que ela “até vinha em bom estado” e longe da prostração comatosa que lhe competiria como sequestrada”. Vítor Dias no seu blog comenta, com ironia, depois de mostrar uma fotografia de Ingrid toda airosa na Festa do 14 de Julho, em França, que não irá falar da sua saúde.
Quanto a mim, que fico satisfeito por a senhora estar de boa saúde, acho no entanto que não se pode deixar passar em claro a campanha mediática que foi desencadeada a propósito do estado de saúde de Ingrid. Dizia-se que estava bastante doente e que a sua vida estava em perigo. Ou seja, estivemos perante um caso claro de manipulação da opinião pública, coisa que pelos vistos não ofendeu muito os nossos comentaristas de serviço.
Em qualquer dos casos, parecem-me dois exemplos em que se olha muito para a árvore e pouco para a floresta.
PS.: Já depois deste post estar publicado Fernando Penim Redondo queixava-se aqui do fanatismo que atravessava a rede por pessoas com posições ditas liberais. Citava o caso de João Tunes a propósito da China, que eu me abstenho de comentar pelas razões já expostas em cima, e de um blog, com um nome um bocado esdrúxulo, como o meu, que o critica pela sua posição quanto à saúde de Ingrid Betancourt. Neste caso, tal como o de João Tunes, os comentadores não se indignaram com todos aqueles que deliberadamente manipularam a opinião pública, mas sim com os que ficaram espantados por ver a senhora de boa saúde.

01/07/2008

Caminhos da Memória


Foi criado, no dia 15 de Junho, um novo blog, chama-se Caminhos da Memória. Segundo o editorial é feito por amigos da Associação Não Apaguem a Memória, mas não é o órgão oficioso da mesma, ou seja, como eles afirmam, as suas opiniões não comprometem aquela Associação.
O blog está bem feito, é sério, no sentido das opiniões expressas, não serem “engraçadinhas”, nem provocadoras, e percebe-se ao que vêm e o que querem.
Digo isto, porque hoje muitos blogs são escritos para os amigos, que antecipadamente já conhecem as graças de cada um. São muitas vezes redigidos com os pés, pois não se percebe o querem dizer, ou então estão cheios de provocações, dirigidas aos seus inimigos declarados. Eu que gosto das coisas bem explicadinhas, por isso escrevo grandes laudas, e que me irritam as “private jokes”, sou portanto apoiante deste blog.
Sei que haverá algumas opiniões com que não concordarei, mas como penso que a informação é sempre útil, e este blog é essencialmente informativo, parece-me pois que encontrarei nele ampla matéria para me reavivar a memória.
Um abraço aos blogonautas e que tenham muitos leitores.

09/06/2008

Reflexões de um blogonauta incauto e desiludido


Sempre entendi os blogs como um misto de diários íntimos, que alguns até aproveitam com grande sucesso, e de comentário político, que podem ser literários, desportivos, cinematográficos, conforme a especialidade do seu autor. Para mim deu-me para o comentário político e de quando em vez para o cinematográfico.
Por isso frequentemente alterno situações mais pessoais, com o comentário político-ideológico puro e duro.
Assim, a propósito da festa-sessão do Trindade resolvi embirrar com dois textos que apareceram na blogosfera. O primeiro era da revista Semanário, na sua versão electrónica, e o segundo de um post do Vítor Dias, do blog O Tempo das Cerejas. Poder-se-á perguntar porquê esta selecção, se tanta gente se tinha pronunciado sobre a tal festa. Quanto ao Semanário confesso que fiquei irritado com a manipulação dos factos e com a informação, evidentemente não confirmada, de que aquela intrigalhada, publicada num semanário de direita e que favorecia o PCP, tinha origem na Soeiro. Podia ter feito o mesmo que o Daniel de Oliveira, do Arrastão, desclassificando o Semanário e passado adiante.
Quanto ao Vítor Dias a minha intervenção foi motivada por uma história antiga que tinha tido com ele e que resolvi contar no post já referido. E aí misturei com a crítica política as minhas vivências pessoais, com a agravante de ter recorrido a declarações de alguém já falecido. Se uma personagem importante recorre a este tipo de dados para escrever as suas memórias, podem os herdeiros do morto protestar, mas todos concordam que são informações importantes. Como isso não se verifica comigo, só serviu para denegrir a memória de alguém que já desapareceu. Por isso, na resposta que dei ao Vítor Dias lamentei esse facto.
Concluindo, tudo somado, reparei que me tinha justificado demasiado, talvez o devesse tratar como o Tunes, do blog Água Lisa , de cujo estilo e conteúdo discordo, que mesmo depois de ter sido citado oportunamente pelo Vítor Dias lhe continua a chamar “veterano estalinista”. Mas mesmo assim optei por outro caminho, mais consentâneo com a minha maneira de ser.
Qual foi o resultado desta minha troca de comentários com o Vítor Dias. Com o mesmo, a tentar publicar no blog do Fernando Penim Redondo, DOTeCOMe…o Blog , uma “deliberação” e uma “resolução” que foram votadas, ainda no tempo do Satana Lopes, pelo Bloco de Esquerda, na Assembleia Municipal de Lisboa. Já se sabe que antes recordou oportunamente que tinha sido companheiro do Fernando em Caxias nas vésperas do 25 de Abril.
Passado pouco tempo sobre da minha referência à qualidade do seu blog, lá estava o Vítor Dias a aproveitar-se de um texto sobre o caso da Praça das Flores, do José Neves, jovem que eu muito preso, mas que neste caso serviu às mil maravilhas para o Vítor Dias atacar o Sá Fernandes, afirmando que a “Skoda faz falta”, parafraseando o slogan de campanha daquele vereador eleito pelo Bloco de Esquerda. O que é mais interessante no seu blog é a paciência com ele responde à direita e o jeito provocador com que se vira para o Sá Fernandes. A resposta que ele dá, na secção de comentários, a alguém que pacientemente o quis esclarecer, é um mimo de hipocrisia.

