No post anterior sobre o resultado das eleições para a Presidência da República fiz referência, por duas vezes, ao nome de Vítor Dias, do blog O Tempo das Cerejas. A primeira foi inócua, já que eu concordava com a relação que ele estabelecia, apesar dos contextos serem bastante diferentes, entre a votação de Pinheiro de Azevedo, em 1976, e a de Fernando Nobre agora. São assuntos passados, que só velhos como nós é que se recordam.A segunda é relativa a uma pequena polémica que travei aqui com ele, a propósito da sua repetida afirmação de que votar nos opositores a Cavaco A, B ou C, na primeira volta, era aritmeticamente a mesma coisa, a que eu respondia que politicamente votar em A ou B não era a mesma coisa, já que não era indiferente quem ia à segunda volta, se a houvesse. Se a escolha fosse em Nobre, era para o PCP um bocado difícil apelar na segunda volta ao voto nele, depois de o seu jornal “o ter classificado como fascista.” Mas a seguir acrescentava: “coisa que diga-se de passagem, não sendo completamente verdade, tem algum fundo, vejam-se as palavras de Nobre no debate com Francisco Lopes”. Este “vejam-se” remetia para um post anterior, onde fazia uma análise dos debates e, a propósito do realizado entre Francisco Lopes e Fernando Nobre, dizia que este tinha feito afirmações que roçavam “perigosamente o fascismo”.
Que me responde Vítor Dias nos comentários ao meu post, que eu tinha-me que pôr de acordo com Francisco Louçã porque enquanto que este dizia que “Nobre fez uma campanha com traços populistas – o jornal do PCP chama-lhes “fascistas”, o que é certamente inaceitável –“, para mim, que não tinha engravidado (penso que seja esta a expressão, pois o que escreve VD foi "engracidou") de ouvido, o jornal do PCP classifica-o “como fascista”, no singular. E termina VD “espero que considere que chamar «fascistas» a TRAÇOS DE POPULISMO NÃO é A MESMA COISA QUE CHAMAR FASCISTA AO CANDIDATO.”
Como se percebe, para quem leu o meu texto, eu não citava o Francisco Louçã, mais remetia para um texto meu anterior até ás eleições, enquanto que o de Louçã é posterior, e apesar de não transcrever ipsis verbis o que dizia o jornal do PCP, até concordava com ele, pois achava que, no debate com Francisco Lopes, as afirmações de Nobre roçavam “perigosamente o fascismo”.
Percebe-se deste primeiro comentário que não só VD não lê com cuidado os textos que critica, como os apoiantes de Alegre teriam que seguir as palavras de Louçã, tal como ele, VD, bebe de certeza os comunicados do Comité Central.
O segundo comentário ainda é mais sectário. Porque, não tendo percebido nada do que escrevi, continua a dizer que eu fazia uma referência crítica ao Avante. Percebe-se perfeitamente que no meu post não havia qualquer referência crítica ao Avante, havia sim uma referência crítica às contas aritméticas de VD que podiam não bater certo com as contas políticas.
E depois num gesto de puro sectarismo, ódio e paranóia, vem referir a propósito de nada que Francisco Louçã trafulhou (verbo que não existe segundo o Portal de Língua Portuguesa) duas vezes. Quando atribuía autoria de uma crónica assinada ao jornal do PCP. Rábula muito antiga de VD, que sempre quis separar as crónicas assinadas no Avante, das posições do seu director, como se elas não reflectissem o mesmo pensamento. Se o seu blog, nos textos de opinião, reflecte sempre as posições do seu Partido, não havia de acontecer isso no jornal Avante.
Depois numa apreçada manipulação transforma os “traços populistas”, que segundo Louçã “seriam, para o jornal do PCP “fascistas”, em fascista, cometendo assim o mesmo erro que me atribui a mim logo no seu primeiro comentário. De facto o que dizia o articulista é que o pensamento político de Nobre era fasciscante e não fascista, mas em qualquer dos casos, como VD sublinhou no seu primeiro comentário, era o pensamento político e não o candidato que era fascista.
Já se sabe que isto não teria importância nenhuma se VD se limitasse simplesmente a comentar as minhas afirmações, quando o que pretendia era por um lado dizer que eu contradizia Louçã. Como se no Bloco, ao contrário do que sucede no PCP, não haja liberdade pública de se discordar de Louçã, ou seja de quem for, e ao mesmo tempo chamar trafulha a Francisco Louçã, numa clara manifestação de sectarismo, ódio e paranóia.
Em próximo post irei comentar as posições do PCP sobre o Bloco, de que VD é, neste momento, um simples peão de brega.