Ainda a propósito da festa sessão do Trindade, e envolvendo, mesmo indirectamente, o caso anteriormente citado, tive uma trica com o meu amigo Fernando Redondo, do blog já anteriormente referido, de que eu também era colaborador. A história conta-se rapidamente, se tiverem paciência para lerem estes lamentos de um blogonauta desiludido.
O Fernando Redondo resolveu, quanto a mim desabridamente (chamou-lhe “um típico fogacho de esquerdismo oportunista”), atacar a festa sessão do Trindade. Incapaz de me ficar, até porque não sendo subscritor do apelo à sua realização, reconhecia a importância da participação conjunta das personalidades e movimentos políticos envolvidos no evento, resolvi responder e, mais do que isso, inserir no seu blog, tal com neste, um apelo à participação. Hoje estou claramente convencido que o Fernando ficou profundamente irritado, apesar de ter dito que não o “incomodava minimamente” que o publicasse, afirmou, no entanto, não estar tão certo que eu permitisse a situação inversa
O assunto não morreu, como é fácil ver pela consulta daquele blog, mas estava minimamente dentro das divergências normais entre nós os dois. Até que rebentou a referida polémica como Vítor Dias, que era, como se percebe, entre mim e o citado. Ora o Fernando recorrendo a uma expressão semelhante a uma que eu tinha utilizado numa das respostas ao Vítor Dias – eu afirmei “sejamos claros” e o Fernando, “falemos claro” –, resolve desencadear um ataque a alguns dos grupos minoritários que eram indicados pelos jornais como participantes na festa-sessão. Os pintassilguistas foram referidos, mas como toda a gente sabe, morta a sua mentora, o que hoje resta é gente que trabalhou com ela e que, por isso, ainda assim é designada. No entanto, o principal ataque era dirigido ao Movimento Renovação Comunista em que o Fernando tinha participado, tendo até votado favoravelmente a sua transformação em Associação Política. Apesar de dizer que mantinha lá um amigo, isso não o impediu de fazer graves críticas, que eu classificaria de injustas e, acima de tudo, a despropósito. Fez igualmente referência aos ataques contra esse “grande partido histórico” que é o PCP, que no post não se percebia se resultavam da festa-sesão, mas que em comentário esclareceu que se referia à atitude que por vezes tomam pessoas da RC. Esquecendo-se que foi quando ele andou na Renovação que a guerra entre renovadores e ortodoxos dentro do PCP atingiu proporções mais azedas. Hoje, exceptuando os meus artigos, que de tempos a tempos rebatem posições ideológicas do PCP e de alguns dos seus militantes, não é normal a Renovação referir-se (veja-se o seu site) ao PCP e este, mesmo no seu jornal semanal, ignora-a completamente. Tudo isto só pode ser entendido como uma pequena vingança do Fernando, que utilizou o meu debate com o Vítor Dias para, indirectamente, me encostar à parede. Já se sabe que pedi imediatamente para sair de colaborador do DOTeCOMe…o Blog.
Por isso, estas são as reflexões de um blogonauta incauto, incapaz de perceber que algumas das suas atitudes têm reacções que o próprio não prevê, e desiludido com a sua intervenção na net.